Sespa capacita técnicos sobre protocolos para tratamento de tabagismo

Os critérios para o diagnóstico do tabagismo, o tratamento, o uso de medicamentos e outros insumos apropriados, o acompanhamento e os resultados terapêuticos estiveram entre os temas abordados em treinamento ministrado pela equipe técnica da Coordenação de Controle de Doenças Crônicas da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), ocorrido nesta terça-feira, em Belém, na sede do Centro Integrado de Inclusão e Cidadania (CIIC).

A atividade teve por objetivo apoiar a implantação de novas equipes da Atenção Primária para tratar os fumantes nas Unidades de Saúde de Belém e de Ananindeua. O conteúdo utilizado na capacitação teve como referência técnica o “Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas do tratamento do  tabagismo”, publicado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) em 2020 e que contém as mais recentes diretrizes para diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos fumantes no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

O documento ainda estabelece critérios para classificação dos pacientes em relação ao nível de dependência física à nicotina. Também orienta o tratamento ofertado na rede pública, seja por meio de sessões estruturadas,  chamadas de abordagem cognitivo comportamental (eixo principal do tratamento) ou por situações específicas do paciente, em que é previsto o   uso de medicamentos, como a terapia de reposição de nicotina (adesivo e goma), isolada ou em combinação com o cloridrato de bupropiona.

A coordenadora de Controle de Doenças Crônicas da Sespa, Sílvia Corrêa

Segundo a coordenadora de Controle de Doenças Crônicas da Sespa, Sílvia Corrêa, o treinamento atendeu a uma demanda das gestões municipais de Belém e Ananindeua, que tem em comum o objetivo de ampliar o acesso às pessoas que recorrem às Unidades Básicas de Saúde em busca de um tratamento para deixar de fumar e se manter sem o tabaco. “Como tivemos uma rotatividade de profissionais com a mudança das gestões municipais, houve a necessidade de capacitá-los sobre vários aspectos inerentes à abordagem do tabagista em busca de tratamento, de acordo o protocolo clínico do INCA”, destacou.

Além da identificação das classificações dos tipos de dependência, a capacitação abordou o fluxo de identificação e a abordagem do tabagista. Mais de 50 profissionais de saúde participaram da atividade, que teve carga horária de oito horas. “Com isso, os inscritos na capacitação estarão mais preparados para compor as equipes para a realização do tratamento, com as orientações previstas no protocolo e com o objetivo de fazer o paciente não só deixar de fumar, como permanecer sem fumar e reconhecer situações que podem desencadear a vontade de fumar”, relata Samantha Simões, coordenadora do Programa de Controle do Tabagismo desenvolvido pela Secretaria de Saúde de Belém (Sesma).

Samantha Simões, coordenadora do Programa de Controle do Tabagismo desenvolvido pela Secretaria de Saúde de Belém (Sesma)

Na definição do INCA, o tabagismo é reconhecido como uma doença  pediátrica crônica e contagiosa provocada pela utilização de produtos derivados do tabaco, que contém nicotina na sua folha, e de acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID10), está inserido no grupo dos transtornos mentais devido ao uso de substância psicoativa. É considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a principal causa de morte evitável, adoecimento e empobrecimento no mundo, sendo responsável por 8 milhões de óbitos anuais. Estima-se que mais de 7 milhões dos óbitos são resultado do uso direto do tabaco, enquanto mais de 1,2milhões são decorrentes da exposição ao tabagismo passivo.

A presença de cerca de 7000 substâncias na fumaça dos derivados do tabaco (250 substâncias prejudiciais e 69 cancerígenas), faz com que o tabagismo seja responsável por aproximadamente 50 doenças tabaco relacionadas, muitas delas graves e fatais.

Segundo a OMS, o tabagismo é responsável por 63% dos óbitos relacionados às doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Destas, o tabagismo é responsável por 85% das mortes por doença pulmonar crônica (bronquite e enfisema), 30% por diversos tipos de câncer (pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga, colo do útero, estômago), 25% por doença coronariana (angina e infarto) e 25% por doenças cerebrovasculares (acidente vascular cerebral – AVC).

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