Sespa faz alerta sobre violência na primeira infância

Caderneta da Crioança versão menina

Na Semana Nacional de Prevenção da Violência na Primeira Infância, comemorada anualmente de 12 a 18 de outubro, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) alerta pais e profissionais de saúde para que fiquem atentos às orientações contidas na Caderneta da Criança editada pelo Ministério da Saúde e distribuída aos usuários do SUS pelas unidades de saúde.

A Semana foi instituída pela Lei Nº 11.523, de 18 de setembro de 2007, com “o objetivo de conscientizar a população brasileira sobre a importância do período entre 0 (zero) e 6 (seis) anos para a formação de um cidadão mais apto à convivência social e à cultura da paz”.

Para se ter uma ideia da situação no Pará, em 2019, a Fundação ParáPaz realizou 3.502 atendimentos de crianças e adolescentes vítimas de todos os tipos de violência e, em 2020, o número de atendimentos, de janeiro a setembro, já chegou a 1.823.  Importante ressaltar que Fundação ParáPaz oferece atendimento especializado por meio de 13 polos integrados em 12 municípios paraenses.

Nesse contexto, a Coordenação Estadual de Saúde da Criança chama a atenção para os cuidados que os pais ou responsáveis devem ter com a criança nessa faixa etária, assim como alerta os profissionais de saúde para que observem as crianças que chegam para atendimento na rede de serviços do SUS.

Assim, a Caderneta da Criança, que vem em duas versões (menino e menina), é um documento importante e único no qual devem ficar registradas todas as informações sobre o atendimento à criança nos serviços de saúde, de educação e de assistência social para o acompanhamento desde o momento do seu nascimento até os nove anos de idade.

Ana Cristina Guzzo, coordenadora estadual de Saúde da Criança da Sespa

Ações da Sespa – A médica pediatra e coordenadora estadual de Saúde da Criança da Sespa, Ana Cristina Guzzo, disse que o tema da violência contra a criança é trabalhado por meio da Linha de Cuidado Enfrentamento à Violência contra Crianças e Adolescentes e suas Famílias e também com a Caderneta da Criança. “Temos trabalhado o tema no acompanhamento do desenvolvimento infantil, alertando para as questões das negligências com a criança, que também são um tipo de violência”, afirmou.

Como exemplos de negligências, ela citou dar responsabilidades que a criança até nove anos ainda não tem capacidade de ter, como andar de ônibus sozinha, cuidar de outra criança, tomar banho sozinha de praia ou rio, entre outras situações. Ela lembrou, ainda, que as pessoas de modo geral, só pensam em violência como agressão física e psicológica, mas, na verdade, é uma questão que precisa ser considerada muito antes de a criança nascer.

Segundo Ana Cristina Guzzo, a prevenção da violência doméstica deve ser feita desde o planejamento reprodutivo e pré-natal. “Ser uma criança desejada também reduz a violência, saber que ela vai nascer numa maternidade que promove o contato pele a pele precoce com a família, que usa o método canguru, (que já não é mais exclusivo para o bebê prematuro) de cuidado com as crianças, que oferece atenção humanizada ao recém-nascido na promoção do aleitamento na primeira hora de vida e tem compromisso com o desenvolvimento infantil, tudo isso previne a violência”, detalhou.

Conteúdo – Da Caderneta da Criança, Ana Cristina Guzzo começa destacando a página 64, que aborda especificamente a prevenção da violência contra a criança, alertando pais e profissionais sobre possíveis violências sofridas.

A Caderneta aponta que como o aprendizado se dá pela imitação do comportamento, as crianças que presenciam ou são vítimas de violência podem acreditar que essa é a forma natural de resolver conflitos, ou seja, as atitudes dos adultos no dia a dia servem como exemplo para elas. Portanto, os adultos não devem gritar ou bater, pois a criança aprende e repete esses comportamentos, podendo incorporá-los à sua personalidade. O texto ressalta que “sofrer maus-tratos na infância traz prejuízos maiores do que em qualquer outra fase da vida e pode comprometer o desenvolvimento físico, emocional, mental e social”.

O documento também mostra a necessidade de se ter cuidado especial com os casos de violência em crianças menores de três anos, porque nessa idade elas ainda não sabem dizer o que estão sentindo e percebendo no seu corpo. “Quanto mais cedo começar e mais tempo durar a exposição da criança a situação de violência, mais graves e permanentes serão os danos causados”.

Já entre as crianças maiores, que frequentam a escola, a Caderneta chama a atenção para as situações de violência intencional e contínua como bullying, caracterizados como empurrões, insultos e humilhações, como apelidos que ferem a dignidade, mentiras que causam situações vexatórias.

Os principais sinais e sintomas desse tipo de violência são irritabilidade frequente, receio exagerado da proximidade de pessoas, tristeza constante, isolamento, manchas no corpo, ferimentos em diferentes estágios de cicatrização, comportamento de agressividade extrema, distúrbio do sono, atraso e dificuldades no desenvolvimento da fala, distúrbio de aprendizagem e até o insucesso na escola.

Caderneta da Criança versão menino

Prevenção de acidentes – A coordenadora estadual de Saúde da Criança destaca também destaca a página 59, que traz orientações sobre a prevenção de acidentes por faixa etária, tais como sufocação, quedas, intoxicação, queimaduras, afogamento, acidentes de trânsito e choques elétricos. “Com atitudes simples os pais ou responsáveis podem impedir acidentes que podem matar ou deixar sequelas para o resto da vida”, enfatizou.

Um dos acidentes mais graves que uma criança pode sofrer é queimadura. Só no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em 2019 foram atendidas 175 crianças de zero a 14 anos vítimas de queimadura. Em 2020, de janeiro a setembro, já são 116 vítimas atendidas, demonstrando que o alerta continua necessário.

Ana Cristina Guzzo lembra, por fim, do conteúdo da página 58, que alerta sobre os cuidados que os pais ou responsáveis têm que ter com o uso de equipamentos eletrônicos como TV, celulares, tablets e computadores. Pois o uso excessivo prejudica as habilidades motoras, cognitivas, afetivas e sociais. E, além disso, conforme a Caderneta, “podem ter conteúdos violentos, eróticos ou outros impróprios para a sua idade”. É importante dar limites em relação ao tempo em que a criança pode ficar diante desses equipamentos e observar o tipo de programação e a recomendação etária dos filmes, jogos e desenhos”.

Serviço: qualquer pessoa que suspeitar que alguma criança sofre maus-tratos, violência física, psicológica, sexual ou seja obrigada a trabalhar, deve denunciar imediatamente, ao Conselho Tutelar, à Delegacia Especializada no Atendimento à Criança e ao Adolescente ou, ainda, para o serviço Ligue 100. A ligação é anônima e gratuita. As Cadernetas da Criança Menina e Menino estão disponíveis nos links abaixo:

Caderneta da Criança – menina

Caderneta da Criança – menino

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