Hospital Regional de Redenção realiza dois transplantes renais em sequência e amplia atendimento especializado no Sul do Pará
08/08/2026O Hospital Regional Público do Araguaia (HRPA) localizado em Redenção e vinculado a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), segue fortalecendo assistência de alta complexidade na Região de Integração Araguaia ao realizar, no último dia 1º de agosto, mais dois transplantes renais, desta vez, de forma consecutiva.

Os procedimentos ocorreram a partir de um trabalho coordenado pela Central Estadual de Transplantes (CET) junto a equipe de Transplante Renal do HRPA, após autorização familiar para a doação de órgãos de um paciente em morte encefálica em um serviço de saúde há mais de mil quilômetros do HRPA.
Para o Secretário de Estado de Saúde Pública, Ualame Machado, a realização de procedimentos como o transplante renal em outras regiões do estado, a exemplo do Araguaia, é um importante avanço para a saúde pública. “Esse tipo de procedimento tão importante é possível a partir da união de diferentes esforços. Nesses momentos, termos no HRPA uma equipe especializada e preparada, que atua com competência, responsabilidade e dedicação em todas as etapas do procedimento é fundamental, pois melhor atende os pacientes da região. E além disso, para que o transplante aconteça, também é fundamental o trabalho integrado com a Central de Transplantes, e também reconhecer o gesto de solidariedade da família que, em um momento de dor, decide pela doação de órgãos. Essa decisão representa esperança e a oportunidade de uma nova vida para outros pacientes que aguardam muito por esse momento”, afirmou Ualame Machado.
Logística e procedimento
Segundo Ricardo Arruda, diretor-geral do HRPA, os procedimentos realizados com sucesso foram possíveis dentro de uma corrida contra o tempo, de forma sequenciada e harmônica de várias equipes, que teve no HRPA a conclusão com as cirurgias de dois usuários, um de Xinguara e outro de São Geraldo do Araguaia.

“Em razão do tamanho do estado, não podemos falar de transplante de órgãos sem falar na logística de transporte destes. No Pará, esse trabalho é realizado pelo Grupamento Aéreo de Segurança Pública, que assegura o deslocamento ágil e seguro dos órgãos entre os serviços de saúde. Os rins precisam ser implantados em horas para permitir o sucesso do transplante e para isso os voos ao longo de um estado tão grande precisam ser precisos, rápidos e seguros. Mais uma vez, pudemos contar com os pilotos para levar a vida mais longe”, explicou o diretor.
No HRPA os transplantes exigiram planejamento, agilidade e integração entre diferentes setores do HRPA, desde o acionamento dos pacientes e avaliação clínica destes até a preparação cirúrgica, provisão de medicamentos especializados, execução dos procedimentos e cuidados intensivos pós-operatórios.
A realização de um transplante renal envolve, portanto, uma ampla rede de profissionais e infraestrutura que se articulam em um serviço robusto. O processo inicia desde a assistência direta por médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos, passando pelo suporte de farmacêuticos, laboratório, serviço de imagem, tecnologia da informação e a estrutura administrativa, para que avaliações rápidas e decisões extremamente sérias ocorram com maior naturalidade e dentro do tempo necessário.

O lavrador Lucas de Souza Ferreira, 29 anos, morador Xinguara, viveu um dos momentos mais importantes de sua vida ao receber a oportunidade de realizar o transplante renal após quatro anos e sete meses fazendo hemodiálise no HRPA. O paciente vivia uma rotina marcada por desafios, ao precisar realizar o deslocamento entre Xinguara e Redenção três vezes por semana, a fim de realizar as sessões de hemodiálise.
“Para mim não foi fácil. Além do tratamento, tinha toda a logística de viajar três vezes por semana. Minha família sofreu muito junto comigo. Meu pai chegou a enfrentar episódios de depressão por causa da minha situação. E agora, receber esse rim representa um recomeço. Hoje eu tenho esperança de voltar a viver com mais liberdade. O meu maior sonho é poder fazer uma viagem e aproveitar a vida de uma forma que antes parecia impossível”, assim Lucas celebra o recomeço proporcionado pelo transplante.

Outro paciente beneficiado foi Josivan da Costa Pereira, de 44 anos, morador de São Geraldo do Araguaia (PA), o qual realizava diálise há 7 anos. Agora, após a realização do transplante, o paciente relembra o processo para chegar até aqui. “Esperei por esse momento durante muitos anos. A gente aprende a valorizar cada dia e nunca perde a esperança. Hoje sinto que Deus está me dando uma nova chance.”
Entre os sonhos que pretende realizar após a recuperação, há um desejo especial que representa a retomada da liberdade. “Quero assistir à final da Libertadores e ver o Flamengo disputar o título. Parece simples para muita gente, mas para mim significa voltar a sonhar e poder viver momentos que a doença me impediu de aproveitar”, disse Josivan após realizar o procedimento.
A conquista também representa uma transformação para toda a família. Durante os sete anos de tratamento, a esposa de Josivan, Maria Pereira, acompanhou de perto cada etapa dessa caminhada, marcada por desafios, renúncias e esperança. “A doença renal impacta não apenas o paciente, mas toda a família, que reorganiza sua rotina em função do tratamento. Então hoje só consigo agradecer. Agradeço a Deus, à família do doador por esse gesto de amor tão grande e a toda a equipe do HRPA, que cuidou do meu esposo durante todos esses anos. Esse transplante representa uma nova oportunidade de vida para ele e para todos nós. Voltei a sonhar com o dia em que veremos o Josivan vivendo sem depender da máquina, podendo trabalhar, viajar e realizar o sonho de assistir a uma final da Libertadores do Flamengo. É como se a nossa família também estivesse recebendo uma segunda chance.”
De acordo com o gerente da Linha de Cuidados Renais do HRPA, Dr. Giordano Ginani, a realização dos transplantes demonstra a força do trabalho integrado desenvolvido pela instituição.
“Realizar dois transplantes renais consecutivos é um grande desafio e exige de toda a instituição planejamento, prontidão, agilidade e precisão. Não há espaço para atrasos ou falhas, pois temos o tempo contra nós. Mantermos a equipe treinada e se comunicando de forma fluida é essencial. Como sempre estamos à espera de uma oferta, vemos esse momento como a recompensa pelo estado de alerta constante. No HRPA podemos ver o resultado do trabalho duro e coordenado em momentos como esse e ter a alegria de ver que o produto desse esforço coletivo impacta tanto a vida das pessoas. Isso é muito gratificante.”
Referência em nefrologia
O HRPA é referência em nefrologia para os municípios da Região de Integração Araguaia, oferecendo assistência especializada aos pacientes com doença renal crônica e apto a realizar procedimentos de alta complexidade, como o transplante renal.
A realização dos dois transplantes consecutivos reforça o compromisso da instituição com a população do sul do Pará e evidencia a importância da atuação integrada entre equipes assistenciais, serviços de apoio, logística especializada e doação de órgãos para ampliar o acesso a tratamentos de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Mais do que procedimentos cirúrgicos, os transplantes permitem a ressignificação da dor de uma família e um novo ponto de partida para muitas outras. A doação de órgãos permite que a vida siga seu caminho, às vezes tão distante, mas sempre com o poder transformador de um recomeço. Histórias como as de Lucas e Josivan, demonstram que, por trás de cada transplante realizado, existe uma ampla rede de profissionais e instituições comprometidas em transformar vidas por meio da solidariedade, da ciência e do cuidado humanizado.
Em 2025, o HRPA realizou 04 transplantes de rim. Em 2026, até o momento, também foram realizados 4 procedimentos.
Serviço: O HRPA que integra a rede assistencial do Sistema Único de Saúde (SUS), vinculado a Sespa, funciona com serviço de urgência e emergência 24h e está localizado na Avenida Brasil, 4244, no bairro Parque dos Buritis, no município de Redenção.
Texto: Roberta Meireles



