Plataforma contribui para redução de infecções em pacientes internados na UTI Adulto do Regional da Transamazônica
20/08/2026
O aposentado e a filha, Mara, horas antes da alta. Família mora em Anapu
Em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a tomada de decisões sobre protocolos de cada tratamento faz toda a diferença na recuperação. É o que garante que pacientes, como Edimar Pereira, de 68 anos, consigam evoluir bem. “Eu cheguei aqui com uma dor enorme na perna e muito ruim”, conta. O aposentado passou cinco dias internado na UTI. A dor na perna a que ele se refere é consequência de problemas cardiovasculares. “Aqui o atendimento é excelente, todo mundo contribui e ajuda com informações”, destaca a filha, Mara Pereira.
Edimar está no Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira, Sudoeste paraense, e aguarda alta, o que deve ocorrer nas próximas horas. O cuidado individualizado e acompanhamento sistemático é fundamental e, para isso, o HRPT monitora tudo por meio de uma plataforma internacional de gestão de informações epidemiológicas.
Na prática, a ferramenta permite reunir e acompanhar os dados clínicos do paciente e construir indicadores capazes de orientar decisões da equipe assistencial, em quadros como Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAVM), complicação que pode aparecer durante internações de longa permanência em ambiente crítico. Para o coordenador da UTI Adulto, Endryl Carvalho, o monitoramento tem sido fundamental para a eficácia do tratamento e o conhecimento do perfil do nosso paciente. “Nós conseguimos baixar as infecções com essa estratégia. Com a coleta diária e o cruzamento de dados, é possível acompanhar o paciente a partir de um perfil epidemiológico específico”. A pneumologista do HRPT, Marcela Lins, destaca que “além acompanhar a evolução da própria UTI, os dados permitem comparar determinados indicadores com outras áreas de perfil semelhante, ajudando a identificar resultados que precisam de maior atenção”.
Além do paciente, o HRPT monitora o leito, os aparelhos e até superfícies, como paredes e pisos. Microrganismos são revelados com uso do luminômetro, dispositivo que verifica, de maneira quantitativa, a presença de resíduos biológicos após a limpeza. A técnica utiliza uma molécula presente em organismos vivos e em matéria orgânica, e aponta se o ambiente precisa passar por nova higienização.
O trabalho não se limita ao ambiente digital, mas utiliza as experiências no fortalecimento de medidas eficazes, como a higienização correta das mãos e o uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Ao monitorar constantemente o perfil e cruzar os dados, o HRPT consegue rever terapias e otimizar recursos para entregar o melhor cuidado. Endryl Carvalho esclarece: “funciona assim: para tratar determinada infecção, o médico prescreve um antibiótico específico, no entanto, o organismo, pelo uso contínuo do medicamento, pode desenvolver resistência e não responder ao tratamento porque a bactéria se adaptou ao fármaco”. “Os indicadores dos meses seguintes ajudam a verificar se houve melhora e se a estratégia adotada deve ser mantida ou revista”, completa a pneumologista Marcela Lins.
Como resultado desse cuidado, a Unidade de Terapia Intensiva do HRPT em março, recebeu o selo “UTI Eficiente” pelos serviços que já desenvolvia.
Texto e fotos Ascom/HRPT



