Programa Pós-Covid Infantil realizou mais de 10 mil atendimentos na Policlínica Metropolitana

Iniciativa já atendeu mais de 1.200 pacientes, totalizando 10.245 atendimentos entre consultas, exames e outros serviços de saúde

Sequelas psicológicas são as que mais aparecem nos atendimentos a crianças até 13 anos no Programa Pós-Covid Infantil, da Policlínica Metropolitana. Lançada em novembro pelo governador Helder Barbalho, a iniciativa já atendeu mais de 1.200 pacientes que resultaram em 10.245 atendimentos entre consultas e exames.

O avô de Gregory Cordeiro Harris, 10 anos, teve sintomas de Covid-19, em dezembro. Ao acompanhar o idoso em uma consulta na Policlínica Metropolitana, a mãe do menino, Ruth do Santos Cordeiro, 44 anos, soube que a faixa etária dele também é atendida na unidade.

“Vim aqui na semana passada trazer meu pai para uma consulta e vi, me interessei e já liguei. Agendei a consulta e gostei também do atendimento, muito rápido, pensei que ia ser muito longe e foi para imediato. Eu gostei. Ele tem transtorno de comportamento. Isso me chamou atenção com a parte de fonoaudiólogo que já serviu bastante para o que eu estava procurando”, relata a sambista Ruth Cordeiro, moradora do bairro do Guamá.

A assistente administrativo Antônia Darlene e o filho André Yudi saíram satisfeitos da consulta ao Programa Pós-Covid Infantil

A opinião é compartilhada por outra acompanhante, Antônia Darlene Moura da Costa, 33 anos, mãe de dois meninos com 12 e 8 anos de idade.  “Eu soube através de uma amiga que estavam agendando. Consegui agendar bem rápido por telefone. Tenho dois filhos, ontem eu trouxe um e hoje estou trazendo o outro para realizar os exames. O atendimento foi maravilhoso, cheguei cedo, ele foi o primeiro a ser atendido, fez eletrocardiograma e exames de rotina. E hoje é a vez do outro”, informou a assistente administrativo.

Embora as crianças tenham menos sintomas do que os adultos e fique mais difícil identificar quais delas adquiriram Covid-19, elas são muito afetadas pela pandemia. É o que acredita o diretor técnico da Policlínica Metropolitana, Luiz Fausto da Silva.

Diretor técnico da Policlínica Metropolitana, Luiz Fausto da Silva ressalta a atenção redobrada à saúde das crianças após a Covid-19

“Ficaram muito tempo trancadas, isoladas e são as pessoas que dependem mais de socialização para o seu desenvolvimento. Algumas delas começaram a apresentar alterações psicológicas, perda de controle de peso e ficaram mais introspectivas. Apesar de os sintomas serem graves nos adultos, algumas crianças desenvolvem problemas graves, principalmente de cunho neurológico. Dificuldade de mobilizar e até sinais de acidente vascular cerebral, tivemos casos aqui. Nessa faixa de idade predominaram as sequelas psicológicas”, defende Luiz Fausto.

A ociosidade em casa e o uso excessivo de uso de celular aparecem como as maiores preocupações que alteraram o comportamento das crianças. “Elas acabam não interagindo em família, desenvolvendo uma ansiedade por estarem em casa por muito tempo, alguns apresentam até dificuldade para dormir, porque tem essa mudança de horário, acordam muito tarde, não fazem as refeições adequadas no horário certo”, explica a psicóloga Paula Rassy.

A perda de familiares e as restrições do distanciamento social também aparecem. “Alguns falam com relação à escola, que estão impedidos de ir por conta do vírus. Alguns entendem a perda de familiares e sentem, principalmente quando é mais próximo. Teve casos de perda de pai e a mãe ficou sozinha com os filhos. Eles apresentam comportamentos mais estressados, irritados, chorosos pela saudade”, acrescenta Paula.

Por outro lado, a unidade também recebe crianças cujas famílias não estão adotando as medidas preventivas. “São aquelas que estão sempre na rua, que não usam máscara, que continuam tendo uma vida normal. Aqui o que colocamos é mais com relação à rotina da criança, no âmbito da família, a questão da interação, reforça a questão do cuidado porque os casos estão aumentando. Geralmente estão acompanhados, mas como é uma orientação, avaliação, o responsável está sempre presente e fazemos essa avaliação e encaminhamentos necessários juntos”, explicou a psicóloga.

Balanço – Desde novembro, a procura pelo programa vem aumentando progressivamente na Policlínica. O serviço oferece consultas multiprofissionais nas áreas de pediatria, nutrição, fonoaudiologia, psicologia, além de exames especializados. Dependendo do diagnóstico, a criança é encaminhada para atendimento na rede pública como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e o Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR).

Em novembro foram 95 atendimentos; 2.203, em dezembro; 6.452 em janeiro; e 1.495, nos primeiros dez dias de fevereiro, totalizando 10.245 procedimentos realizados e mais de 1.200 pacientes atendidos. “Houve um aumento gradativo, a população entendeu a necessidade e está fazendo uso efetivamente dos serviços. Quando passam por avaliação, mesmo que não seja definitivamente uma sequela da Covid, os pacientes são encaminhados para outras especialidades para o atendimento necessário”, acrescentou o diretor.

Para as matrículas no programa, não é necessário encaminhamento e nem comparecimento presencial na Policlínica. Interessados podem entrar em contato com Central de Atendimento no WhatsApp (91) 98521-5110 e ainda no e-mail agendamento.polimetropolitana@issaa.org.br.

No dia marcado, o paciente precisa comparecer à Policlínica com 40 minutos de antecedência, com seus documentos pessoais em mãos: RG, CPF, comprovante de residência com CEP e cartão do SUS.

Texto: Dayane Baía/Secom

Fotos: Alex Ribeiro/Ag. Pará

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