Sespa articula aplicação da segunda dose da vacina contra a Covid-19 em estudantes indígenas da UFPA

Ação ocorreu na sede do Dsei Guatoc, em Belém

Oitenta e cinco estudantes indígenas da Universidade Federal do Pará (UFPA) receberam a segunda dose da vacina contra a Covid-19, mediante articulação da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), atrelada ao Ministério da Saúde (MS), que cedeu a sede do Distrito Sanitário Especial Indígena Guamá Tocantins (Dsei Guatoc), em Belém, e disponibilizou de profissionais de saúde para a aplicação da Oxford/Astrazeneca.

Eliene Rodrigues Putira Sacuena, da Sespa.

“Em 14 de abril deste ano aplicamos a primeira dose. São indígenas que residem em territórios e no momento estão em Belém em razão dos estudos. Em alguns casos, foram vacinados também os familiares, que são acompanhantes deles na capital. Em articulação com a Universidade e a Sesai, oportunizamos a vacinação dessas pessoas”, explica a técnica da Coordenação Estadual de Saúde Indígena e Populações Tradicionais da Sespa, Eliene Rodrigues Putira Sacuena.

Para Putira, foi um momento histórico, visto que vários órgãos públicos se articularam para atender os estudantes e suas famílias. A técnica também alertou que continuam as articulações para que os indígenas deixem de ser vulneráveis a outro tipo de vírus, o da “fake news”, que tem se espalhado principalmente por aplicativos de troca de mensagens nas comunidades. “O fato de o indígena estar fora da aldeia não faz com que ele deixe de ser indígena, e o contato com os parentes é constante, pois temos familiares nas aldeias, não nos desligamos das nossas origens ”, diz.

“A pandemia tem sido palco de muitas informações desencontradas e notícias falsas sobre a covid-19 e a eficácia das vacinas. Entre as populações indígenas não é diferente. A chegada de conteúdos falsos tem atrapalhado o engajamento para a vacinação. Por isso eu faço parte da campanha Vacina Parente!”, comenta uma das vacinadas do dia, a ouvidora-geral do município de Belém, Márcia Kambeba, indígena pertencente ao povo Omágua/Kambeba e estudante de pós-graduação da UFPA.

Rodrigo Nascimento

Márcia Kambeba

Para Márcia, a divulgação contínua da vacinação dos indígenas é benéfica para desmistificar que a vacina traz o mal. “Quanto mais parentes sendo vacinados, melhor. Nós estamos num árduo trabalho de levar esclarecimento até as comunidades e explicar a importância da vacina”, explica.

O estudante de Ciências Biológicas, Rodrigo Nascimento, da etnia Wai Wai, e oriundo da aldeia Ampuera, da região Oeste do Pará, agradeceu ao governo do Estado pela iniciativa de atender mais uma vez os indígenas universitários. “É uma questão de sobrevivência”, diz ele, que foi acompanhado pela esposa, Lila Flores, da etnia Ticuna, oriunda do Estado do Amazonas.

De acordo com o Vacinômetro da Sespa, dos 23.841 indígenas aptos para serem vacinados contra a Covid-19 no Pará, 14.455 já receberam a primeira dose. Desses, 10.589 já passaram pela segunda aplicação.

Fotos: José Pantoja (Ascom/Sespa)

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