Uepa é referência em tecnologia assistiva em expansão para unidades de saúde paraenses

A crise sanitária desencadeada pela pandemia do novo coronavírus evidenciou ainda mais a importância de unir ciência e tecnologia para o desenvolvimento de soluções em saúde aliadas à economia. No Pará, os Laboratórios de Tecnologia Assistiva (Labta) produzem órteses e adaptações de materiais alternativos para acelerar a reabilitação de pacientes e reduzir custos das internações.

Para Rômulo Rodovalho, titular da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), é importante usar todas as ferramentas possíveis em prol da qualidade de vida dos pacientes. “Trata-se de um investimento em longo prazo para a detecção de mais doenças em um tempo mais curto, melhores diagnósticos e mais possibilidades de tratamento para a população. Por isso, que o tripé tecnologia, desenvolvimento e ciência são fundamentais para o desenvolvimento social”, pontuou o secretário.

Jorge Lopes Rodrigues Júnior é professor do curso de Terapia Ocupacional da Universidade do Estado do Pará (Uepa). Considerado inventor da técnica de produção de materiais de baixo custo, ele forma gerações de novos profissionais que levam a metodologia para o atendimento direto a pacientes nos hospitais como o Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE) e Fundação Hospitais de Clínicas Gaspar Vianna (HC), na Região Metropolitana de Belém.

“Os egressos do curso que participam dos programas de pesquisa, saem habilitados para o mercado de trabalho e alguns têm essa dedicação a mais e começam a implementar serviços em outros hospitais. É muito gratificante ver seu trabalho reconhecido e ampliado até mesmo fora do estado”, afirmou o coordenador do Labta, que atende principalmente pacientes do Núcleo de Desenvolvimento em Tecnologia Assistiva e Acessibilidade (Nedeta), da Uepa.

Lucas Muniz, Terapeuta ocupacional

Há 16 anos, o Nedeta oferece, gratuitamente, tratamentos de reabilitação a pacientes com paralisia cerebral e Síndrome de Down e Transtorno do Espectro Autista (TEA). Entre os projetos, a “Gameterapia” utiliza a tecnologia a partir de consoles de games para estimular atividades cerebrais e melhorar a capacidade de concentração e equilíbrio.

“A terapia ocupacional trabalha em cima das ocupações, favorecendo um melhor desempenho e autonomia nas suas atividades diárias. Tanto no Nedeta quanto no Labta, utilizamos materiais de baixo custo que tornam esses equipamentos economicamente mais acessíveis para o público atendido”, explica o estudante do 8º semestre, Flávio Coelho, que atua como monitor.

Com o aumento de internações por Covid-19, a atuação se tornou ainda mais importante. “Poucos conhecem e têm habilidade para manusear os materiais. Isso favorece uma nova proposta de conhecimento até para os profissionais. A pessoa fica acamada de 15 a 30 dias na UTI, então a posição do leito pode provocar úlcera de pressão, que tende a virar uma sepse, somada aos sinais da Covid, piorando o quadro do paciente. Utilizando os coxins, diminui-se o índice de infecções hospitalares, consequentemente, o tempo de internação e o custo do estado, além dos riscos para o paciente”, avalia o professor Jorge Lopes Rodrigues Júnior.

O primeiro Labta fora da Universidade foi implantado no Hospital Metropolitano, em 2019. O terapeuta ocupacional Lucas Muniz identificou a necessidade enquanto fazia residência multiprofissional na Unidade.

“Ao finalizar a residência, fiz o projeto para melhorar a qualidade do atendimento com a utilização de menos recursos. Logo em seguida, fui incorporado ao quadro de funcionários da unidade para implementar o laboratório, em 2019. Com a produção a todo vapor, ganhamos, no mesmo ano, duas categorias do Prêmio InovaSus, do Ministério da Saúde: gestão orçamentária e financeira; e destaque como contribuição para a saúde pública”, comemorou o egresso, terapeuta ocupacional Lucas Muniz.

O Nucleo de desenvolvimento em tecnologia assistiva e acessibilidade alia a tecnica e o trabalho humanizado para garantir bons resultados a pacientes.

Além de replicar o aprendizado da faculdade, a experiência promoveu o avanço do conhecimento. “Fui aprovado no mestrado da Universidade Federal do Pará (UFPA) e minha pesquisa será em cima das órteses. No primeiro ano de funcionamento, reduzimos acima de 95% do custo de materiais, em torno de 10 a 20 mil Reais de economia para o hospital. Também fui convidado, inicialmente, pelo Adventista de Belém, que é particular, para levar o projeto para o laboratório lá semelhante ao daqui. E posteriormente, o Hospital das Clínicas também viu o potencial para contribuir com os pacientes nesse cenário alarmante de Covid”, detalhou Lucas Muniz.

O Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR) é outra unidade do estado que utiliza a Tecnologia Assistiva para reabilitação física, visual, intelectual e auditiva, tornando-a facilitadora para o ganho de funcionalidades, adaptações e autonomia de pacientes. Pessoas cegas ou de visão subnormal podem caminhar em ambientes internos e externos com eficiência, utilizando, por exemplo, da bengala articulada, de maneira segura e independente assim como o uso de auxílios ópticos.

Texto: Dayane Baía/Secom
Fotos: Pedro Guerreiro/Ag. Pará

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