Após 12 dias na UTI, paciente de 28 anos é extubado e recebe alta no Hospital de Campanha do Hangar

“Gratidão por voltar à vida e ter uma segunda chance de recomeçar”, é assim que o estudante Carlos Adriano Farias, 28 anos, morador de Parauapebas, sudeste do Pará, descreve a sensação de voltar para casa, após a internação no Hospital de Campanha do Hangar, em Belém, e passar por todos os processos necessários para a cura da Covid-19.

“Me sinto grato e muito feliz. Poderia falar muitas coisas, mas ainda assim seria pouco. Sem dúvidas, é uma segunda chance para fazer diferente, para recomeçar”, relata.

O paciente chegou à unidade, em estado grave e entubado, sendo encaminhado diretamente para a Unidade de Terapia Intensiva, onde ficou por 12 dias, até receber alta na tarde desta terça-feira, (1/6).

Na UTI, Carlos Adriano voltou a acreditar que era possível se recuperar e ter alta, mas nem sempre foi assim. Deprimido e sem crença de melhora, em alguns momentos, Carlos chegou a pensar que não conseguiria. Neste percurso, a fé foi uma grande aliada. “Agora, acredito em Deus porque eu sou e vivi um milagre. Eu era desacreditado e tive que passar por isso, agora eu consigo entender”, conta.

O estudante faz parte de um novo perfil de pacientes acometidos pela doença. No início da pandemia, a internação de um jovem, em estado grave, era pouco provável. Agora, mais de um ano após o surgimento dos primeiros casos, os jovens são os que aparecem mais doentes.

Nelma de Jesus, coordenadora da UTI, da unidade hospitalar do Hangar, que estava à frente do tratamento do estudante, conta que com mais esta alta, se sente realizada e feliz. “É muito gratificante. Digo que podemos nos aposentar com a sensação de ter feito a diferença. Mesmo em uma pandemia, onde as condições não são as ideais, com tantas pessoas doentes, mortes e incertezas, não tem como não se envolver e, em algum momento, sentir aflição. Cada alta é um gás e a certeza de que estamos no caminho certo”, comenta.

Comemoração – Para os familiares, que aguardavam ansiosos pela volta de Carlos Adriano para casa, com cartazes, balões e camisetas com frases de gratidão, o sentimento é de alívio. Conceição do Carmo, 68 anos, avó do jovem, tenta retribuir à equipe o afeto e cuidado ofertados ao neto. “Com a internação dele, eu fiquei muito abalada, mas tinha grande certeza de que, pela fé da minha família, nós comemoraríamos esse momento de vitória”, afirma.

A idosa conta que, antes da internação do neto, não imaginava que os pacientes recebiam esse cuidado dentro no Hospital de Campanha. “Eu tinha uma imagem muito distorcida do que é isso aqui. O meu neto está saindo daqui com vida e bem. Se não fosse pelo Hangar, com certeza, isso não aconteceria. O cuidado, o respeito com a família. Isso é real e eu mudei minha percepção. Muito obrigada!”.

Outro que comemorou o retorno, foi o pai do paciente, Márcio José, de 49 anos. “Atendimento humano, que não deixou a gente perder a esperança”, é assim que ele exemplifica o processo desde o primeiro dia de internação do filho. “A primeira coisa que recebi aqui, foi um tratamento muito humano, no sentido de alimentarem as esperanças que, naquele momento, nós não tínhamos. Os boletins, os atendimentos, tudo excelente. A recuperação do meu filho foi rápida. Isso me faz renovar a crença e gratidão, primeiro a Deus e depois nessa equipe. Eles foram mais humanos do que eu poderia imaginar”, diz.

Humanização – Com escudos de super-heróis, placas motivacionais e música, a partir do projeto “Herói de Alguém”, a saída do paciente, foi comemorada por toda a equipe que celebra as altas no hospital.

“Nosso objetivo é tornar as altas mais leves e mais felizes. Esse é o momento em que o paciente retorna para seu lar, reencontra seus familiares e é, também, o instante que ficará marcado na memória. Assim, não temos como não celebrar. Cada vitória, é felicidade para todos do Hangar”, ressalta Elizabeth Cabeça, responsável pelo setor de humanização da unidade.

Texto: Alberto Dergan/HCH

Fotos: Ascom/HCH

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