Em três dias, Policlínica já atendeu 1,8 mil pessoas com sintomas de gripe

No terceiro dia de funcionamento exclusivo para casos de Covid-19, a Policlínica Metropolitana, em Belém, atendeu, na quinta-feira (23), 580 pacientes e realizou 93 exames de sangue, 125 de imagem (raio X e tomografia) e nove transferências para hospitais. Desde a última terça-feira (21), quando começou a receber exclusivamente pacientes com problemas respiratórios agudos, já foram atendidas cerca de 1.800 pessoas. O serviço de saúde oferecido a possíveis contaminados pelo novo coronavírus foi determinado pelo governador Helder Barbalho, em função das dificuldades encontradas pela população na rede municipal de saúde da capital.

A dona de casa Rita Romeiro, 42 anos, procurou a Policlínica apresentando falta de ar e outros sintomas que começaram há cerca de uma semana. “Dor no corpo, dor de cabeça. A falta de ar começou a preocupar. O atendimento foi bom, só a tomografia que demorou um pouco mais. Deu pneumonia, mas dá para tratar em casa, não vou precisar ficar internada. O médico foi bem atencioso, explicou a medicação certinha. Graças a Deus estou indo para casa”, contou.

Os pacientes atendidos apresentam quadro de gripe. Das 400 tomografias computadorizadas realizadas, cerca de 80% são sugestivas para Covid-19. “Como não temos sorologia (teste) aqui, fazemos o exame de imagem mais indicado e entregamos o laudo. Quando o caso é positivo na tomografia, mas com sintomas leves, não há necessidade de internação. É prescrita a receita, o atestado de isolamento familiar e todas as orientações médicas. Quando já está se agravando, com falta de ar progressiva, colocamos em suporte de oxigênio aqui e, quando há necessidade, fazemos a transferência para o Hospital de Campanha, no Hangar, ou outro de referência”, informou Sipriano Ferraz, médico coordenador de Contingência da Policlínica Metropolitana.

Segundo o coordenador, o objetivo do atendimento exclusivo para casos de Covid-19 é desafogar as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e os prontos-socorros dos casos de baixa complexidade.

“São os pacientes que têm sintomas leves, tossindo há alguns dias, com discreta falta de ar, tendo estados febris ou subfebris. Temos 20 médicos à disposição fazendo o atendimento, auscultando. Quando é necessário, fazemos a tomografia de tórax e liberamos o laudo imediatamente, assim como os exames de rotina de sangue. Graças a Deus nós temos conseguido atender em torno de 600 pacientes por dia, fazendo a nossa parte” – Sipriano Ferraz, médico coordenador de Contingência da Policlínica Metropolitana.

Triagem – Após as primeiras 48 horas de atendimento da demanda reprimida pelas UPAs, o movimento na quinta-feira foi mais tranquilo. Em paralelo, foi implantando um sistema de triagem com fluxo linear, que agiliza o atendimento e permite que o paciente fique o mínimo de tempo possível dentro da Policlínica. Radiologistas também estão de plantão durante todo o período de funcionamento para a liberação imediata dos laudos de tomografia.

“Devido a um pedido do governador, em menos de 24 horas, transformamos essa unidade puramente ambulatorial para agora receber pacientes. Mobilizamos toda a equipe e montamos o sistema para atender os pacientes. Lembrando que casos graves, com um grau de insuficiência respiratória ou com uma falta de ar, uma dispneia muito intensa, nós não temos condições de atender, e devem ser encaminhados para Unidades de Pronto Atendimento e prontos-socorros. Para que tenhamos assertividade nesses encaminhamentos, estamos com o médico na porta da unidade orientando as famílias, discutindo os casos, ouvindo a população”, acrescentou o coordenador.

Esforço profissional – Ainda segundo Sipriano Ferraz, o atendimento mostra a união de forças e superação dos profissionais envolvidos. “Nós temos funcionários que não conseguem dormir, que estão virando os turnos. Nós, realmente, fizemos uma contingência que só está dando certo por conta da disponibilidade e da vontade de ajudar de todos. Os colaboradores estão se esforçando muito”, afirmou.

Médicos indicados pela Universidade do Estado do Pará (Uepa) também estão auxiliando no trabalho. A Policlínica Metropolitana conta com profissionais em diversas especialidades, como neurologia, cardiologia, infectologia e pneumologia. “Nossos médicos especialistas, que atendem ambulatorialmente na Policlínica, se solidarizaram e estão compondo nosso quadro, assim como os clínicos gerais, incluindo os da Uepa”, informou o coordenador.

A Policlínica Metropolitana recebe pessoas com sintomas de Covid-19 das 7h às 19h, em todos os dias da semana, inclusive final de semana. Entretanto, o atendimento é garantido a todos os pacientes que estiverem dentro da unidade, sendo realizado até por volta das 22h.

Texto: Dayane Abreu

Foto: Marcelo Seabra

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