Sespa realiza webinário para prevenção de acidentes com escalpelamento

Trabalho de proteção do motor em barco da região amazônica. Em geral, a escolha desse tipo de motor, de centro, se dá pelo baixo custo

Em alusão ao Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento, celebrado na próxima sexta-feira (28), a Secretaria de Saúde do Pará (Sespa) vem a público lembrar que o momento é de intensificação das orientações para prevenir o escalpelamento – o arrancamento brusco e acidental do couro cabeludo (escalpo), geralmente, por motores de barco.

O assunto será discutido no webinário “Múltiplos olhares sobre o acidente com escalpelamento: diálogos transversais”, nesta quinta-feira (27) e sexta-feira (28), das 16h às 18h, com transmissão pelo Facebook do Conselho Regional de Psicologia do Pará e Amapá – CRP 10.

O objetivo da Sespa e demais órgãos da área de saúde é evitar o aumento de acidentes. O Pará registrou 13 casos em 2019. Este ano, já houve cinco novos acidentes com vítimas residentes nos municípios de Muaná, Afuá, Portel, Oriximiná e Ananindeua – a maioria com grande movimentação de embarcações.

A perda do couro cabeludo em embarcações, em geral, acontece quando o eixo do motor de uma embarcação está descoberto. Sem proteção, os fios do cabelo são enrolados ao eixo, arrancando assim de forma total ou parcial o escalpe.

Cirurgias reparadoras são feitas, mas o cabelo não nasce mais. Há casos em que as vítimas também perderm inclusive orelhas, sobrancelhas e por vezes uma enorme parte da pele do rosto e pescoço, levando a deformações graves e até a morte.

A maior parte das vítimas é morador de comunidades ribeirinhas, onde o barco é o principal meio de transporte. Este ano, por conta da pandemia do novo coronavírus, a Sespa intensifica as orientações por meio das rádios comunitárias e emissoras abertas de televisão, pois a maior incidência de casos está historicamente vinculada às regiões com menos acesso à internet.

“As orientações são para hábitos que podem salvar vidas, como fazer um ‘pitozinho’ no cabelo, usando de uma linguagem que o povo compreenda de imediato”, explica Tatiany Peralta, coordenadora estadual de Saúde Índígena e Populações Tradicionais da Sespa.

A Sespa se empenha para combater o escalpelamento, por meio da Comissão Estadual de Erradicação dos Acidentes com Escalpelamento (CEEAE), que já promoveu, entre outras atividades, a ação de cobertura de carenagens, feita pelos militares da Capitania dos Portos, órgão responsável por medidas de segurança naval nos rios do Pará.

Desde 2009, lei federal tornou obrigatória a proteção do eixo do motor. De lá para cá, mais de três mil embarcações receberam a proteção, cuja instalação não tem custo para o dono do barco, por ser patrocinada por empresas privadas.

Na capital e no interior as informações preventivas são sempre reforçadas às vésperas de datas especiais, como Carnaval, férias escolares de julho, Círio de Nazaré, Natal e Ano Novo. Na oportunidade, também são divulgadas informações sobre o atendimento às vítimas, oferecido pelo Programa de Atenção Integral às Vítimas de Escalpelamento (Paives), realizado na Santa Casa, em Belém.

As capanhas preventivas também informam sobre o acesso ao Tratamento Fora de Domicílio (TFD), um benefício garantido pelos municípios aos pacientes que precisam cuidar das sequelas do acidente, fora da cidade de origem.

A redução dos casos de escalpelamento resulta de um trabalho integrado da Comissão Estadual de Erradicação dos Acidentes com Escalpelamento (CEEAE), composta pela Marinha do Brasil, Fundação Santa Casa de Misericórdia, Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), Defensoria Pública da União (DPU), Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa) e Ministério Público do Estado do Pará, entre outras entidades parceiras.

Atualmente, o governo do Estado assegura atendimento às vítimas de escalpelamento por meio do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas, cujo fluxo inclui unidades básicas de saúde, unidades de urgência e emergência, Hospitais Regionais e a Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, através do Programa de Atendimento Integral às Vítimas de Escalpelamento (Paives).

O acolhimento às pacientes e acompanhantes é de responsabilidade do Espaço Acolher, onde vítima e familiar são albergadas, enquanto aguardam cirurgias reparadoras ou procedimentos necessários para melhorar o estado clínico e psicológico.

Confira a programação do wwebinário – A programação a ser veiculada pelo Facebook oficial do Conselho Regional de Psicologia do Pará e Amapá (CRP 10), começa nesta quinta-feira (27), a partir das 16h.

Participarão a diretora de Politicas de Atenção Integral á Saúde (Dpais) da Sespa, Laena Costa, e a coordenadora estadual de Saúde Indígena e Populações Tradicionais, Tatiany Peralta. Elas vão abordar políticas de enfrentamento ao escalpelamento no Pará e as ações de prevenção da Comissão Estadual de Erradicação dos Acidentes de Motor com Escalpelamento.

Ainda na quinta-feira, às 17 horas, o atendimento educacional hospitalar e os saberes e vivências na Classe Hospitalar do Espaço Acolher da Santa Casa serão assuntos a serem debatidos por Gilda Saldanha, professora mestre da Secretaria de Educação do Pará (Seduc), e por uma vítima de escalpelamento assistida pelo Espaço.

Sobre o acompanhamento psicossocial dos pacientes e familiares, falarão ainda Luzia Matos, coordenadora do Espaço Acolher, e a psicóloga do serviço, Jureuda Guerra.

Na sexta-feira (28), das 17h às 18 horas, o seminário virtual abordará direitos de pessoas acidentadas, ações da Marinha do Brasil para a cobertura de eixos de motores de barco e contribuições da cirurgia plástica e da psicologia para as vítimas.

SERVIÇO: Para informar sobre eventuais vítimas de escalpelamento, ligue para a Diretoria de Políticas de Atenção Integral à Saúde (Dpais) da Sespa: (91) 3223-8170 ou para a Fundação Santa Casa: (91) 4009-2262.

Texto: Mozart Lira/Sespa

Foto: José Pantoja

 

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