Transporte e ação do Graesp viabiliza transplante de rim na região do Araguaia

Foi bem sucedido o segundo transplante renal do município de Redenção, realizado no dia 1 de fevereiro no Hospital Regional Público do Araguaia. A paciente, uma mulher de 34 anos, moradora de Xinguara, recebeu o órgão de um doador falecido em Porto Velho (RO) e passa bem. Para que o procedimento pudesse ser realizado, houve mobilização por parte, além da Central Estadual de Transplante do Pará (CET-PA), da Central Nacional de Transplantes (CNT-MS), para trazer o rim de Rondônia, e pela primeira vez, do Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp), que realizou os deslocamentos até o município onde a cirurgia ocorreu.

Segundo informações da CET, o transplante realizado anteriormente, em 2018, só foi possível porque houve apoio de empresários daquela região, que à época disponibilizaram uma aeronave particular e combustível para que o órgão chegasse até Redenção. Desde 2012 são realizados procedimentos deste tipo no hospital regional, mas só com doador vivo, já que o aeroporto municipal não tem estrutura para voos comerciais, operando somente com aeronaves de pequeno porte e durante o dia.

“No transplante com doador falecido, geralmente a doação vem da capital, e o tempo do transporte aumenta o tempo de isquemia do órgão, prejudicando a sua viabilidade. É necessária uma força-tarefa de muitos”, confirmou Ierecê Miranda, coordenadora da Central. “Com isso, o Governo do Pará renova a esperança dos pacientes do sul do Estado, pois mesmo com as condições adversas relacionadas à pandemia, foi autorizado o transporte até Redenção para que uma mãe de família pudesse deixar a diálise e ter melhor qualidade de vida, e mesmo continuar viva”, reforça.

Trata-se de uma cirurgia não programada, em que os receptores ficam em lista de espera até a disponibilidade de um órgão doado, a ser transplantado de acordo com os critérios de seleção – compatibilidade sanguínea (tipagem ABO) e genética/tecidual (tipagem HLA), além de critérios clínicos.

No caso deste paciente em específico, tão logo foi constatada a compatibilidade de doador e receptor, no dia 30 de janeiro, pela equipe de transplante do Hospital Regional Público do Araguaia, ficou confirmado também que não havia logística viável nas empresas aéreas comerciais para o trecho entre Porto Velho (RO) e Marabá, onde fica o aeroporto mais próximo de Redenção. Isso porque após a extração, o rim só aguentaria por mais 36 horas. A CET e a CNT operacionalizaram o transporte então de Rondônia para Belém, e entrou em cena o Graesp, que de imediato confirmou a possibilidade de fazer o traslado até o destino final.

Para o titular da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Rômulo Rodovalho, “o sucesso do transplante é resultado do trabalho integrado de várias equipes, entre elas a Sespa. Por isso, para nós é muito gratificante saber que todo o procedimento correu bem e que a partir de agora a paciente poderá ter uma vida mais saudável. Vê-la bem é o reconhecimento deste trabalho”, reconhece.

O transporte durou menos de duas horas e foi acompanhado por militares do que desenvolvem atividades no Graesp e por uma enfermeira do Sistema de Transplante do Estado. Para o diretor do Grupamento, Coronel Armando Gonçalves, atuar em um momento tão importante na vida de alguém é gratificante para toda a corporação.

“A atuação do Graesp é dinâmica, e o trabalho feito hoje é mais uma prova disso. O Grupamento age em operações policiais, auxilia no combate ao fogo em tempos de queimada, por exemplo. Nós temos o propósito de prestar um bom serviço à população do Pará e transportar um órgão para salvar uma vida é uma satisfação profissional muito grande. É uma das missões mais motivadoras que nós cumprimos, independente da hora, toda a tripulação está pronta para apoiar, sempre que for necessário”, destaca.

Texto: Carol Menezes/Secom

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