Hospital de Campanha de Belém tem 50 leitos exclusivos para indígenas

Ala destinada pelo governo do Estado às populações indígenas no Hospital de Campanha de Belém

O Hospital de Campanha de Belém, que funciona no Hangar – Centro de Convenções da Amazônia, também conta com 50 leitos exclusivos para indígenas acometidos pela Covid-19, semelhantes aos já instalados nos hospitais de campanha de Santarém, no oeste, e Marabá, no sudeste, que dispõem de dez leitos cada um. A iniciativa do Governo do Pará foi destacada pelo secretário especial de Saúde Indígena, Robson Santos da Silva, durante visita neste sábado (13), ao Hospital de Campanha de Belém.

A visita foi acompanhada pela diretora de Políticas de Atenção Integral à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde Pública, Sâmia Borges; pela coordenadora estadual de Saúde Indígena e Populações Tradicionais, Tatiany Peralta, e pelo coordenador estadual de Saúde do Homem, Diego Cutrin. O grupo já havia visitado os hospitais de campanha de Marabá e Santarém, na quinta e sexta-feira respectivamente. Também estiveram presentes os coordenadores de Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) e lideranças indígenas.

Com a criação das alas exclusivas para um dos segmentos sociais mais vulneráveis ao novo coronavírus, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), cumpre o compromisso assumido com a Secretaria Especial de Saúde Indígenas (Sesai), os DSEIs e lideranças indígenas, durante uma reunião por videoconferência realizada no último dia 29 de maio.

A visita do secretário especial de Saúde Indígena, Robson Santos da Silva, foi acompanhada por gestores públicos e lideranças indígenas

Serviço de qualidade – Para Robson da Silva, esse trabalho mostra o cuidado que o governo do Estado está tendo com sua população de forma geral, em especial com a população indígena. “São ações que vão mudar praticamente a Política de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas no Brasil todo. É uma iniciativa pioneira. E aqui eu só tenho a parabenizar pela qualidade do serviço, pela apresentação, pelo cuidado com os pacientes, pela humanização dos espaços”, avaliou o secretário especial.

Sobre a importância de haver espaços específicos para atendimento de indígenas durante a pandemia, Robson da Silva disse que a população indígena tem perfis epidemiológicos distintos, além das questões culturais, como alimentação e espiritualidade. “Então, esse espaço permite que o paciente tenha uma recuperação melhor, não só pelo alto nível do atendimento, mas também por todos esses aspectos que compõem a parte social e espiritual das pessoas”, ressaltou o secretário.

Robson da Silva explicou, ainda, que a principal missão da Sesai é atuar pelos indígenas aldeados. No entanto, essa iniciativa serve tanto para acolher os indígenas que moram nos grandes centros urbanos ou em cidades com menor porte, quanto os aldeados. “Pois o indígena tem a sua origem, nasce e morre indígena, e a gente respeita isso”, afirmou.

A atenção especial aos indígenas se justifica por serem bastante vulneráveis à Covid-19 e a outras doenças. Até o último dia 9 de junho haviam sido registrados 352 casos confirmados de Covid-19 entre a população indígena, em diversas aldeias, com 24 óbitos.

Robson da Silva destacou o cuidado que o governo do Estado tem com a população que precisa de tratamento contra a Covid-19

Estratégia de governo – Para Sâmia Borges, leitos exclusivos para indígenas nos hospitais de campanha demonstram uma visão ampliada do governador Helder Baralho em relação ao povo indígena. “Ouvi-los, respeitar seus costumes, dialogar, e decidir em conjunto o que é melhor dentro das possibilidades do governo do Estado, é isso que estamos fazendo”, disse a diretora da Sespa.

“O governo do Estado tem a responsabilidade da retaguarda de média e alta complexidade, assegurando o acesso dos indígenas aos serviços, mas isso não inviabiliza que a gente também faça a atenção primária juntamente com os DSEIs”, acrescentou Sâmia Borges.

Sobre outras ações voltadas à população indígena, a gestora informou que havia um Plano de Trabalho para 2020 que foi reformulado em função da pandemia, o qual incluía um encontro para definir a Política Indígena, que foi adiado para 2021. Agora há um Grupo de Trabalho que se reúne mensalmente, por vídeo, tanto para tratar de ações para aldeados quanto para não aldeados.

Além dos leitos exclusivos para indígenas nos hospitais de campanha (50 em Belém, 10 em Marabá e 10 em Santarém), e viabilizar o acesso à atenção de média e alta complexidade, a Sespa tem apoiado os DSEIs com repasse de medicamentos, testes rápidos, máscaras de proteção e álcool 70%.

Texto: Roberta Vilanova

Fotos: Alex Ribeiro/Ag.Pará

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