Semana Nacional auxilia na prevenção da gravidez na adolescência

Vera Canto, coordenadora estadual de Saúde do Adolescente. Foto: José Pantoja (Ascom/Sespa)

Com o objetivo de disseminar informações sobre medidas preventivas e educativas que contribuam para a redução da incidência da gravidez na adolescência, o Governo Federal pela Lei nº 13.798 de 03 de janeiro de 2019, criou a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, sendo realizada em 2021, de 1 a 8 de fevereiro.

Os adolescentes, pessoas com idades entre 10 e 19 anos, representam entre 20% e 30% da população mundial. De acordo com informações do Ministério da Saúde, a taxa de gestação na adolescência no Brasil é alta, com 400 mil casos/ano.

“Até novembro de 2020, a proporção de gravidez na adolescência no Pará foi de 22,36%. Ou seja, de um total de 147.159 nascidos vivos no Pará em 2020, 32.906 foram de adolescentes na faixa de 10 a 19 anos. A gravidez de adolescente no Estado do Pará vem declinando nos últimos cinco anos”, informa Vera Canto, coordenadora Estadual de Saúde do Adolescente e Jovem, da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa).

Gravidez na adolescência é um assunto delicado e uma realidade presente, na vida de muitas meninas, pode causar um misto de sentimentos e pede apoio, empatia e respeito.

“É importante ressaltar que ao engravidar a adolescente precisa procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua residência para fazer o pré-natal. Também é importante levar consigo o parceiro. Lá os dois serão acolhidos e receberão as orientações necessárias para o acompanhamento da gravidez”

Diversos fatores concorrem para a gestação na adolescência. Segundo Vera Canto, a adolescência é marcada por diversos fatores, como a percepção de um novo espaço no mundo, uma nova realidade, o que ocasiona ao adolescente a “crise de identidade”,  existe uma confusão de papéis, que impossibilitam de organizar sua identidade.

“Além, das questões pessoais das mudanças em seu organismo, tem os fatores sociais, econômicos, familiares, culturais e de educação que precisam ser resolvidos. O fator cultural é forte, pois reconhecer o adolescente como cidadão de direitos ainda tem muitas barreiras. Situação que vai na contramão do trabalho preventivo da saúde sexual e reprodutiva. Outro fator é a carência de políticas públicas voltadas ao esporte e lazer para esta população.  A ampliação ao trabalho intersetorial é fator fundamental, para que se possa dar vazão à informação aos pais, a sociedade e trabalhar o projeto de vida com adolescentes. Assim como, facilitar o acesso aos serviços de saúde”.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a gestação nesta fase é uma condição que aumenta o número de complicações para a mãe, para o feto e para o recém-nascido, além de agravar problemas socioeconômicos já existentes.

“Os riscos à saúde da mãe e bebê são muitos, como prematuridade, eclampsia, aborto espontâneo, anemia, depressão pós-parto, entre outros. A gravidez na adolescência é um problema de saúde pública que demanda muito mais ação preventiva e o envolvimento da sociedade”, garante a coordenadora.

Para debater sobre o assunto, a Coordenação Estadual de Saúde do Adolescente e Jovem da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) vai realizar uma Live exclusiva com profissionais da Atenção Básica dos 144 municípios do Pará no dia 8/2, ás 14h, com o tema: “O Cuidado com a Gravidez na Adolescência na Atenção Básica”.

Riscos para a mãe adolescente e para o filho recém-nascido:
– RN com anomalias graves, problemas congênitos ou traumatismos durante o parto (asfixia, paralisia cerebral, outros);
– abandono do RN em instituições ou abrigos;
– ausência de amamentação por quaisquer motivos;
– mãe adolescente com transtornos mentais ou psiquiátricos antes, durante ou após a gestação e o parto;
– abandono, omissão ou recusa do pai biológico ou parceiro pela responsabilidade da paternidade;
– RN é resultado de abuso sexual incestuoso ou por desconhecido, ou relacionamento extraconjugal;
– quando a família rejeita ou expulsa a adolescente e o RN do convívio familiar;
– quando a família apresenta doenças psiquiátricas, uso de drogas, álcool ou episódios de violência intrafamiliar;
– falta de suporte familiar, pobreza ou situações de risco (migração, situação de rua, refugiados);
– quando a mãe adolescente abandonou ou foi excluída da escola, interrompendo a sua educação e dificultando sua inserção no mercado de trabalho.
(Fonte: Ministério da Saúde)

Texto: Melina Marcelino/Sespa

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