Psicologia hospitalar transforma escuta em parte essencial do tratamento no Hospital Galileu
26/08/2026A recuperação de um trauma não se limita ao tratamento das lesões físicas. Um acidente, uma cirurgia ou uma internação prolongada podem modificar repentinamente a autonomia, a rotina, o trabalho e os projetos de vida de uma pessoa. No Hospital Público Estadual Galileu (HPEG), em Belém, referência em trauma e ortopedia, a Psicologia Hospitalar integra a assistência multiprofissional e contribui para que pacientes e familiares enfrentam as repercussões emocionais desse processo.
No Dia do Psicólogo, celebrado em 27 de agosto, a unidade chama atenção para a importância da saúde mental no ambiente hospitalar. O acompanhamento oferece um espaço de escuta qualificada e acolhimento diante de sentimentos como medo, ansiedade, tristeza, insegurança e angústia, que podem surgir desde a chegada ao hospital até a preparação para a alta.
Para a diretora-executiva do Hospital Galileu, Paula Narjara, também psicóloga, reconhecer as necessidades emocionais do paciente é indispensável para oferecer uma assistência verdadeiramente integral. “Em uma unidade especializada no atendimento a pacientes vítimas de traumas, sabemos que as consequências de um acidente ou de uma condição ortopédica ultrapassam a dimensão física. O cuidado psicológico ajuda o paciente e sua família a enfrentarem esse momento com mais segurança e acolhimento. No Hospital Galileu, valorizamos essa atuação integrada, que coloca o ser humano no centro da assistência e fortalece o nosso compromisso com um atendimento cada vez mais humanizado”, afirma a gestora.
Trauma – A psicóloga hospitalar Evelyn Cunha, o trauma pode representar uma ruptura importante na trajetória de vida. Em poucos instantes, uma pessoa que realizava normalmente suas atividades pode passar a conviver com dor, restrições de mobilidade, dependência de terceiros e incertezas relacionadas à recuperação.
“A atuação do psicólogo em um hospital de referência em trauma e ortopedia é fundamental porque o processo de adoecimento e hospitalização não envolve apenas alterações físicas. Um trauma, um acidente ou uma cirurgia pode representar uma ruptura importante na vida do paciente, interferindo em sua autonomia, rotina, trabalho, relações familiares e projetos de vida”, explica.
Entre as principais demandas identificadas durante a internação estão ansiedade, medo, tristeza, angústia, insegurança em relação ao tratamento e ao prognóstico, além das dificuldades de adaptação às limitações físicas. Alguns pacientes também precisam lidar com alterações na imagem corporal, perda temporária ou permanente da autonomia e preocupação com o retorno à vida familiar e profissional.
Evelyn ressalta que cada pessoa vivencia a hospitalização de maneira singular. Por isso, não existe uma resposta emocional única nem um perfil específico que determine a necessidade de acompanhamento. “Situações que envolvem mudanças importantes na autonomia, limitações funcionais, alterações na imagem corporal, tratamentos prolongados, complicações clínicas ou grande impacto na vida familiar e profissional podem demandar uma atenção psicológica mais frequente. O papel do psicólogo é justamente oferecer uma escuta qualificada para essa singularidade”, destaca.
Participação no tratamento
O acompanhamento psicológico também pode favorecer a participação do paciente no tratamento. Ao encontrar um ambiente seguro para expressar dúvidas, medos, expectativas e angústias, ele pode desenvolver estratégias mais adequadas para enfrentar a hospitalização e compreender as mudanças provocadas pelo adoecimento.
A psicóloga observa, no entanto, que a adesão ao tratamento não deve ser entendida apenas como o cumprimento de orientações. “Adesão não significa simplesmente obedecer. Significa compreender o processo, participar das decisões possíveis, reconhecer as próprias dificuldades e construir, junto à equipe, condições para enfrentar o tratamento da melhor maneira possível”, pontua Evelyn.
A atuação ocorre de forma articulada com médicos, profissionais de Enfermagem, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e demais integrantes da equipe multiprofissional. Essa integração permite considerar o paciente em suas dimensões física, emocional e social, sem substituir os demais cuidados necessários.
Acolhimento às famílias
O impacto emocional da hospitalização também alcança familiares e acompanhantes. Além da preocupação com o estado de saúde do paciente, a família pode precisar reorganizar a rotina, administrar responsabilidades financeiras e domésticas e enfrentar a ansiedade provocada pelas incertezas do tratamento.
Nesse contexto, a Psicologia oferece acolhimento e auxilia na comunicação com o paciente, na reorganização da dinâmica familiar e no enfrentamento das dificuldades que surgem durante a internação. “A família também vivencia um processo de hospitalização. Quando conseguimos acolher quem acompanha o paciente, ampliamos a qualidade da assistência oferecida”, reforça Evelyn Cunha.
No Hospital Galileu, os atendimentos psicológicos são registrados e acompanhados institucionalmente e abrangem acolhimentos, avaliações, acompanhamentos de pacientes, intervenções com familiares e articulações com a equipe multiprofissional.



