Hospital de Clínicas realiza no Ver-o-Peso mais de 350 testes para verificação da função renal
12/03/2026Uma ação destinada à prevenção e conscientização sobre saúde ocorreu na manhã desta quinta-feira (12), como parte da programação alusiva ao Dia Mundial do Rim, celebrado sempre na segunda quinta-feira do mês de março. A mobilização foi realizada no tradicional Mercado Ver-o-Peso, em Belém, pelo Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, em parceria com a Sociedade Brasileira de Nefrologia. Mais de 350 testes para verificação da função renal foram realizados na ação.

Foto: João Caio / Ag. Pará
Neste ano, a campanha nacional tem como tema “Cuidar de pessoas e proteger o planeta”, destacando a importância da prevenção das doenças renais e do diagnóstico precoce.
A população teve acesso a testes rápidos de creatinina, além de aferição de pressão arterial, teste de glicemia e orientações com equipe multiprofissional de saúde. Foram ofertados 500 testes rápidos de creatinina nas ações realizadas pelo HC em três dias da programação elaborada para marcar o Dia Mundial do Rim.
O exame de creatinina é um dos principais indicadores da função renal, pois mede uma substância eliminada pelos rins. Quando os níveis estão elevados, pode indicar que os rins não estão filtrando o sangue adequadamente, sendo um importante parâmetro para avaliar a saúde renal.
Alcance – A coordenadora do Serviço de Nefrologia do Hospital de Clínicas, Ana Lydia Cabeça, explicou que a escolha do Ver-o-Peso foi estratégica para alcançar pessoas que, muitas vezes, não procuram os serviços de saúde.

Foto: João Caio / Ag. Pará Ana Lydia Cabeça
“Nós escolhemos o Ver-o-Peso para essa ação porque entendemos que a população, aqui, muitas vezes é carente de atenção e saúde, e está muito voltada para o trabalho, e às vezes não se dedica a procurar um cuidado. É uma ação multiprofissional, na qual vamos dosar a creatinina no sangue para avaliar a função renal. É muito importante fazer esse check-up para avaliar a função renal pelo menos uma vez por ano, para saber como está a saúde dos rins. Pessoas com pressão alta, diabetes, doença do coração, idade avançada ou uso abusivo de medicamentos, como anti-inflamatórios, são pessoas de risco para ter doença renal. E ela é silenciosa na maior parte da evolução. Muitas pessoas têm essas condições, têm problema renal e não sentem nada. Só vão perceber em fases muito avançadas, quando precisam de tratamentos mais intensos, como a diálise ou o transplante renal. O que queremos é evitar que as pessoas cheguem nessa fase avançada. Isso é ruim para a pessoa, e até para a saúde do planeta, porque tratamentos avançados consomem muita água e muito plástico, enquanto a prevenção não consome nada disso”, ressaltou a especialista.
Entre os participantes estava a artesã Rejane Costa, 58 anos, que trabalha no Solar da Beira. Ela decidiu participar da ação ao saber dos exames disponíveis no local, e contou que a saúde dos rins é um tema que acompanha a história da família. “Quando eu cheguei já tinha esse movimento. Um funcionário falou desses exames que iam ter, principalmente para saber a questão do rim. Aí eu vim para a fila porque por mais que a gente beba água, a gente não sabe se o rim está sendo bem hidratado ou não. O meu esposo fez durante oito anos hemodiálise, e chegou a fazer transplante. Hoje, também pela idade, a gente tem que cuidar da saúde”, relatou.

Foto: João Caio / Ag. Pará Rejane Costa
Outro participante foi o engenheiro civil e professor Edilberto Abreu, 61 anos, que é hipertenso. Durante a triagem, o teste rápido de creatinina indicou taxa de filtração renal de 55. Valores abaixo de 60 mililitros por minuto podem indicar comprometimento da função renal, o que exige investigação mais detalhada.
Segundo o professor, “é sempre bom fazer um check-up. Participar dessas ações de saúde é importante para verificar como está o estado clínico. A pressão deu um pouquinho alterada e o rim também apareceu um pouco alterado. Fui bem atendido. Ações como essa precisam acontecer sempre, principalmente em áreas vulneráveis, onde muitas pessoas não têm acesso ao sistema de saúde. Eu sou hipertenso e faço um check-up geral todo ano para verificar como está a saúde”.

Foto: João Caio / Ag. Pará Edilberto Abreu
Encaminhamento e orientações – Com a identificação de alterações na pressão arterial ou nos níveis de glicemia, os participantes foram encaminhados à equipe multiprofissional. Já quando o teste indicou taxa de filtração renal abaixo de 60, o participante foi direcionado para avaliação médica.
Nesses casos, a pessoa recebeu um voucher para realizar o exame laboratorial de creatinina em um laboratório parceiro, já que o realizado no local é um teste rápido de triagem. Caso o resultado confirme alteração, o laboratório comunicará ao Hospital, que entrará em contato com o paciente para encaminhamento à rede de saúde.
Ações educativas – Além da mobilização no Ver-o-Peso, o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna promoveu atividades educativas, ao longo da semana, no Serviço de Ambulatório Médico e no próprio HC. Entre as iniciativas, profissionais ofereceram orientações e realizaram uma encenação teatral educativa, voltada a pacientes e acompanhantes, abordando hábitos saudáveis e prevenção da doença renal.
Durante as atividades no Ambulatório, 98 testes rápidos de creatinina foram realizado. Nove pessoas apresentaram taxa de filtração renal abaixo de 60, o que representa cerca de 10% dos participantes, indicando necessidade de investigação mais detalhada da função renal. Na ação realizada no Ver-o-Peso, mais de 50 pessoas apresentaram taxa de filtração renal abaixo de 60.

Foto: João Caio / Ag. Pará
Alerta – A enfermeira Hosana de Carvalho, responsável pelo Programa de Nefrologia no Ambulatório, disse que a conscientização é fundamental para evitar o avanço silencioso da doença. “Essa ação é uma forma de chamar a atenção das pessoas que estão levando a sua vida e que, no dia a dia, esquecem de tomar água, comem muito sal, deixam de fazer atividade física. A doença renal pode estar ali, instalada, silenciosa, e se desenvolvendo sem que a pessoa perceba. Por isso, chamamos atenção para a importância de ingerir líquidos, praticar atividade física, manter uma alimentação saudável e adotar hábitos de vida que ajudem a preservar a saúde dos rins”, explicou.

Foto: João Caio / Ag. Pará
A coordenadora do Serviço de Ambulatório Médico do Hospital, enfermeira Jaciara Cruz, ressaltou que a iniciativa também visa identificar precocemente pacientes que ainda não sabem que têm doença renal. “Como somos referência no Estado em Cardiologia, Nefrologia e Psiquiatria, é importante que todos venham participar. Já temos pacientes que são renais crônicos, mas o nosso objetivo com essa ação é fortalecer a prevenção e identificar pessoas que ainda não sabem que têm doença renal crônica, para que possam iniciar o tratamento aqui conosco. É uma porta que se abre e uma oportunidade de acesso à saúde renal”, reforçou.

Foto: João Caio / Ag. Pará
A doença renal crônica pode evoluir por anos sem sintomas aparentes. Por isso, exames simples e acompanhamento médico regular são fundamentais para detectar alterações precocemente e evitar complicações mais graves.
Por Lucila Pereira (HC)

