Secretário de Saúde tranquiliza população paraense em relação ao novo coronavírus

Alberto Beltrame, secretário de Estado de Saúde, pede tranquilidade à população paraense frente à possíveis casos de Covid-19, a doença transmitida pelo novo coronavírus (SARS-CoV2) que surgiu na China e já atingiu diversos países no mundo.

Beltrame garante que o Sistema de Vigilância em Saúde do Brasil é forte e muito bem estruturado. Reúne  experiências ao longo dos anos com as epidemias e outras situaações emergenciais que o país já viveu, tais como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2002 e 2003, o H1N1 em 2009 e o Zika vírus em 2015.

Segundo o secretário, o Sistema Único de Saúde (SUS) mantém interlocução permanente entre os gestores de saúde, unindo o Ministério da Saúde as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde. Então, para ele, o que precisa ser feito neste momento, é redobrar os cuidados nos aeroportos, portos e fronteiras, ações que estão sob a responsabilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Ele afirmou que a Vigilância em Saúde está atenta, tanto no âmbito federal, por meio da Anvisa, quanto nos estados com os Centros de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde Estadual (Cievss) e toda a estrutura da Vigilância Sanitária. “É essencial examinar os pacientes que chegam com sinais e sintomas que possam estar relacionados com o coronavírus”, acrescentou.

Conduta correta – De acordo com o secretário, que também preside o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Ministério da Saúde tem agido com absoluta correção em relação às orientações que tem passado. Os estados e municípios estão absolutamente alinhados com essas orientações e com a Organização Mundial de Saúde (OMS). “Se houver qualquer alteração nesse quadro, o Ministério é que dará a diretriz”, ressaltou.

Na visão do secretário, a confirmação do caso em São Paulo não muda nada em relação ao que havia sido preparado nos Planos de Contingência Estaduais e no próprio Plano de Contingência Nacional. “O que fazer com uma pessoa que chega no aeroporto e é suspeita de coronavírus? Todas as orientações estão nos planos e é isso que faz com que possamos identificar com rapidez e agilidade os casos novos e tomar as providências sanitárias cabíveis de acordo com o Código Sanitário Internacional”, explicou Beltrame.

Ele descarta fechamento de fronteiras, restrição de circulação de pessoas ou mercadorias e, sequer, cogitar o cancelamento de qualquer evento ou de aula em escolas. “O momento é de serenidade, de acompanhamento da questão da vigilância e da entrada de eventuais casos suspeitos”, disse o gestor da Sespa.

Segundo Alberto Beltrame, a confirmação do primeiro caso importado de coronavírus no Brasil já era esperado e é diferente de transmissão em território nacional. “A transmissão local é como está acontecendo na Itália, Alemanha, e outros países e não há como prever em que situação vai acontecer isso, até por questões climáticas e uma série de outras variáveis que precisam ser levadas em conta”, explicou

Novo vírus

Em relação ao comportamento do novo coronavírus, Beltrame disse que não há muitas informações científicas que deem respaldo às autoridades sanitárias para dizerem que terá a mesma sazonalidade que o vírus da Influenza. “Mas temos alguns indícios de que em climas mais frios a propagação é mais rápida e tem causado maior número de casos e óbitos. É o que está acontecendo na China e na Europa. Aqui no Brasil, ainda estamos vivendo um momento de verão. Se ele se comportar como o Influenza é de se esperar que tenhamos casos de transmissão local um pouco mais adiante no nosso inverno no Sul e Sudeste, mas isso ainda é uma especulação”, informou. “Nós estamos lidando com um vírus novo, uma mutação, e se sabe ainda pouco sobre o seu comportamento. Sabemos que ele tem uma capacidade de transmissão maior que o H1N1, mas, em compensação, com um índice de letalidade menor, o que também é favorável nesse momento”, observou o secretário.

Isolamento domiciliar

O secretário ressaltou que 85% dos casos de coronavírus conhecidos até o momento cursaram de uma forma leve ou moderada. Portanto, são casos típicos para atenção primária em saúde e a indicação é que o tratamento seja domiciliar como um resfriado comum. É recomendado que esses pacientes fiquem de quarentena em casa, para não lotar os hospitais quando houver transmissão local ou sustentada. “Os hospitais deverão ser reservados para os 15% dos casos que cursam de forma mais grave e que demandem cuidados de Unidade de Terapia Intensiva”, afirmou.

Para Beltrame, o domicílio é o melhor local para que o paciente fique isolado e tranquilo.

“Basta seguir as orientações da Vigilância em Saúde e da Atenção Primária como está acontecendo com o paciente de São Paulo. É diferente da quarentena a que foram submetidos os repatriados. Eles vieram de um lugar onde havia circulação de vírus, e não se sabia o que poderia acontecer com eles, se algum deles teria ou não o vírus. Daí a necessidade de fazer todos aqueles procedimentos. A orientação é evitar que essas pessoas corram aos hospitais”.

Medidas preventivas

Em relação aos cuidados básicos, Beltrame disse que são semelhantes aos cuidados em relação às síndromes gripais: lavar as mãos sempre com água e sabão ou higienizar com álcool gel; evitar locais com aglomeração de pessoas porque a transmissão é por gotículas, por espirro ou tosse; manter locais ventilados e evitar contato próximo com pessoas que tenham eventualmente tosse e espirro e, sobretudo, manter a etiqueta da tosse e do espirro que é proteger a boca ou nariz com o lado interno cotovelo para evitar contaminação de outras pessoas.

“Não há necessidade de usar máscaras, pois não são recomendadas para a população em geral e sim para os casos confirmados ou suspeitos e para os profissionais de saúde”, alertou o titular da Sespa.
Beltrame chama a atenção, ainda, para a responsabilidade de cada cidadão e cidadã.

“É importante que as pessoas com síndrome gripal tenham o senso de responsabilidade cívica de procurar a unidade de saúde e que, uma vez diagnosticadas, cumpram o seu período de resguardo em casa para evitar que haja a contaminação de outras. Elas têm o dever de cidadania de se cuidarem, mas também de cuidar da sua comunidade e da sociedade como um todo”, frisou.
O secretário de Saúde ressaltou, por fim, que não há motivo para pânico ou para que as pessoas corram para as unidades de saúde, pois todas as autoridades sanitárias do país estão absolutamente alinhadas com as mesmas condutas, passando uma mensagem de segurança para a população.

“Todas, nos seus níveis de competências, estão tomando as providências adequadas para cuidar das pessoas nesse momento de emergência. É um grande desafio para os gestores, para o Sistema de Saúde, mas nós já temos uma experiência acumulada ao longo dos anos que nos permite dizer que temos sim condições de enfrentar esse problema e haveremos de fazer isso com tranquilidade e competência que tem caracterizado o SUS”.

Tomaz Brito

Tomaz Brito - Funcionário do GT Contratos e Convênios SESPA

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