Hospital da Mulher do Pará reforça combate à violência contra a mulher
10/10/2026Atendimento humanizado e escuta qualificada são fundamentais para evitar a revitimização e fortalecer a rede de proteção às mulheres
Reconhecer os diferentes tipos de violência contra a mulher, saber onde buscar ajuda e, principalmente, garantir que a vítima seja acolhida sem julgamentos são medidas fundamentais para interromper ciclos de violência. Desde a entrega do Hospital da Mulher do Pará (HMPA), em março de 2025, em Belém, a unidade integra a rede estadual de proteção e atua no atendimento especializado às mulheres, incluindo aquelas em situação de violência sexual e doméstica.
A mobilização ganha ainda mais destaque em outubro, mês que reúne ações de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. O Dia Nacional da Luta contra a Violência à Mulher, celebrado em 10 de outubro, reforça a necessidade de ampliar o debate e informar a população sobre os sinais de violência, os caminhos para buscar ajuda e os serviços disponíveis na rede de proteção.

Para a diretora-geral do HMPA, Nelma Machado, o enfrentamento à violência precisa estar associado ao cuidado e ao respeito à história de cada mulher.
“Falar sobre violência contra a mulher é também falar sobre acolhimento, respeito e garantia de direitos. Em muitas situações, a mulher chega ao serviço de saúde fragilizada, com medo ou sem conseguir verbalizar tudo o que está vivendo. Por isso, é fundamental que ela encontre profissionais preparados para ouvir, orientar e cuidar sem julgamentos. O nosso compromisso é oferecer um atendimento humanizado, seguro e que respeite a autonomia dessa mulher”, destaca Nelma Machado.
A violência contra a mulher nem sempre é visível. Além das agressões físicas, comportamentos de controle, ameaças, humilhações e restrições financeiras também podem fazer parte de um ciclo de violência.
A violência física envolve agressões como bater, empurrar, chutar, segurar a mulher com força ou provocar ferimentos. Já a violência psicológica pode aparecer por meio de humilhações, ameaças, perseguições, controle, isolamento e atitudes destinadas a provocar medo.

A violência sexual ocorre quando a mulher é forçada a manter relações ou realizar práticas sexuais contra a sua vontade, ou quando tem impedido o direito de decidir sobre o próprio corpo.
Também existe a violência patrimonial, caracterizada pelo controle ou retenção de dinheiro e documentos, destruição de objetos ou impedimento do acesso aos próprios bens. A violência moral envolve situações como ofensas, difamações, calúnias e acusações falsas.
Outra forma menos conhecida é a chamada violência vicária, quando o agressor utiliza pessoas, vínculos ou até animais de estimação pelos quais a mulher possui afeto para atingi-la emocionalmente, causando sofrimento como forma de controle ou punição.
Entre os fatores que podem aumentar a vulnerabilidade estão a dependência financeira ou emocional, o isolamento da família e dos amigos, baixa escolaridade, uso abusivo de álcool e outras drogas, histórico de violência e dificuldades de acesso aos serviços de saúde e assistência social. No entanto, esses fatores não justificam a violência e não transferem para a mulher qualquer responsabilidade pela agressão.
Acolhimento – No atendimento a uma mulher em situação de violência, a forma como a equipe conduz a conversa pode ser determinante. Perguntas e comentários sobre seu comportamento ou a exigência de que ela repita diversas vezes uma experiência traumática podem aumentar o sofrimento e desencorajar a busca por ajuda.

“Quando uma mulher procura ajuda, ela não precisa provar que sofreu violência para merecer cuidado. O papel do profissional é acolher, ouvir com atenção, respeitar o tempo daquela mulher e evitar perguntas ou comentários que possam revitalizá-la, fazendo com que ela se sinta novamente responsabilizada pelo que aconteceu. Um atendimento humanizado deve transmitir segurança, preservar a privacidade e explicar cada etapa do cuidado, permitindo que ela compreenda as possibilidades e participe das decisões sobre o próprio atendimento”, destaca a assistente social, Giane de Souza.
No HMPA, o cuidado às mulheres em situação de violência integra assistência em saúde e articulação com a rede de proteção. A unidade conta ainda com recursos que facilitam o acesso à segurança pública, como o totem de autoatendimento da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) Virtual, que possibilita buscar orientação, realizar denúncias e solicitar medidas protetivas com segurança e sigilo. O equipamento integra uma estratégia estadual de ampliação dos canais de acesso à proteção.
“Em situações de violência, a orientação é buscar um local seguro e, quando possível, avisar uma pessoa de confiança. Também é importante manter documentos, medicamentos e contatos necessários acessíveis, desde que isso possa ser feito com segurança”, acrescentou a profissional.
Em situações de emergência ou risco imediato, a orientação é ligar para o 190. A mulher também pode procurar os serviços especializados da rede de atendimento e proteção. É fundamental reforçar que a responsabilidade pela violência é sempre do agressor.
A mulher não precisa enfrentar uma situação de violência sozinha. A rede reúne serviços de saúde, segurança pública, assistência social, Justiça e órgãos especializados, que podem atuar de forma articulada.
Serviços:
Hospital da Mulher do Pará – Av. Gentil Bittencourt, 2175.
Serviço de urgência e emergência 24h para casos de violência sexual e doméstica contra a mulher
* Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher: orientação e encaminhamento para serviços da rede de atendimento.
* 190 – Polícia Militar: em situações de emergência ou risco imediato.
* Iara – WhatsApp: (91) 3210-0181, canal para denúncias
* Ouvidoria da Mulher – SEMU: (91) 99317-1015, para orientações, agendamentos e encaminhamentos. (Governo Federal)
* Secretaria de Estado das Mulheres (SEMU): Av. Governador José Malcher, 2803-A, São Brás, Belém.
* ParáPaz Mulher/DEAM: unidades de atendimento especializado na Região Metropolitana de Belém e no interior do Estado.
* Casa da Mulher Brasileira de Ananindeua: Av. Cláudio Sanders, 28, Centro, com acesso pela Rua Quinta das Carmitas.
* Defensoria Pública do Estado do Pará – NUGEN Mulher
* Ministério Público do Estado do Pará – Núcleo de Enfrentamento à Violência contra a Mulher: (91) 98871-2125.


