Usuários retornam de forma gradual para atendimento no CIIR

Gabriel Guiomar em atendimento no CIIR

Durante a sessão com psicóloga e fonoaudióloga o pequeno Gabriel Guiomar Brasil, 8 anos, não esconde a alegria de voltar aos atendimentos presenciais no Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR). Por ele ser do grupo de risco, a família optou por mantê-lo em distanciamento social por cerca de um mês. “Gosto da consulta e da reabilitação. As outras tias me atendem, faço atividade. Eu posso fazer dever de casa, porque eu adoro fazer para estudar. Eu fiquei em casa, comprei outras máscaras para não pegar corona”, contou o menino que está dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e faz tratamento há cerca de um ano.

A estratégia deu certo e ele, juntamente com a família, conseguiram se manter protegidos durante o pico do contágio na região metropolitana de Belém. A mãe dele, Raleice de Souza Guiomar, voltou a levá-lo nas sessões presenciais. “Como teve o lockdown e ele é do grupo de risco, foi melhor tomar todos os cuidados em casa, sempre com a orientação dos profissionais. Eles ligavam para ver como estava, principalmente a fono e a psicóloga. Nesse mês ausente, ele ficou muito agitado. Eu sei que ele gosta daqui, fica mais tranquilo, bem melhor”, informou Raleice.

O CIIR não interrompeu os atendimentos presenciais e desde o início da pandemia foram adotadas medidas de combate à doença, para garantir a segurança dos usuários e colaboradores. “Houve implantação de pia na entrada; restrição no acesso com a permanência de um acompanhante nos casos legais; incentivo à higiene de mãos; orientação com cartilhas e com informação nas recepções; descentralização de todas as atividades da recepção; e a criação de novos ambientes de triagem para todos os usuários e acompanhantes com verificação de sinais vitais, temperatura e saturação de oxigênio. Montamos um ambiente para atendimento caso chegasse alguém com síndrome respiratória aguda; treinamos a equipe toda e implantamos o uso de EPI (equipamento de proteção individual) conforme as orientações oficiais”, detalhou Paola Reyes, diretora executiva do CIIR.

De acordo com a diretora, o suporte seguiu duas frentes focando na proteção dos colaboradores e dos usuários. A reorganização das atividades considerou atendimento a casos suspeitos, testagem e acompanhamento médico e psicológico para os funcionários. Já para os usuários, além de orientações sobre os protocolos de segurança sanitária, foram realizados também acolhimentos para suspeitos.

Para que os usuários que respeitaram o isolamento social não ficassem desassistidos, os profissionais utilizaram alternativas de atendimento. “A equipe da reabilitação preparou materiais audiovisuais para enviar aos usuários em grupos, acompanhar se tiveram problemas de saúde ou perdas na família para entender o contexto onde eles estavam e também dar o suporte que fosse necessário. A odontologia também fez um canal com os usuários, por meio de chamada de vídeo para olhar o rosto do paciente, e saber se era caso de ele vir com urgência para o CIIR para intervenção, que ficou à disposição durante todo esse período”, complementou Paola.

Waléria Gonçalves, responsável técnica da área de Terapia Ocupacional

Retorno gradual – Para receber os usuários que voltaram a buscar atendimento presencial foi adotado um protocolo de segurança. “Temos uma equipe multiprofissional formada por terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, educadores físicos, fisioterapeutas, musicoterapeutas e psicopedagogos que trabalha em conjunto para acompanhar o desenvolvimento do usuário. Estamos utilizando capote, luvas, toucas, máscaras e óculos de proteção. Desde a entrada, é solicitada a higienização de mãos. Os usuários respondem algumas perguntas sobre contato com doentes e presença de sintomas para poder adentrar aqui”, explicou Waléria Gonçalves, responsável técnica da área de Terapia Ocupacional.

Ayrton Pessoa, usuário do CIIR, está satisfeito com o atendimento que recebe

Evolução  – O CIIR é um órgão do Governo do Estado que oferece assistência de alta complexidade para pessoas com Deficiência (PcD) de todas as faixas etárias, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).  O educador físico Ayrton Pessoa foi em busca de tratamento em função de sua paralisia cerebral.  “Conheci o CIIR no dia da inauguração, o primeiro contato já me chamou muita atenção. O espaço físico e a acolhida de todos os profissionais. Por conta das limitações que eu tenho, procurei o serviço para ter uma melhor qualidade de vida e o CIIR me proporcionou isso com seus atendimentos”, contou Ayrton.

Logo depois que iniciou as terapias, ocorreram muitas evoluções. “Aproximadamente oito meses depois, fui convidado pela coordenadora da reabilitação para fazer parte da equipe profissional, trazendo também um pouco da minha história de vida para os usuários que frequentam o centro. Todos os dias é uma experiência nova que adquirimos, amadurecendo nossas ideias e que realmente somos uma gota no meio de um oceano”, afirmou o profissional que atua nas áreas de reabilitação da mecanoterapia e hidroterapia, além de orientação e mobilidade, voltada para pessoas com deficiência visual. 

Texto: Dayane Baía/Secom

Fotos: Ricardo Amanajás/Ag. Pará

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