Em um mês de atendimento à Covid-19, Abelardo Santos atinge a marca de 220 recuperados

“É um motivo de muita emoção saber que estou saindo com vida e voltando recuperado e ao lado da minha família”, agradeceu Esdras Nascimento Biagi, de 44 anos, após ter recebido alta médica do Hospital Regional Dr. Abelardo Santos, no distrito de Icoaraci, em Belém. O arquiteto faz parte dos 220 pacientes que tiveram alta hospitalar, neste ano, durante um mês de atendimento do HRAS aos pacientes com a Covid-19, completado nesta segunda-feira (12).

O Hospital, referência no tratamento do novo coronavírus, teve seu perfil alterado para atendimento exclusivo à Covid-19, no dia 11 de março. Com um mês da prestação do serviço, o HRAS atingiu a marca de 568 atendimentos de pacientes vindos do sistema de regulação. Atualmente, a Unidade opera com 65% da sua capacidade no acolhimento à doença, com 95 leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) e 145 clínicos, totalizando 220.

Esdras Nascimento Biagi, de 44 anos, após ter recebido alta médica do Hospital Regional Dr. Abelardo Santos

Superação – No momento da alta médica, um pequeno grupo de familiares e amigos foram à porta do HRAS homenagear Esdras. “Agradeço a todos vocês do Abelardo Santos, pois eu sinto as mãos de Deus aqui neste processo. O Esdras é um milagre. Ele entrou com mais de 85% do pulmão comprometido. Estamos muito felizes e agradecidos a vocês do Hospital por permanecer cuidando da vida de muitas pessoas e salvando vidas”, afirmou Rubens Magno, amigo do paciente.

Esdras passou 30 dias hospitalizado no Abelardo Santos. Durante este período, ele ficou 15 dias na UTI. Para os profissionais de saúde que o acompanharam, o seu caso é considerado uma superação. “Foi um guerreiro, lutou pela vida bravamente. O seu Edras é hipertenso, diabético, e mesmo com quase 90% do pulmão atingido pelo vírus não precisou ser intubado. Ele volta para casa bem, recuperado”, explicou a enfermeira Anny Segovia.

Quem também conta uma história de superação no HRAS é a dona de casa Marli Gonçalves Araújo, de 32 anos. Grávida de sete meses de gestação, ela venceu a Covid-19, após ser internada em um leito clínico do Hospital Abelardo Santos, por 10 dias. “É uma emoção sem igual, num momento em que esta doença está levando tantas pessoas. Agradeço a toda a equipe de profissionais da saúde que me atenderam tão bem neste”, declarou.

O aposentado José Ribamar, de 68 anos, na despediu do hospital

Emocionado, o aposentado José Ribamar, de 68 anos, se despediu do hospital. “Eu cheguei aqui e desde o princípio fui recebido com muita atenção. Vi anjos e esses anjos são os profissionais de saúde do Abelardo”, agradeceu. O paciente passou oito dias internado em um leito clínico, com várias comorbidades. “Sou hipertenso, tenho problema no coração, estava muito debilitado. Agora, eu digo: renasci”, acrescentou o morador do bairro do Tapanã, em Belém.

Para o médico intensivista, Phelippe Aragão, quando um paciente volta bem para casa é motivo de satisfação para toda a equipe do Hospital. “Toda alta de um paciente é uma reafirmação e, por isso, ficamos satisfeitos, pois vemos tantas vidas sendo perdidas, situações que deixam o psicológico abalado. Mas, a alta é um momento de muita felicidade não apenas para o médico, mas sim, para toda a equipe”, disse.

Diferente do ano passado, o Abelardo Santos não é ‘porta-aberta’ à Covid-19. Dentro do plano estratégico de enfrentamento ao novo coronavírus, a Sespa destacou o hospital, na segunda onda da pandemia no Estado, para pacientes regulados de outras unidades de saúde.

“Alguns hospitais tiveram de voltar ao atendimento de casos de Covid e os resultados positivos que estamos tendo são os números de altas, que demonstram o quanto o Governo do Pará agiu rapidamente, garantindo atendimento à população. Mas ainda assim precisamos manter o alerta para que todos se cuidem e evitem a exposição excessiva, pois ainda estamos passando por uma pandemia”, destacou Rômulo Rodovalho, secretário de Estado de Saúde Pública.

“Já atingimos marcas significativas. Fizemos uma mudança de perfil rápida e eficiente, a qual nos possibilitou ter 220 leitos exclusivos à Covid-19. Isso sem falar nas altas e nas ações humanizadas, valorizando os profissionais de saúde e os pacientes”, resumiu o diretor-geral do Hospital Abelardo Santos, Marcos Silveira.

Alta Humanizada – Desde que o HRAS passou a atender pacientes com Covid-19, cada pessoa que sai da unidade recuperada da doença é motivo de comemoração. No momento da volta para casa, a equipe multiprofissional ornamenta os corredores da instituição com balões, cartazes, colocam a música preferida do paciente e vibram com a recuperação.

Em algumas altas, a unidade recebe, inclusive, a visita de religiosos, que levam a mensagem de fé e esperança aos profissionais e pacientes. “A música tem uma ação muito importante. Ela fortalece a espiritualidade através dos louvores, e isso, além da cura do corpo, promove a cura espiritual”, enfatizou o saxofonista Nilberson Vieira. “Trabalho desta forma em todo o estado do Pará, sobretudo em unidades de saúde, indo às comunidades, hospitais e abrigos”, ressaltou Vieira, que também é missionário.

Marcia Rodrigues, diretora assistencial do Abelardo Santos

Segundo a diretora assistencial do Abelardo, Márcia Rodrigues, o objetivo da ação é mostrar ao paciente e seus familiares a importância que cada um deles têm para os colaboradores do HRAS.

“Estamos presenciando no Brasil um número elevado de mortes de pessoas vítimas de Covid-19. Então cada pessoa que sai recuperada, volta para o seu bem mais precioso que é a família, deve ser comemorado, sim. Essas altas com festejos são simplesmente a celebração da vida em um momento tão assustador que estamos vivendo. Nós, como profissionais da saúde, também temos nossas fragilidades e diante de cada alta, comemoramos”, explicou.

 

Texto: Roberta Paraense/HRAS

Fotos: Bruno Cecim/Ag. Pará

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