Quilombolas são vacinados contra a Covid-19 em ação articulada pela Secretaria de Saúde

Quilombolas são vacinados contra a Covid-19 em ação articulada pela Secretaria de Saúde

15 de setembro de 2021 Off Por Roberta Vilanova

O objetivo é cumprir o calendário após a primeira dose ministrada em 23 de junho

Mais de 200 quilombolas, moradores de municípios da Região Metropolitana de Belém, foram vacinados com a segunda dose da vacina Pfizer, contra a Covid-19, em ação realizada nesta terça-feira (14), no Memorial dos Povos, sede da Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel).

O objetivo foi cumprir o calendário após a primeira dose ministrada em 23 de junho deste ano, assegurando o esquema vacinal aos que, por motivos de estudos ou trabalho, não conseguiram retornar em seus territórios e comunidades para a vacinação contra a Covid-19, segundo informou Lorena Alves, técnica da Coordenação de Saúde Indígena e de Populações Tradicionais (Cesipt) da Sespa.

Atendimento pela equipe da Coordenação Estadual de Saúde Indígena e Populações Tradicionais

A vacinação dos povos quilombolas ocorreu mediante articulação da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), em parceria com a Secretaria de Saúde de Belém (Sesma), Fumbel, Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará (Malungu).

“A vacinação dos povos quilombolas é muito importante e acolher os que estudam longe de seus territórios faz parte de uma escuta atenta da Sespa às demandas dos movimentos sociais”, observa Patrícia Gomes, técnica da Cesipt da Sespa, que atuou como registradora na ação, junto com as profissionais de Enfermagem da Sesma, que aplicaram as doses.

Ingrid Larissa, da comunidade Itacuruçá

Uma das vacinadas foi Ingrid Larissa, da comunidade Itacuruçá. “A vacinação é um marco histórico para o nosso povo. Ela é, para nós, um salva-vidas, que precisamos levar a todos os quilombos. Me senti aliviada por ser atendida por toda a estrutura oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Estou agradecida”, afirmou.

Para a estudante Ana Paiva, o momento é importante. Ela acredita que, vacinando as pessoas, é possível ter um controle da doença, dando mais segurança aos mais velhos e mais novos. “A doença é perigosa pra todo mundo”, alerta. Ela registrou o momento e explicou que a vacina é muito importante para a população quilombola do Pará. “Que bom que meu esquema ficou completo agora”, declarou.

Na campanha de vacinação contra a Covid-19 os quilombolas são considerados grupos prioritários, conforme consta no Plano Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde, e no Plano Estadual de Imunização.

De acordo com o Vacinômetro da Sespa, em dados atualizados até às 12 horas desta terça-feira (14), dos 162. 541 mil quilombolas que podem ser vacinados contra a Covid-19 no Pará, 60.135 mil já receberam a primeira dose. Desses, 29.128 já estão imunizados com a segunda aplicação.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2020, até junho de 2021, o Pará possuía 516 localidades quilombolas, que são grupos com identidade cultural própria e se formaram por meio de um processo histórico que começou nos tempos da escravidão no Brasil. Assim, ele ocupa o quarto lugar dentre os estados brasileiros. O Estado fica atrás somente da Bahia, com 1.046 localidades; de Minas Gerais, 1.021, e do estado do Maranhão, com 866.

Texto: Mozart Lira/Sespa
Fotos: Diovulgação