Assembleia temática do CAPS reforça cuidado em saúde mental para além do tratamento medicamentoso
24/09/2026Programação do Setembro Amarelo reuniu usuários, familiares e profissionais para discutir autonomia, convivência, atividades significativas e fortalecimento da vida no território
Como parte das ações do Setembro Amarelo, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Renascer realizou, nesta quarta-feira (23), a Assembleia Temática “Fortalecimento do Cuidado em Saúde Mental”, com palestra, exibição de vídeo, relatos de usuários e uma feira de economia solidária. A programação reuniu usuários, familiares e profissionais em um espaço de escuta, troca de experiências e reflexão sobre as diferentes formas de cuidado em saúde mental.
De acordo com a terapeuta ocupacional Ingrid Oliveira, do CAPS, a proposta foi ampliar a discussão tradicionalmente associada ao Setembro Amarelo e destacar estratégias que contribuem para fortalecer a vida e produzir sentido no cotidiano. “O Setembro Amarelo ficou muito marcado com discussões em torno do suicídio, mas não foi esse o foco que a gente deu. Trouxemos todo mundo para falar de fortalecimento do cuidado em saúde mental”, explicou Ingrid.
Segundo a profissional, as assembleias são realizadas mensalmente no CAPS e permitem que usuários, familiares e trabalhadores discutam temas importantes para o coletivo. Nesta edição, a programação abordou o fortalecimento das relações, a participação social, a busca por direitos e a realização de ocupações significativas, como atividades físicas, lazer, leitura e trabalhos manuais.
“Quando a gente chama essa assembleia temática para falar de fortalecimento do cuidado em saúde mental, a gente está falando do que fortalece a vida. Estamos trazendo experiências de pessoas que viveram e ainda vivem sofrimentos, mas que encontraram experiências que fizeram sentido e oportunidades para valorizar a própria vida, crescer, caminhar e se cuidar”, destacou.
A programação também reforçou a importância de compreender o cuidado em saúde mental de forma ampliada. Ingrid explica que o CAPS oferece acompanhamento multiprofissional, grupos, oficinas e ações de convivência, considerando as características e os interesses de cada usuário na construção do Plano Terapêutico Singular (PTS).
“O CAPS é um espaço multiprofissional de cuidado. Ele não está centrado em torno da figura do médico e da medicação. Há uma série de ofertas como oficinas, grupos e ações de convivência em que as pessoas possam trabalhar questões que são importantes para sua saúde mental”, afirmou.
Entre as atividades desenvolvidas estão práticas esportivas, grupos de caminhada, atividades artesanais e ações culturais. Para a terapeuta ocupacional, essas experiências podem contribuir para o bem-estar e também para a construção de autonomia e novos projetos de vida.
A assembleia também apresentou possibilidades existentes fora do serviço, como espaços de cultura, lazer, formação e convivência. A proposta é estimular os usuários a ampliarem sua circulação pelo território e a identificarem atividades que tenham significado para cada trajetória.
“As escolhas que a gente faz na vida particular refletem também na saúde mental. Para valorizar a vida, para a vida ter potência, sentido e significado, eu preciso me aliar a sonhos que me façam bem. Não é só no CAPS que isso acontece, é na vida toda que eu vou construir em torno de mim”, acrescentou Ingrid.
Entre os relatos compartilhados durante a programação esteve o de Taíla Silva, enfermeira de formação e usuária do CAPS desde abril deste ano. Ela contou que, além do tratamento medicamentoso e do acompanhamento terapêutico, encontrou nas atividades manuais uma forma de desenvolver novas habilidades e levar para casa práticas que contribuem para seu bem-estar.
Inicialmente, Taíla participou de atividades de bordado. Atualmente, realiza pintura em tecido, experiência que considera desafiadora por exigir concentração e paciência.“Eu implementei essa prática algumas vezes na semana em casa também, porque é algo que me acalma, consegue me deixar centrada. Então eu consigo fazer em casa também”, relatou.
A experiência também passou a fazer parte da convivência familiar. Taíla contou que levou o bordado e o desafio da pintura para a filha, transformando o aprendizado em uma atividade compartilhada. “A gente quer ultrapassar logo, quer fazer perfeito, e não é assim. É justamente para treinar a paciência. Tem sido muito importante para mim”, afirmou.
Outro destaque da programação foi a feira de economia solidária, que apresentou produtos confeccionados por usuários e familiares. A iniciativa está relacionada ao coletivo SUStentando Habilidades, que reúne participantes desde 2022 e busca criar espaços para comercialização dos produtos, aprendizagem e geração de renda.
O trabalho envolve desde questões práticas, como precificação e organização das vendas, até a compreensão dos princípios da economia solidária e a construção de uma maior autonomia do próprio coletivo. “A ideia é que eles possam ampliar essa capacidade de venda e de organização e, com isso, também fortalecer a saúde mental. Quando a pessoa encontra uma atividade que faz sentido, aprende algo novo, participa de um coletivo e consegue construir possibilidades de geração de renda, isso também repercute no seu cuidado”, explicou.
A programação do Setembro Amarelo segue reforçando a perspectiva de cuidado que considera não apenas o atendimento realizado no serviço de saúde, mas também as relações, os vínculos, a autonomia, o lazer, a cultura, o trabalho, a convivência e os projetos que dão sentido à vida cotidiana.
Texto: Caroliny Pinho/ Ascom Sespa



