Hospital de Clínicas Gaspar Vianna realiza capacitação sobre manejo clínico da Doença de Chagas

Hospital de Clínicas Gaspar Vianna realiza capacitação sobre manejo clínico da Doença de Chagas

28/02/2026 Off Por ASCOM

Evento reuniu profissionais da saúde de forma presencial e remota e reforçou a importância do diagnóstico precoce e do manejo adequado da doença

Foto: Divulgação

O Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HC), em Belém, realizou nesta quarta-feira (26) uma capacitação sobre o manejo clínico da Doença de Chagas. A ação reuniu 40 participantes presencialmente e outros 101 de forma online, entre médicos, enfermeiros, profissionais da equipe multiprofissional e representantes de núcleos de vigilância de municípios paraenses.

O objetivo foi fortalecer o conhecimento técnico das equipes de saúde sobre diagnóstico, tratamento e monitoramento da doença, com foco na identificação precoce e na prevenção de complicações, principalmente as cardíacas, uma das principais consequências da infecção na fase crônica.

A programação contou com palestras de especialistas do próprio hospital, da vigilância epidemiológica e do Instituto Evandro Chagas, referência nacional em pesquisas em saúde pública.

Diagnóstico precoce reduz riscos

A responsável técnica pelo Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar do HC, Virgília Fumian, destacou o papel estratégico da unidade na identificação da doença, especialmente por ser referência em cardiologia e estar localizada em região endêmica.

“O Hospital de Clínicas Gaspar Vianna é uma referência cardiológica e recebe muitos pacientes com comprometimento cardíaco. Em diversos casos, esses quadros podem estar associados à Doença de Chagas, principalmente na fase crônica, que pode causar comprometimentos permanentes no coração”, explicou.

Segundo ela, quando o diagnóstico ocorre tardiamente, o risco de complicações cardíacas permanentes pode atingir até 40% dos pacientes ao longo da vida. Já na fase aguda, com tratamento iniciado de forma adequada, as chances de complicações diminuem significativamente. “Nosso maior objetivo é sensibilizar os profissionais sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento oportuno, seguindo os protocolos do Ministério da Saúde. Isso permite reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, ressaltou Virgília.

A profissional também destacou a parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Belém e com laboratórios de referência para garantir diagnóstico e acompanhamento adequados.

Capacitação fortalece assistência

A médica infectologista Ana Yece, pesquisadora do Instituto Evandro Chagas, reforçou que o preparo das equipes é fundamental para evitar complicações graves.

“O mais importante é o diagnóstico precoce. Quando os profissionais estão capacitados e atentos à suspeita da doença, é possível identificar os casos mais rapidamente e iniciar o tratamento, reduzindo significativamente o risco de complicações cardíacas e até de óbito”, afirmou.

Para ela, a qualificação contínua melhora diretamente a assistência prestada à população. “A capacitação das equipes é fundamental para que os profissionais estejam preparados para reconhecer os sinais da doença e agir de forma rápida e eficaz”, acrescentou.

Vigilância e controle da transmissão

O enfermeiro Carlos Gustavo Paes, referência técnica em Doença de Chagas, destacou o papel dos núcleos de vigilância epidemiológica hospitalar na identificação e controle dos casos.

“Os núcleos de vigilância hospitalar têm um papel fundamental na identificação dos casos, principalmente em hospitais de referência cardiológica, já que uma das principais complicações da doença de Chagas é o comprometimento do coração”, explicou.

Ele ressaltou que, após a confirmação, é possível investigar a origem da infecção e adotar medidas para interromper a cadeia de transmissão. “Com o diagnóstico confirmado, conseguimos investigar a fonte de infecção e identificar possíveis casos relacionados, reduzindo o risco de surtos”, afirmou.

Atenção às complicações cardiológicas

A médica cardiologista do HC, Dilma Souza, alertou para os riscos ainda na fase aguda da doença. “Na fase aguda da Doença de Chagas, cerca de 5% dos pacientes podem apresentar inflamação no coração, chamada miocardite. Isso pode transformar o paciente em um cardiopata e, em casos mais graves, levar ao óbito”, destacou.

Segundo ela, o treinamento das equipes permite identificação mais rápida da doença e início imediato do tratamento, reduzindo riscos e complicações.

A capacitação também abordou protocolos clínicos, fluxos de atendimento e dados epidemiológicos atualizados, fortalecendo a integração entre assistência hospitalar, vigilância epidemiológica e instituições de pesquisa.

A iniciativa reforça o compromisso do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna com a qualificação permanente dos profissionais e com a melhoria da assistência à população, contribuindo para o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e o controle da Doença de Chagas no Pará.

Texto: Jonas Vila (Ascom HC)