Na hemodiálise, alimentação também faz parte do tratamento na Policlínica Lago de Tucuruí
31/08/2026“A alimentação é parte do cuidado de quem realiza diálise. Quando adequada às necessidades do paciente, ajuda a manter o organismo mais equilibrado, reduz o risco de complicações e contribui para preservar o estado nutricional, a massa muscular, a disposição e a imunidade”, explicou a nutricionista.
Segundo a profissional, alguns nutrientes exigem atenção especial durante o tratamento, como sódio, potássio e fósforo. “O sódio favorece a retenção de líquidos e aumenta a sede. O potássio, quando elevado no sangue, pode provocar alterações cardíacas importantes, enquanto o fósforo, em excesso, pode causar alterações ósseas e cardiovasculares. Por isso, não se trata simplesmente de retirar alimentos da dieta, mas de entender o que cada paciente realmente precisa controlar”, afirmou Alynny. O consumo de líquidos precisa ser acompanhado. A quantidade indicada varia de acordo com a produção de urina, o ganho de peso entre as sessões de hemodiálise e as condições do paciente. “O excesso de líquidos pode provocar inchaço, falta de ar, aumento da pressão arterial e sobrecarga do coração. Nesse controle, não entra apenas a água: sucos, café, leite, sopas, gelo e outras preparações também precisam ser considerados”, orientou.
*Mais orientação, menos proibição*
Entre os desafios enfrentados pelos pacientes está a percepção de que a hemodiálise exige abandonar diversos alimentos. Para Alynny, esse pensamento pode levar a restrições desnecessárias e comprometer o estado nutricional. “Um dos erros mais comuns é acreditar que o paciente precisa simplesmente parar de comer diversos alimentos. Vemos o consumo excessivo de industrializados, que geralmente têm muito sódio e fósforo, dificuldade no controle dos líquidos e, em alguns casos, ingestão insuficiente de proteínas e calorias, o que pode favorecer perda de peso e de massa muscular”, ressaltou.
A nutricionista lembra que até alimentos considerados saudáveis podem exigir atenção durante o tratamento. Banana, laranja, água de coco e abacate, por exemplo, podem precisar de controle conforme os níveis de potássio. Leite, derivados, castanhas e algumas sementes também podem exigir adequações devido ao fósforo.
O cuidado nutricional, no entanto, não deve transformar a alimentação em uma lista de proibições. O acompanhamento considera exames, condição clínica, rotina, hábitos alimentares, renda e a cultura alimentar da família. “Não adianta entregar uma dieta perfeita no papel se ela não for possível de seguir na vida real. Conhecemos a rotina do paciente, os alimentos que ele costuma consumir e sua realidade financeira e familiar para fazer adaptações possíveis. O objetivo é cuidar da saúde sem fazer com que a pessoa abandone completamente seus hábitos”, explicou a nutricionista.
Nesse processo, a participação da família também pode fazer diferença. Além de auxiliar na compra e no preparo das refeições, familiares e cuidadores podem contribuir para que as mudanças sejam adotadas com mais facilidade no dia a dia. “A família deve participar de forma positiva, ajudando nas escolhas e na organização da alimentação, e não apenas fiscalizando o que o paciente pode ou não comer”, pontuou Alynny.
Para quem começou recentemente a hemodiálise e ainda está se adaptando às novas orientações, Alynny deixa uma recomendação: evitar restrições por conta própria e manter diálogo constante com a equipe de saúde. “É normal ter muitas dúvidas no início. A alimentação do paciente renal não deve ser vista apenas como uma lista de proibições. Existem muitas possibilidades de escolhas e preparações adequadas. Com orientação e acompanhamento, o paciente consegue aprender a se alimentar melhor, manter seu estado nutricional e participar ativamente do próprio tratamento”, concluiu.



