Sespa e Ministério da Saúde realizam treinamento sobre identificação de vetores de doenças

Sespa e Ministério da Saúde realizam treinamento sobre identificação de vetores de doenças

21/07/2026 Off Por Mozart Lira

Bárbara Almeida (à esquerda), coordenadora de Entomologia da Sespa

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), em parceria com o Ministério da Saúde, realiza o curso de Formação Continuada em Controle de Vetores – Módulo Triatomíneos Amazônia, com foco no combate à doença de Chagas.

A atividade aborda a biologia, taxonomia e o manejo integrado desses insetos (barbeiros), além de fortalecer as competências técnicas dos profissionais que atuam na vigilância, prevenção e controle da doença de Chagas na Região Amazônica, promovendo a atualização de conhecimentos teóricos e o desenvolvimento de habilidades práticas voltadas à vigilância entomológica e à investigação de surtos.

Entre 20 e 24 de julho, a atividade proporcionou uma abordagem integrada entre teoria e prática, contemplando estudos de caso, atividades laboratoriais, trabalhos em grupo e ações de campo.

A consultora do Ministério da Saúde e uma das instrutoras do treinamento, Rafaela Albuquerque e Silva

Participam como instrutores Rafaella Albuquerque e Silva (Ministério da Saúde), Tiago José de Souza (Ministério da Saúde), Cleber Galvão Ferreira (Fundação Oswaldo Cruz), Allan Pitta Seabra (Fundação Oswaldo Cruz) e Jader de Oliveira (Faculdade de Saúde Pública – USP) – além de técnicos da Sespa, Gilberto Barbosa, Sônia Lima e Bárbara Almeida.

Realizada pela Coordenação Estadual de Entomologia, a atividade tem como público-alvo profissionais das Secretarias Estaduais (CRS) e Municipais de Saúde que atuam nas áreas de vigilância entomológica e controle de vetores.

Segundo Bárbara Almeida, coordenadora de Entomologia da Sespa, a programação foi estruturada para qualificar os participantes quanto ao reconhecimento, monitoramento e controle dos triatomíneos, bem como às estratégias de comunicação com a população e às ações intersetoriais de vigilância. “O monitoramento constante é fundamental diante do aumento da presença de barbeiros, que se deslocam das áreas de mata para as residências em busca de abrigo e alimento, seja sangue humano ou animal”, alerta a técnica.

Entre os demais objetivos da capacitação estão atualizar os profissionais sobre os principais aspectos da vigilância e controle dos triatomíneos na Amazônia; capacitar os participantes para a investigação de surtos relacionados à doença de Chagas; desenvolver competências para identificação, captura e monitoramento de triatomíneos; fortalecer o uso das ferramentas de vigilância entomológica, incluindo sistemas de informação e redes de monitoramento; aperfeiçoar as estratégias de educação em saúde, comunicação de risco e devolutiva das ações às comunidades e promover a integração entre vigilância epidemiológica, entomológica, sanitária e controle vetorial.

Fotos: José Pantoja (Ascom/Sespa)

As atividades discorrem sobre as temáticas: investigação de surtos de doença de Chagas; vigilância entomológica de triatomíneos; reconhecimento geográfico e vigilância por participação popular; rede de Postos de Informação de Triatomíneos (PITs); utilização do Sistema Sisvetor; estratégias de abordagem domiciliar e comunicação em saúde; busca ativa e monitoramento de triatomíneos; técnicas de captura e utilização de armadilhas entomológicas; morfologia e identificação laboratorial de triatomíneos; vigilância sanitária na prevenção da transmissão oral da doença de Chagas e discussão de casos, elaboração de estratégias e socialização dos resultados.

O agente de controle de Endemias de Santa Izabel do Pará, Liomar Sousa, acha válida a participação na atividade, visto que aproveitou a disponibilidade para depois ser multiplicador desse conhecimento adquirido perante os colegas que permaneceram em atividade no município de origem. “Já neste segundo semestre desenvolveremos uma atividade, em nível municipal, de forma a capacitar os colegas que estão na atenção básica para que possam absorver esse mesmo conteúdo”, disse.

A expectativa da coordenação do curso é que os participantes concluam a atividade mais aperfeiçoados a executarem ações de vigilância entomológica em seus municípios, aprimorar a capacidade de investigação e resposta a surtos, ampliar o monitoramento dos triatomíneos e desenvolver estratégias integradas de prevenção e controle da doença de Chagas, contribuindo para a proteção da saúde da população amazônica.

A consultora do Ministério da Saúde e uma das instrutoras do treinamento, Rafaela Albuquerque e Silva, destacou que o evento é oportuno, uma vez que contribui para avaliar o enfrentamento das zoonoses, doenças que passam dos animais para as pessoas, com uma abordagem integrada e conjunta.

“É muito importante que os profissionais de saúde trabalhem juntos a outras equipes, porque isso contribui para a detecção de surtos de forma mais precoce, ajudando a evitar epidemias, proporcionando o controle de vetores com mais eficiência”, afirmou.

Rafaela também ressaltou que a integração, de forma coordenada, favorece o melhor uso dos recursos públicos. “Isso também ajuda as práticas sustentáveis, garantindo um equilíbrio entre as áreas. Essa união de esforços entre todas as equipes faz uma diferença muito grande para o enfrentamento eficaz dessas doenças. Esse reconhecimento em relação ao cuidado com as pessoas, que intimamente está ligado aos animais e a todo ecossistema, é primordial para a condução de um trabalho mais efetivo”, explicou.

Texto: Mozart Lira (Ascom/Sespa)

Fotos: José Pantoja (Ascom/Sespa)