Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré visita Hospital Oncológico Infantil e encerra programação do Círio na unidade
27/10/2026
Pacientes, familiares, profissionais e voluntários participaram da missa de encerramento do Círio no Hoiol
A visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré ao Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol), em Belém, marcou, nesta terça-feira (27), o encerramento da programação do Círio de Nazaré na unidade hospitalar. O momento reuniu pacientes, acompanhantes, profissionais de saúde e voluntários em uma celebração religiosa conduzida pelo padre Evandro Favacho. A iniciativa é realizada em parceria com a Basílica Santuário de Nazaré e integra as ações de humanização voltadas ao acolhimento de crianças e adolescentes em tratamento oncológico e de suas famílias.

A Imagem Peregrina percorreu diversos setores do Hospital
A programação levou para dentro do hospital uma das principais manifestações da religiosidade paraense, especialmente para aqueles que, em razão das condições de saúde, não conseguem participar das procissões e celebrações realizadas nas ruas da capital. No Hoiol, a imagem percorreu todos os andares e visitou os leitos. A celebração também contou com a participação das crianças em uma corda simbólica, em alusão à corda do Círio, recriando um dos elementos mais tradicionais da procissão e aproximando os pequenos da manifestação religiosa.
Segundo Natacha Cardoso, coordenadora de Humanização, as atividades alusivas ao Círio começam no início de outubro e incluem momentos de acolhimento destinados a diferentes públicos da instituição. “É uma programação que acontece em diferentes momentos ao longo do mês. Começamos com as atividades de abertura e promovemos momentos de acolhimento para os nossos colaboradores, inclusive aqueles que trabalham no período noturno e que, muitas vezes, não conseguem participar das celebrações realizadas durante o dia. A missa de encerramento representa um momento muito importante, porque reúne pacientes, familiares, profissionais e voluntários em torno de uma tradição que faz parte da identidade do povo paraense”, destacou a coordenadora, ressaltando também o acolhimento religioso semanal realizado na unidade e que envolve diferentes denominações religiosas.

Crianças atendidas pelo Hoiol participaram de uma atividade com corda simbólica
Fé e acolhimento durante o tratamento – A coordenadora explica ainda que a fé pode contribuir para o bem-estar, ajudar a lidar com a ansiedade e o estresse e fortalecer os vínculos entre pacientes, familiares, profissionais e voluntários. “Enquanto equipe de Humanização, é muito significativo acompanhar a emoção das crianças, dos familiares e dos nossos profissionais durante a visita. A fé, para aqueles que a vivenciam, pode representar uma fonte de esperança, conforto e fortalecimento diante das dificuldades. É importante ressaltar que ela não substitui o tratamento médico, mas pode atuar como uma forma complementar de apoio emocional e espiritual”, afirmou Natacha.
O hospital também mantém atividades de assistência religiosa ao longo de todo o ano, com a participação de diferentes grupos e denominações. A iniciativa busca garantir que pacientes e acompanhantes tenham acesso ao acolhimento espiritual de acordo com suas crenças, em consonância com o caráter laico do Estado brasileiro. Entre as ações permanentes está a atuação de voluntários ligados à Guarda de Nazaré, além de representantes de outras comunidades religiosas. As atividades integram o calendário de humanização da unidade e ajudam a reduzir o isolamento emocional que pode acompanhar os períodos prolongados de tratamento.

O voluntário Elton Sacramento participa da programação desde 2018
Voluntariado – Integrante do grupo Regaço Acolhedor, o voluntário Elton Sacramento participa anualmente da organização da programação do Círio no Hoiol. Segundo ele, o grupo desenvolve esse trabalho desde 2018, em parceria com o padre Evandro Favacho, com o objetivo de renovar a esperança e fortalecer a fé das famílias que enfrentam os desafios do tratamento oncológico.
“Sinto uma gratidão imensa por participar, pois entendo que somos instrumentos para que esse momento aconteça. Cada voluntário oferece um pouco do seu tempo e da sua dedicação para proporcionar acolhimento às famílias que estão enfrentando uma realidade muito difícil. O tratamento contra o câncer exige força, paciência e uma reorganização da vida familiar, e sabemos que a fé representa um apoio importante para muitas dessas pessoas”, afirmou Elton.

Jamilly Barata acompanha o tratamento da filha, Pérola, de 7 anos, e destaca a importância da fé em Maria
Tradição religiosa – Para Jamilly Barata, mãe de Pérola, de 7 anos, a visita da Imagem Peregrina tem um significado especial para a família. A menina enfrenta, desde os 2 anos de idade, um neuroblastoma, um tipo de câncer que se desenvolve a partir de células nervosas imaturas. Sempre que as condições de saúde da criança permitem, a família acompanha a programação do Círio na unidade.
“Já são cinco anos de tratamento e de muitas experiências diferentes. É uma caminhada em que cada dia tem uma realidade. Tem dias em que ela está bem, mais disposta, e outros em que precisa de mais cuidados. Como mãe, a gente aprende a viver um dia de cada vez, sempre tentando encontrar forças para continuar e dar todo o apoio de que ela precisa. A fé é muito importante nesse processo, porque ajuda a gente a manter a esperança diante de uma doença tão complexa”, afirmou.
Embora seja devota de Nossa Senhora de Nazaré e costume participar das procissões, neste ano Jamilly precisou adaptar a rotina em razão da recuperação da criança após um transplante. A mãe explica que, após o procedimento, Pérola precisa de cuidados específicos e deve evitar grandes aglomerações enquanto segue as orientações da equipe de saúde.
“Mesmo sem conseguir participar de todas as procissões como eu gostaria, tenho a oportunidade de estar perto de Nossa Senhora e viver esse momento com a minha filha. Cada visita é diferente, e a emoção continua sendo muito forte. A gente renova a fé, faz as nossas orações e pede que ela continue nos dando força para enfrentar tudo o que ainda temos pela frente”, afirmou Jamilly.
Calendário de humanização – A visita da Imagem Peregrina e a missa de encerramento fazem parte de uma programação que busca ampliar as possibilidades de acolhimento dentro do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo. A iniciativa envolve profissionais da instituição, voluntários, representantes religiosos e familiares, que compartilham o espaço de celebração durante o período do Círio.
O trabalho desenvolvido com a participação do grupo Regaço Acolhedor ocorre há oito anos. Ao longo desse período, as atividades passaram a integrar o calendário da unidade, com ações destinadas a pacientes, acompanhantes e colaboradores. Para a diretora-geral Sara Castro, a iniciativa oferece apoio emocional e espiritual, respeitando a diversidade de crenças e mantendo o tratamento médico como prioridade.

A diretora-geral do Hoiol, Sara Castro, ressaltou a importância de iniciativas de humanização
“Receber a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré em nosso hospital é uma oportunidade de proporcionar acolhimento e conforto às crianças, adolescentes e seus familiares. Sabemos que o tratamento oncológico envolve desafios que vão além dos cuidados clínicos, e, por isso, valorizamos iniciativas que contribuam para o bem-estar emocional e espiritual dos pacientes. Agradecemos à Basílica Santuário de Nazaré, aos voluntários e a todos os parceiros que tornam esse momento possível e ajudam a trazer o Círio para dentro do Hoiol”, concluiu a gestora.
Serviço – Credenciado como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), o Hoiol é referência na região amazônica no diagnóstico e tratamento especializado do câncer infantojuvenil, na faixa etária de 0 a 19 anos. A unidade é gerenciada pelo Instituto Diretrizes (ID), sob contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).
Texto e fotos: Ascom/Hoiol


