Festival TEAlentos se encerra em clima de emoção e afetos no Teatro Estação Gasômetro

Coordenadora estadual de Políticas para o Autismo, Nayara Barbalho avalia que o festival foi uma vitrine ao talento de pessoas com TEA

O palco do Teatro Estação Gasômetro, em Belém, ficou pequeno para a emoção neste domingo (18), segundo e último dia do Festival TEAlentos, que reúne habilidades como música, artes visuais, dança, teatro e poesia para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O evento, promovido pelo Governo do Pará, começou neste sábado (17) e encerrou a primeira edição emocionando a plateia e internautas que assistiram as apresentações por meio do canal do Governo do Estado no YouTube.

Na parte das apresentações musicais, a estudante Ana Carolina Lima Reis, de 12 anos, entrou no palco ao lado da professora Regiane Freire para cantar que o mundo precisa de calma, ainda mais em tempos de pandemia. Do lado de fora, a mãe dela, Karen Lima Reis, de 45 anos, estava visivelmente comovida.

Ana Carolina Lima Reis, de 12 anos, se apresentou acompanhada ao violão pela professora Regiane Freire e encantou o público

“Estamos muito felizes com essa iniciativa do Governo do Estado, já parabenizamos a equipe por todo o trabalho feito desde o começo, foi muito importante a acolhida deles com as famílias, tudo nos mínimos detalhes. Isso é muito importante para as famílias, amigos. A minha filha estava super focada na apresentação, a professora foi em casa e tivemos até que comprar um microfone para ela, então você estimular esses talentos ajuda muito no processo de autoconhecimento deles, de se sentirem capazes de desempenhar algo que eles gostam”, disse ela, ressaltando que o talento de Ana Carolina para música vem desde criança.

O Festival também premiou talentos nas categorias de artes visuais, e foi transmitido pelo canal do YouTube do Governo do Estado

Na categoria artes visuais, outro artista descoberto pelo TEAlentos foi o desenhista indígena Carlos Augusto da Silva, de 12 anos, que mostrou habilidades nos traços com temas amazônicos. “Como minha mãe é indígena ela me mostrou os povos dela, o nosso folclore, e comecei a desenhar para o livro da minha mãe. A capa eu fiz aos 7 anos, mas os desenhos mesmo do livro eu fiz entre 11 e 12 anos, então eu estou muito agradecido pelo convite de estar aqui”, contou o estudante, que nasceu no Amazonas.

Para a mãe de Carlos Augusto, a indígena Márcia Cambeba, de 42 anos, o festival oportunizou que as pessoas com espectro autista pudessem se comunicar de várias formas, inclusive pelos desenhos. “É uma iniciativa fundamental, muita gente pensa que uma criança autista ou pessoa autista não tem outras artes ou linguagens para se comunicar. Por exemplo, o Carlos tem uma dificuldade para ler e escrever. Ele está com 12 anos, não lê e nem escreve, mas consegue se comunicar por meio dos desenhos. Ele é audodidata no desenho e conseguiu desenvolver isso entre 6 e 7 anos”, ressaltou Márcia Cambeba.

Na avaliação da coordenadora estadual de Políticas para o Autismo (Cepa), Nayara Barbalho, o festival foi um sucesso na medida em que possibilitou um novo espaço artístico e cultural para que pessoas com TEA pudessem mostrar seus talentos. Com o sentimento de dever cumprido, a coordenadora ressaltou que o TEAlentos deve ter uma segunda edição em breve.

“Nós consideramos o festival um sucesso, o Governo do Estado teve que abrir mais um canal de transmissão, tivemos uma participação maciça de muitos municípios e a palavra que chega para nós é emoção. Nós já fomos intimados para que tenha outro festival e esse é um projeto piloto para que certamente tenhamos outras edições”, adiantou Nayara.

No TEAlentos, a maioria das apresentações ocorreu de forma virtual para possibilitar a participação de pessoas do interior do Pará.

“Abril é o mês de conscientização do espectro autista, e essa frente aqui é o das habilidades artísticas que muitos deles possuem, então, nós precisamos tirar o focos das dificuldades que eles têm e mirar nas habilidades e foi isso que mostramos aqui, em dois dias, para o mundo inteiro”, finalizou a coordenadora.

Festival  – O Festival Paraense de TEAlentos, primeiro festival de talentos artísticos de pessoas com Transtorno do Espectro Autista do Pará, foi realizado neste sábado (17) e domingo (18), com transmissão pelo canal do YouTube do Governo do Estado. O evento foi todo pensado dentro das políticas para as pessoas com o Transtorno do Espectro Autista, buscando estimular o empoderamento e o protagonismo dos autistas na sociedade.

Em dois dias, o TEAlentos reuniu 31 apresentações, realizadas de forma presencial e virtual, apresentando diversas habilidades artísticas como música, dança, teatro, poesia e artes visuais. Todos os participantes forma selecionados por uma comissão.

Ursula Vidal, titular da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), destacou o trabalho da Coordenação estadual de Políticas para o Autismo (Cepa) no processo de reunir parceiros e sensibilizar a sociedade civil com informações corretas, que precisam ser partilhadas em relação ao Transtorno do Espectro Autista.

“Estamos aqui celebrando os talentos, as capacidades. Começamos essa parceria em 2019, na Feira do Livro (Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes), e só vem crescendo. Esperamos que esse Festival TEAlentos faça parte de um calendário anual, de uma agenda de inclusão, sensibilização e partilha na construção de uma sociedade mais justa e solidária”, frisou a secretária.

Valorização – Além de adaptar o evento para melhor conforto e segurança dos participantes, em função principalmente da pandemia de Covid-19, dar um caráter híbrido ampliou o acesso do público a esses produtos culturais.

A secretária de Estado de Comunicação, Vera Oliveira, acreditou, desde o início, que o evento teria ótima adesão e, mesmo na pandemia, seria possível levar entretenimento e valorização a este público de forma virtual. “É uma honra contribuir com o ‘TEAlentos’. Essa é uma excelente oportunidade para mostrar que as pessoas com TEA podem se comunicar muito bem se incentivadas, seja pela música, pela poesia, pelo desenho. O objetivo do governo do Estado é valorizar isso e proporcionar a inclusão, fazer com que sejam superadas as limitações, e que todas essas habilidades demonstradas se sobreponham às dificuldades”, reiterou a secretária, Vera Oliveira.

O Festival Tealentos foi conduzido pela Coordenação Estadual das Políticas para o Autismo (Cepa), e a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura (Secult), por meio da Fundação Carlos Gomes (FCG), e Secretaria de Estado de Comunicação (Secom).

Texto: Bruno Magno/CPH

Fotos: Alex Ribeiro/Ag. Pará

 

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