Humanização é marca do atendimento nas unidades de saúde do Estado

O Dia Nacional da Saúde é celebrado em 5 de agosto. Mais do que ausência de doença, a saúde é o estado de equilíbrio entre o organismo e o ambiente, que possibilita o bem-estar físico, mental e social. No ano da pandemia do novo coronavírus, é bem precioso, cuja busca é um desafio para cidadãos, profissionais e para a gestão pública.

Em maio, no ápice da crise sanitária do Pará, a assistente social Sonia Moraes, 47 anos, teve tosse, espirros e dificuldade para respirar. Ela foi uma das usuárias do Hospital Regional Dr. Abelardo Santos e, posteriormente, do posto da Policlínica Itinerante, em Ananindeua. “Foi assim que consegui a medicação, porque, por mais que se tivesse dinheiro, não havia remédio nas farmácias. As ações de combate à Covid-19 do governo do Estado precisam continuar”, diz.

Mesmo com os sintomas, os testes de Sonia deram não reagentes. Segundo a orientação médica, ela não desenvolveu anticorpos e, por isso, continua exposta à doença. “A saúde é nesse momento o nosso maior bem. Quem não tem saúde não tem nada. Você tem saúde, você tem tudo. Me assusta saber que ainda posso ter a doença. É um medo que ronda. Por orientação médica faço vitamina C com zinco todos os dias, tomo bastante líquido, hidrato bastante, além dos cuidados com álcool em gel, lavagem de mãos e máscara de proteção”.

Relembrando o sofrimento de meses atrás, Sônia destaca o atendimento recebido. “Na Policlínica foi excelente, me atenderam muito bem. Às vezes somos bem atendidos porque alguém nos conhece, e lá não foi assim. A equipe foi muito atenciosa, os médicos cubanos, a coordenação, toda a equipe de Ananindeua”, elogiou.

Acolhimento – A opinião é compartilhada pela atendente Marly Pinheiro, 54 anos, que, junto com o marido e a filha, viveu momentos de tensão na mesma época. “Ele foi mais grave. A carga viral atingiu bastante o pulmão. Chegamos ao Abelardo Santos no dia 7 de maio, naquele momento muito difícil, o contágio em alta. Não tinha leito e o caso dele era de internação”, lembra Marly.

Ela e a filha também apresentaram os sintomas. “Eu não fui internada, mas fui medicada no posto da Sespa (Secretaria de Estado de Saúde Pública). Fomos muito bem recebidos em todos os momentos. A parte da humanização, todos os médicos. Tivemos muita ansiedade, mas eu ia todos os dias ver meu marido por videochamada”, assinala.

Por ser mãe de enfermeira, Marly passou a ter ainda mais admiração pelos profissionais.  “Tenho uma filha enfermeira formada. A saúde é tudo na nossa vida. É algo que não tem preço. No momento em que chegamos lá, eles passaram toda a segurança para nós. Só temos agradecer a todos, do diretor às pessoas que fazem a limpeza”.

Valor – Esse olhar que considera a história do usuário, para além do quadro clínico, faz parte da premissa de humanização adotada pelo Governo do Pará. “É um valor que está presente desde julho do ano passado com as primeiras ações do TerPaz (Programa Territórios pela Paz), nas ações itinerantes. O primordial é o serviço humanizado, por isso fazemos reuniões com os todos os servidores sobre a importância de tratar os pacientes com o mesmo amor e carinho que dariam a uma pessoa da família”, afirma a coordenadora de Saúde Bucal da Sespa e da Policlínica Itinerante, Alessandra Amaral. O serviço já passou por 83 cidades e fez mais de 73 mil atendimentos.

Para ela, essa abordagem é importante para a recuperação. “Percebemos que a saúde mental é 70% da cura. Os pacientes chegam conturbados, preocupados em como o vírus vai agir, se vão precisar de internação. A humanização torna esse momento mais tranquilo, para que eles fiquem mais acalentados. Muitos querem contar mais da vida, do que estão passando”.

Nos postos da Policlínica Itinerante, esse cuidado está presente desde o acolhimento,  quando os usuários chegam ao local. Além do atendimento clínico, há uma preocupação com a alimentação, com a oferta de mingau e sopa. “Muitos vêm de longe em busca de atendimento. As máscaras, às vezes, estão suadas ou rasgadas. Fazemos a substituição e também observamos que a boca é um modo de transmissão do vírus. Por isso, eles recebem os kits de higiene bucal”, acrescenta a coordenadora.

Referência – As ações de humanização no Pará não são restritas aos atendimento dos casos de Covid-19. A Política Nacional de Humanização, em vigor desde 2003, orienta as diretrizes da valorização de usuários, profissionais e gestores. Cada Estado tem uma  Câmara Técnica de Humanização, que reúne hospitais estaduais, para fortalecer o processo coletivo, a gestão compartilhada e participativa, e incentivar o exercício de cogestão e corresponsabilização com maior proximidade entre o planejamento e a execução dos serviços no Sistema Único de Saúde (SUS).

Entre os hospitais estaduais participantes está a Fundação Hospital das Clínicas Gaspar Vianna, referência em cardiologia, nefrologia e psiquiatria. Segundo a coordenadora do Comitê Técnico de Humanização, Enedina Campos, o trabalho, iniciado há cerca de 20 anos, tem se fortalecido, por meio de portarias de institucionalização e pela adoção de dispositivos que valorizam o tripé do SUS: gestão, servidores e usuários.

Na pandemia, o uso de tecnologia, por meio das videochamadas, também foi aplicado no hospital, garantindo o direito à proximidade da família, bem como o acesso dela a informações do quadro do paciente. Outros formatos de visitas já eram adotados anteriormente, como a visita aberta ou estendida, que possibilita flexibilidade nos horários e número de visitantes, dependendo do contexto em que o paciente está envolvido, como, por exemplo, Unidade de Terapia Intensiva Neo-Natal ou iminência de falecimento.

“As rodas de conversa feitas nos vários setores do hospital permitem o empoderamento quanto a direitos e deveres dos usuários dos serviços de saúde. A Ouvidoria também é um dispositivo que faz o registros de sugestões, elogios e reclamações e abre oportunidade de ações de valorização dos servidores”, exemplifica Enedina.

A assistente social informa ainda que, para o segundo semestre, o comitê está com planejamento que envolve novos formatos de ambiência para as cinco entradas da unidade, além de reuniões com gestores e outras ações que melhorem relações, processos de trabalho e comunicação.

Texto: Dayane Baía/Secom

Fotos: Marcelo Seabra e Jader Paes/Ag. Pará

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