Campanha “Setembro Dourado” é lançada pela Sespa

Campanha “Setembro Dourado” é lançada pela Sespa

11/09/2026 Off Por Mozart Lira

A coordenadora estadual de Oncologia da Sespa, Patrícia Martins,

Nesta sexta-feira, 11, ocorreu no auditório da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), em Belém, o lançamento da campanha “Setembro Dourado”, cuja tema de 2026 é “O câncer infantojuvenil tem desafios, mas também tem cura: fique atento aos sinais”, de modo a reforçar as ações de conscientização durante o mês dedicado à sensibilização sobre o câncer em crianças e adolescentes. Além disso, a campanha também reforça uma mensagem essencial: quando identificado precocemente e tratado de maneira adequada, o câncer nessa fase da vida apresenta reais possibilidades de cura.

Durante a solenidade de abertura da campanha, a coordenadora estadual de Oncologia da Sespa, Patrícia Martins, alertou que, ao contrário de diversos tumores que atingem adultos, o câncer infantojuvenil, em geral, não está associado a fatores de risco que possam ser modificados por medidas preventivas. “Os esforços se concentram na identificação precoce de sinais, visto que o diagnóstico pode ser dificultado porque algumas manifestações se confundem com problemas frequentes na infância”, alerta.

Febre prolongada, perda intensa de peso, dores de cabeça que despertam a criança à noite, dores persistentes nos braços ou nas pernas que não cedem com analgésicos simples e aumento do volume abdominal estão entre os sinais citados pela médica pediatra e coordenadora de Saúde da Criança da Sespa, Ana Cristina Guzzo, durante palestra ocorrida na ocasião, ao mencionar sintomas que podem ser considerados suspeitos para câncer.

“São mudanças na marcha e no comportamento, irritabilidade, perda de marcos do desenvolvimento e dificuldade repentina para enxergar também devem ser comunicadas ao pediatra”, aconselha Ana Cristina, ao lembrar que o câncer da criança se parece muito com as doenças comuns da infância, enumerarando os cânceres mais frequentes na infância, como leucemias, tumores do sistema nervoso central, neuroblastoma, tumor de Wilms e tumores ósseos e musculares.

A incidência varia conforme a idade: dos zeros aos quatro anos, as leucemias aparecem com maior frequência, enquanto neuroblastoma e tumor de Wilms estão entre os tumores sólidos observados nesse grupo. Na adolescência, os tumores ósseos passam a ter maior relevância e podem surgir durante o período de crescimento.

O acesso a especialistas e exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS) também interfere no tempo necessário para chegar ao diagnóstico, conforme aponta a enfermeira Dine de Pádua, que no ato representou o secretário de Saúde do Estado, Ualame Machado. Na ocasião, ela defendeu a necessidade de mais capacitação de pediatras para reconhecer sinais suspeitos e o acesso ampliado da população à atenção básica e aos exames necessários à investigação. “Nosso compromisso também é apoiar famílias e cuidadores e organizar serviços em torno de uma agenda comum”, acrescentou.

Para crianças e adolescentes, o atendimento especializado em oncologia pediátrica no Pará é realizado pelo Hospital Oncológico Infantil Octavio Lobo (HOIOL), em Belém, e pelo Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém, referências no atendimento ao câncer infantojuvenil, incluindo os casos de leucemia.

Durante a solenidade, a diretora do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (HOIOL), Sara de Castro, lembrou que a Unidade atende, simultaneamente, mais de 1.500 crianças e adolescentes de 0 a 19 anos e desse quantitativo 423 já foram curados. “Somos referência para crianças e adolescentes de 0 a 19 anos de todo o Pará e de estados vizinhos. O hospital oferece exames de imagem, laboratório, patologia e todos os apoios necessários para confirmar o diagnóstico com rapidez e segurança”, disse.

Texto: Mozart Lira (Ascom/Sespa)

Fotos: Kamila Canhedo