Médicos e pacientes destacam a humanização como sucesso no tratamento em Santarém

Entrada do Hospital de Campanha de Santarém

Entregue no dia 22 de abril, o Hospital de campanha de Santarém foi criado para ser uma unidade de retaguarda no atendimento de pacientes com covid-19 das regiões do oeste, baixo amazonas, xingu e tapajós. Construído no Espaço Pérola do Tapajós, sua estrutura conta com 120 leitos e, até esta terça-feira (12), 58 pessoas já  haviam passado pelo Hospital. Destas 29, tiveram alta médica.

O relato dos pacientes que tiveram que passar por essa experiência, emociona. Joe Ribeiro, de 73 anos, integra o grupo de risco para pacientes com covid-19. Ele foi o primeiro paciente atendido no Hospital e também foi o primeiro a ter alta. Após quatro dias internado, a saída do idoso foi acompanhada por um corredor humano formado por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, que aplaudiram sua passagem e recuperação.

Joe Ribeiro

Joe Ribeiro, que teve o exame confirmado para o novo coronavírus, segue em isolamento domiciliar, sendo acompanhado por telemonitoramento. “Passei quatro dias internado sob os cuidados de médicos e enfermeiros. Além de capacitados, muito atenciosos e amorosos. Isso contribuiu bastante para a minha recuperação. Ainda estou me recuperando, mas graças a Deus, estou bem. Agradeço a todos”, disse.

A esposa do paciente, Claudenice Araújo de Andrade, 44 anos, contou sobre a dificuldade para o esposo aceitar a internação. “Não sei nem como descrever a maravilha que foi o atendimento dele no Hospital de Campanha. Ele foi muito bem assistido por toda a equipe, mesmo com a relutância da internação no início, que logo foi superada pelo acolhimento que ele teve dentro do Hospital. Sou muito grata por tudo o que fizeram por ele”, contou emocionada.

Eliamara Santos

Elimara Santos, de 24 anos, ficou internada por quatro dias. Ela destacou a competência dos profissionais. “Médicos e enfermeiros perguntam o tempo todo se estamos bem, se precisamos de alguma coisa, como a gente está se sentindo. Eles têm um cuidado diferente com os pacientes. Passei por enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, fiz sessão para ajudar a respirar. Não tenho nada a reclamar, foram muito atenciosos”, enfatizou.

Mas para quem acha que lidar com o emocional é uma tarefa difícil só para os pacientes, a médica Camila Loíse, recém-formada pela Universidade Federal do Pará, conta que jamais imaginou iniciar a prática médica em meio a uma pandemia.

“É, de fato, muito desafiador. Não somente como médica, mas também como ser humano. Todos somos preparados intelectual e emocionalmente durante seis anos para lidar com vidas. Mas nada se compara a entrar nessa guerra contra um inimigo invisível e potencialmente fatal. Coragem não faltou. O sentimento que me fortalece diariamente é o de que existe um propósito para que eu esteja atuando nesse momento e que preciso dar o meu melhor. Os pacientes e seus familiares têm medos, angústias, desespero. Cabe a toda equipe dar o suporte necessário. Muitas vezes eles precisam de conforto, um alô por vídeo com a família ou mensagens de esperança. E isso temos trabalhado bastante. É fundamental”, contou.

A médica conta ainda que uma das maiores alegrias é justamente a alta do paciente. “Eles chegam extremamente assustados, angustiados por ter que usar o oxigênio, desesperados em respirar e tirar a dor que tanto incomoda. E é muito gratificante ver a história da doença ter um desfecho bom. Já tivemos inúmeras altas e cada uma é lembrada com muito carinho. Eu sempre busco dar muito carinho e olhar para o paciente sendo ele o amor de uma família. Enquanto eu puder levar paz e conforto, eu farei. E é emocionante presenciar a saída do paciente. Espero sair dessa luta uma médica mais humana, mais forte, madura e grata por tudo. É uma guerra histórica e são várias batalhas para vencermos até o fim. Mas estamos aqui prontos pra isso”, finalizou.

Silvério Cardoso, diretor do Hospital de Campanha de Santarém, comemora a alta de mais de 60% dos pacientes. “É muito gratificante ver que, em meio a pandemia, muitos pacientes estão recuperados e voltando ao seu lar. É gratificante também para a equipe que cuida dessas pessoas, vê-las sadias”.

O secretário Regional de Governo, Henderson Pinto, conta que o Estado realiza um trabalho muito intenso no combate à pandemia, em todas as regiões. “A equipe foi muito bem pensada, todos os profissionais trabalham com uma dedicação especial, há um grande esforço para realizar a interação entre seus pacientes e familiares, a divulgação do boletim médico, porque é preciso compreender nesse momento a fragilidade emocional tanto do paciente, quanto da família, e isso certamente faz toda a diferença”, concluiu.

Texto: Ronilma Santos/SRGBA

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