Secretário de Saúde recebe demandas da população indígena

Secretário de Saúde, Alberto Beltrame, recebe representantes da população indígena

O secretário de Estado de Saúde, Alberto Beltrame, reuniu-se, na tarde desta segunda-feira (27), no Gabinete da Sespa, com a presidente da Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa), Tuxati Parkatejê, com o apoiador distrital de Saúde Indígena, Ubirajara Sompré, e com o coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena Guamá-Tocantins (DSEI-Guatoc), Stanney Nunes,  para receber as principais demandas da população indígena relacionadas ao acesso aos serviços de média e alta complexidade.

No documento entregue ao secretário de Saúde, os representantes apontam diversos itens de necessidades, ou seja, dificuldade de consultas e exames especializados como psiquiatria, neurologia, angiologia, neuropediatria e oftalmologia; acesso aos serviços de Saúde Mental por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), acesso aos serviços dos Centros de Especialidades Odontológicas (Ceos), acesso a medicamentos essenciais, que não são contemplados na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename), e preenchimento adequado do Cartão Nacional do SUS, para no item raça/cor o usuário seja identificado corretamente como indígena. A comunidade indígena reivindicou, ainda, uma vaga no Conselho Estadual de Saúde.

Stanney Nunes e o secretário de Saúde, Alberto Beltrame

Segundo Stanney, os DSEIs possuem uma rede hierarquizada de serviços de Atenção Básica dentro das terras indígenas, devendo o acesso à assistência de maior complexidade ser ofertado, de forma articulada e pactuada, pelas gestões estaduais e municipais.

De acordo com o apoiador técnico em saúde, Pedro MacDowell, eles precisam da ajuda da Sespa para organizar melhor o acesso às consultas especializadas, exames e internações.

Beltrame disse que a Saúde Indígena avançou na Atenção Básica, mas não na média e alta complexidade, pois nessas áreas os indígenas enfrentam as mesmas dificuldades que a população geral, que é a demanda maior que a oferta. Por isso, segundo o titular da Sespa, “esta gestão está trabalhando para melhorar a oferta dos serviços nos Hospitais Regionais, disponibilizando as especialidades mais necessárias em cada região, evitando que os usuários continuem a se deslocar até Belém, para consultas especializadas”.

Para ele, os Hospitais Regionais são importantes, mas houve falha no planejamento da oferta dos serviços, como exemplo, ele citou o Hospital Regional do Sudeste, em Marabá, que deveria oferecer Oncologia assim como o Hospital Regional do Baixo Amazonas, em Santarém.

Em relação à dificuldade de acesso às consultas especializadas, Beltrame sugeriu a utilização da Telemedicina, permitindo que as consultas sejam feitas por um médico com a orientação de um especialista à distância, incluindo a solicitação de exames de urgência se for necessário.

Sâmia Borges, diretora de Políticas de Atenção Integral à Saúde da Sespa

Essa possibilidade, inclusive, foi verificada, na mesma hora, pela diretora de Políticas de Atenção Integral à Saúde da Sespa, Sâmia Borges, que entrou em contato com a Universidade do Estado do Pará (Uepa), instituição que dispõe desse serviço e que oferece diversas especialidades em Telemedicina. “Tudo vai depender de equipamentos de informática e conectividade no município”, observou a diretora.

No que se refere à internação geral e em Unidade de Terapia Intensiva, Beltrame disse que faltam leitos, portanto, é uma situação que atinge toda população. “Porém, também estamos trabalhando para melhorar a regulação dos pacientes, pois há várias centrais de regulação. Uma das propostas é unificar a central do município de Belém com a da Sespa”, informou o secretário. “Mas podemos tentar melhorar a comunicação entre a comunidade indígena e a regulação local”, acrescentou Beltrame.

No final da reunião, Stanney agradeceu a atenção recebida do secretário de Saúde. “Acreditamos neste novo momento, pois tivemos muita dificuldade de diálogo nas gestões passadas e, por isso, não avançou muito”, disse o coordenador do DSEI-Guatoc.

Secretário de Saúde, Alberto Beltrame, com representantes da população indígena na Sespa

Beltrame disse que algumas soluções já foram sistematizadas durante a reunião, comprometeu-se a responder o documento oficialmente, adiantando, que haverá novas reuniões conduzidas pela DPAIS e participação de todas as Coordenações Estaduais e Departamentos da Sespa envolvidos nas questões apresentadas, para o encaminhamento e realização das ações de fato. “Temos boa vontade, mas não temos como solucionar tudo de uma vez, vamos avançar gradativamente”, concluiu.

Também participaram da reunião, a coordenadora estadual de Saúde Indígena e Populações Tradicionais, Tatiany Peralta; o secretário executivo do DSEI-Guatoc, Ronaldo Amanayé; técnicos do DSEI-Guatoc e a apoiadora técnica em saúde do DSEI Altamira, Cristina Dias, que também entregou documento com as demandas da sua região.

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: José Pantoja

 

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