Pará adere ao TeleEstomato para ampliar diagnóstico precoce do câncer de boca
04/09/2026Termo de adesão ao aplicativo do Ministério da Saúde foi assinado durante o segundo dia do Encontro Estadual de Saúde Bucal. Ferramenta permitirá apoio especializado a profissionais da rede
O Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), formalizou, nesta sexta-feira (4), a adesão ao aplicativo TeleEstomato, ferramenta de tecnologia assistiva voltada ao apoio no diagnóstico precoce de lesões suspeitas de câncer de boca. A assinatura do termo ocorreu durante o segundo dia do Encontro Estadual de Saúde Bucal 2026, realizado no auditório da Sespa, em Belém.

Foto: Kamila Canhedo
Desenvolvido pelo Laboratório de Odontologia Digital da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), sob coordenação do professor Paulo Bonan, o aplicativo possibilita que cirurgiões-dentistas da rede registrem casos clínicos suspeitos, com descrição e fotografias das lesões. As informações são encaminhadas a profissionais especialistas em Diagnóstico Oral, que fazem a avaliação e oferecem orientação técnica para a condução do caso.
De acordo com a Coordenação Estadual de Saúde Bucal, a partir da suspeita identificada, o profissional poderá contar com uma avaliação especializada para definir os próximos passos, incluindo, quando indicado, o encaminhamento do usuário para investigação e realização de biópsia.
Para a coordenadora estadual de Saúde Bucal, Alessandra Amaral, a adesão representa um avanço importante para qualificar a identificação dos casos no território. Segundo ela, a ferramenta permitirá que os profissionais registrem a suspeita diretamente pelo celular favorecendo o encaminhamento mais rápido dos usuários.

Foto: Kamila Canhedo
“Todos os cirurgiões-dentistas do Estado, tanto da Atenção Primária quanto da especializada, terão acesso ao aplicativo. Diante de uma suspeita de lesão, será possível fotografar, descrever e encaminhar o caso para avaliação dos especialistas cadastrados. A partir dessa resposta, o paciente poderá ser encaminhado para biópsia e dar continuidade ao tratamento, quando necessário”, explicou Alessandra.
A coordenadora destacou ainda que a principal contribuição da tecnologia está na possibilidade de identificar as lesões antes que evoluam para quadros mais graves. “É um trabalho de extrema importância para podermos diagnosticar previamente esses casos, encaminhar para a rede e iniciar o tratamento. Com certeza, vamos salvar a vida desse paciente”, ressaltou.
Durante a assinatura, o secretário adjunto de Políticas de Saúde da Sespa, Ivison Carvalho, destacou que a utilização da tecnologia deve considerar as características territoriais do Pará, marcado por grandes distâncias e diferentes realidades municipais. Para o gestor, ferramentas como o TeleEstomato podem contribuir para levar apoio técnico especializado a profissionais que atuam em diferentes pontos do Estado, fortalecendo a capacidade da rede sem desconsiderar as particularidades de cada território.

Foto: Kamila Canhedo
“O Pará é muito grande, diverso e temos equipes restritas em diferentes pontos. Por isso, é muito importante desenvolver esse papel estratégico da saúde local, como ordenador do cuidado, orientador dos processos e apoio estratégico para a disseminação dessa política no território”, afirmou Ivison.
O secretário adjunto também ressaltou que o aplicativo pode representar o início de uma estratégia mais ampla de integração entre tecnologia, diagnóstico e cuidado. A expectativa é que, futuramente, o usuário possa ser acompanhado de forma mais integrada desde a identificação da suspeita até o diagnóstico e tratamento definitivo.
“A gente imagina que esse seja um embrião que está nascendo agora, que vai oferecer apoio técnico especializado no diagnóstico em todos os serviços de saúde. Hoje temos uma ferramenta para o diagnóstico e, amanhã, quem sabe, teremos esse paciente cercado por uma rede, com navegação do cuidado desde a hora da suspeita até o tratamento definitivo”, destacou.
Fortalecimento da saúde bucal
A assinatura do termo ocorreu dentro da programação do segundo dia do Encontro Estadual de Saúde Bucal 2026, que reuniu gestores, coordenadores e profissionais para discutir a organização da assistência odontológica no SUS, novas tecnologias e estratégias para ampliar o acesso aos serviços.

Foto: Kamila Canhedo
Representando o Ministério da Saúde, o coordenador-geral de Saúde Bucal, Edson Lucena, destacou a importância da articulação entre União, Estado e municípios para consolidar a política de saúde bucal no país. Segundo ele, a troca de experiências entre os diferentes níveis de gestão é fundamental para transformar as diretrizes nacionais em ações efetivas nos territórios.
“A saúde bucal no Brasil tem uma representatividade muito grande. Somos o único país com mais de 100 milhões de habitantes que decidiu ter saúde bucal no Sistema Único de Saúde de forma universal e gratuita. Isso é uma responsabilidade enorme e um desafio que gestores, profissionais e cirurgiões-dentistas precisam enfrentar juntos”, afirmou.

Foto: Kamila Canhedo
Edson também ressaltou a importância da participação dos municípios e das instituições parceiras na construção da política pública e destacou os avanços e investimentos recentes na área de saúde bucal no Pará.
A adesão ao TeleEstomato integra esse movimento de fortalecimento da rede e busca reduzir o tempo entre a identificação de uma lesão suspeita e a avaliação especializada. Com a tecnologia, a expectativa é ampliar a capacidade de resposta dos profissionais e favorecer o encaminhamento oportuno dos usuários para os serviços de referência, fortalecendo a linha de cuidado do câncer de boca no Estado.

Foto: Kamila Canhedo
Texto: Caroliny Pinho/ Ascom Sespa



