Sespa apresenta projeto para a estruturação de Salas de Parto e Implantação de Salas de Estabilização Neonatal

Fotos: José Pantoja (Ascom/Sespa).

Secretários de Saúde e profissionais que atuam na assistência neonatal dos municípios de Afuá, Portel, Soure, Alenquer, Monte Alegre e Salinópolis foram recebidos em Belém nesta quinta-feira, 10, para conhecerem um projeto de qualificação na assistência ao recém-nascido no momento do nascimento proposto através de articulação entre a Coordenação Estadual de Saúde da Criança da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e Sociedade Paraense de Pediatria.

O projeto denominado Estruturação de Salas de Parto e Implantação de Salas de Estabilização Neonatal no Marajó e Baixo Amazonas” surgiu como parte das ações de Saúde da Criança programadas no Termo de Cooperação Técnica celebrado entre o Estado e a OPAS, visando contemplar municípios da Região do Marajó (Afuá, Portel e Soure) e Baixo Amazonas (Alenquer e Monte Alegre) com estrutura adequada de salas de parto e implantação de Salas de Estabilização Neonatal.

O encontro contou com a presença do consultor da OPAS, Renato Oliveira de Lima, médico neonatologista e autor da tese de doutorado “Análise do impacto do Programa de Reanimação Neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria nos resultados neonatais da mesorregião do Sudoeste Piauiense”, defendida na Universidade Estadual de Campinas – Unicamp (SP) e que demonstrou melhora significativa nos resultados neonatais naquela região do Piauí, após intervenção na estrutura das salas de parto e capacitação das equipes em reanimação neonatal.

Segundo a coordenadora estadual de Saúde da Criança, Ana Cristina Guzzo, a atividade desta quinta-feira foi um momento de aproximação e sensibilização dos gestores municipais e profissionais das maternidades para a realidade da assistência neonatal nas salas de parto de seus municípios e a importância de participarem do projeto, que busca o cumprimento dos critérios previstos na Portaria MS Nº 371/2014, de orientação sobre a estrutura mínima e qualificação da equipe para recebimento de um recém-nascido, tendo em vista que no Brasil, de cada 10 bebês que nascem, um precisa de ajuda para respirar, no primeiro minuto de vida.

Afirma a coordenadora que “nessa estratégia propõem-se a normatização de condutas relativas aos cuidados neonatais no momento do nascimento, a estabilização imediata após a reanimação do bebê e o transporte adequado, quando necessário”.

Realizado na sala de telemedicina da Universidade do Estado do Pará (UEPA), o encontro favoreceu a demonstração aos presentes, da metodologia utilizada no Programa de Reanimação Neonatal (PRN) da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e as modalidades que incluem a reanimação do recém-nascido maior ou igual a 34 semanas, para médicos e profissionais de saúde não médicos; reanimação do recém-nascido menor de 34 semanas e transporte do recém-nascido de alto risco.

Em sua apresentação, Renato Lima expôs a experiência vivenciada no Estado do Piauí, demonstrando a realização do diagnóstico inicial dos locais de parto, as capacitações em reanimação neonatal, o compromisso assumido pelos gestores e a mudança nas práticas assistenciais e nos indicadores de mortalidade infantil. Enfatizou a importância de registrar essa mudança de forma simbólica com a organização dos materiais em mesas forradas com toalhas amarelo-ouro: “Dessa forma destacamos a importância da garantia de uma adequada transição da vida intrauterina à vida extrauterina nos primeiros 60 segundos de vida, ou seja, a garantia do Minuto de Ouro”, explica Renato.

A médica Vilma Hutim, neonatologista da Santa Casa e presidente da Sociedade Paraense de Pediatria, destacou que os treinamentos em reanimação neonatal serão realizados em cada município e serão um marco na assistência aos bebês nessas regiões, que têm grandes vazios assistenciais e difícil acesso. Afirma, ainda, que a parceria entre Sociedade de Pediatria e CESAC/SESPA só tem a se fortalecer com o Projeto e o Termo de Cooperação com a Organização Pan Americana da Saúde.

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