Seminário na Sespa aborda aspectos da campanha “Novembro Azul”

Seminário na Sespa aborda aspectos da campanha “Novembro Azul”

06/11/2026 Off Por Mozart Lira

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) realizou o seminário alusivo à campanha “Novembro Azul, ao reunir mais de 100 profissionais de saúde nesta sexta-feira (06), no auditório da Secretaria, em Belém. No evento houve debate sobre aspectos da prevenção e promoção dos cuidados integrais com a saúde do homem, visando reverter estatísticas que apontam a indiferença masculina em relação à prevenção de doenças e, ao mesmo tempo, a mortalidade por agravos que poderiam ser evitados.

Maisa Moreira Gomes, coordenadora da Referência Técnica de Políticas de Morbimortalidade por Acidentes e Violência da Sesma

Com o tema “A importância do autocuidado”, a campanha deste ano destaca o cuidado contínuo em todas as fases da vida dos homens e a intensificação de mensagens de incentivo para que eles procurem assistência nas Unidades Básicas de Saúde espalhadas pelo Pará, que são as portas de entrada para atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Simultaneamente, a campanha Novembrinho Azul contempla adolescentes de 15 a 19 anos ao enfatizar a vacinação contra HPV, a investigação precoce de dores testiculares e aumento de volume da bolsa escrotal, diagnóstico e tratamento preventivo de condições que sejam fatores de risco para doenças na vida adulta e o incentivo à capacitação de profissionais do SUS para atender a essa faixa etária.

Na abertura do seminário, o coordenador de Saúde do Homem da Sespa, Andrei Porpino, traçou um panorama sobre o assunto, ao lembrar que a campanha, pelo menos nos últimos quatro anos, não mais se restringe à prevenção do câncer de próstata. “Essa associação exclusiva entre o mês de novembro e um único agravo produz três efeitos indesejados. Primeiro, restringe a agenda da saúde do homem a um recorte etário e clínico reduzido, deixando de fora os adolescentes e adultos jovens. Esse equívoco contraria os atributos essenciais da Atenção Primária em Saúde (APS). Ademais, reforça a ideia de que a promoção da saúde masculina é um evento anual e não uma prática cotidiana”, reforçou.

O enfermeiro e assessor técnico da Coordenação Nacional de Saúde do Homem do Ministério da Saúde, Yuri Trezzi,

Na sequência, o enfermeiro e assessor técnico da Coordenação Nacional de Saúde do Homem do Ministério da Saúde, Yuri Trezzi, explicou que a prevenção e o diagnóstico precoce são as maiores ferramentas para garantir uma vida mais longa e saudável. Nosso papel, enquanto gestores de saúde, é conscientizar e incentivar essa população a adotar uma atitude preventiva, não só em relação ao câncer de próstata, mas também para outras doenças que afetam gravemente os homens, como as doenças cardiovasculares, o câncer bucal e as doenças sexualmente transmissíveis”, explicou.

Em função desse cenário, a Sespa recomenda a intensificação das mobilizações a partir dos agentes comunitários de saúde, para aproximar a população masculina dos serviços de saúde mantidos pelos municípios e criar um vínculo com aqueles que, em geral, apresentam forte resistência antes de procurar assistência médica.

Durante o seminário, o médico do consultório do homem instalado no Postão do Jurunas, Heraldo Hebert, frisou que a melhor maneira de mudar esse olhar é desenvolver ações inclusivas, nas quais os homens considerem os serviços de saúde também como espaços masculinos.

Em Belém, a Prefeitura de Belém oferece o Consultório do Homem,  um serviço voltado à Atenção Primária com atendimento em horários alternativos (noturnos) para facilitar o acesso de quem trabalha durante o dia. Os serviços estão disponíveis no Postão do Jurunas, às segundas e quintas-feiras, de 17 às 22 horas, e no Postão de Icoaraci, sempre às quartas-feiras, de 18 às 21 horas.  Nesses locais são oferecidos consultas médicas, exames preventivos, acompanhamento de hipertensão e diabetes, testes rápidos para ISTs, vacinação e orientações gerais.

O médico do consultório do homem instalado no Postão do Jurunas, Heraldo Hebert

Um dos enfermeiros participantes do seminário, Guilherme Pavão, destacou que as prefeituras precisam aperfeiçoar políticas públicas de forma que a identificar homens que não frequentam a UBS. “No sentido de conversar com eles em seus territórios e explicar a importância do cuidado contínuo, durante todo o ano, e não apenas no Novembro Azul, e orientar sobre exames de rotina, aferição de pressão e controle de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão.

O seminário ainda contou com as palestras do médico Carlos Arthur Holanda, do Programa Melhor em Casa, da Secretaria de Saúde de Belém (Sesma), e de Maisa Moreira Gomes, coordenadora da Referência Técnica de Políticas de Morbimortalidade por Acidentes e Violência da Sesma.

Fotos: José Pantoja (Ascom/Sespa)