Sespa realiza ações de monitoramento para verificar incidência da leishmaniose em Soure

Equipes de Entomologia (responsável por insetos) da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) estão monitorando áreas residenciais dos bairros São Pedro, Umirizal e Matinha, em Soure, no arquipélago do Marajó, para verificar a incidência da leishmaniose tegumentar e visceral.

Nenhum caso da doença é registrado no município desde 2020, no entanto, ela é considerada endêmica na região. Em 2017, uma ação identificou 15 cães reagentes para leishmaniose visceral canina, apenas nos bairros periurbanos de Soure.

Segundo o diretor do 7º Centro Regional de Saúde da Sespa, Valdinei Teixeira Junior, a realização de um levantamento e coleta de mosquitos (entre eles o mosquito-palha) para verificar a incidência da doença na localidade são necessários para dar suporte e subsidiar a tomada de decisões da prefeitura municipal, que atua diretamente com o agravo da doença.

“É necessário desenvolver um trabalho de vigilância, ou seja, deve ser feito continuamente, mesmo sem o registro de casos, para que o município esteja sempre preparado para intervir, caso seja verificada a incidência da doença. Se aparecer algum caso, a gente estará preparado para combater”, assegura.

Adriana Tapajós, diretora do Departamento de Endemias da Sespa, explica que as leishmanioses são doenças infecciosas e não contagiosas causadas por protozoários do gênero leishmania. É contraída pela picada da fêmea de flebótomos, conhecidos como mosquito- palha.

SINTOMAS – Os principais sintomas da leishmaniose tegumentar são feridas (úlceras) na pele que não cicatrizam. Se não houver cuidado médico, a parte afetada pode ficar com cicatrizes ou evoluir pra deformidades. No caso da leishmaniose visceral, os sintomas são caracterizados pela febre, falta de apetite, perda de peso e aumento do volume do abdômen. Se não tratada, a doença pode levar a óbito.

“Com o aparecimento dos sintomas a principal orientação é não se automedicar ou passar qualquer tipo de pasta ou medicamento caseiro no local da lesão. Procurar a unidade de saúde para ser avaliado por um profissional de saúde e realização de exame paga diagnóstico da doença”, orienta a diretora.

AÇÕES DE SAÚDE – Segundo informações da Direção do 7º Centro Regional de Saúde da Sespa, responsável pelas ações de saúde em nove cidades do Marajó, a equipe com servidores realizará a primeira etapa desse trabalho em 10 dias, até o próximo dia 6 de maio, em campo. A captura dos mosquitos realizada pelas equipes da Sespa é feita durante a noite, nas áreas consideradas periurbanas de Soure.

Em seguida, os insetos vetores são analisados nos laboratórios em Belém para identificar se há contaminação, qual o vetor predominante naquela área (afinal há várias espécies de insetos) e isso gera um relatório técnico, enviado para o Laboratório Central (Lacen) e para o município, o que irá embasar medidas de enfrentamento e combate que devem ser feitas pelos entes públicos municipais. A função da Sespa, nesse caso, é monitorar, supervisionar e oferecer apoio técnico ao município.

Texto: Giovanna Abreu/Secom

Você pode gostar...