Hemopa amplia acesso a tratamento inovador da doença falciforme

Hemopa amplia acesso a tratamento inovador da doença falciforme

19/06/2026 Off Por ASCOM

Referência estadual no atendimento hematológico, instituição acompanha 1.150 pacientes no Pará e promove programação especial de conscientização sobre a doença

Foto: Raíssa Maciel – Ascom/Hemopa

A doença falciforme pode provocar dores intensas, internações frequentes e complicações graves desde os primeiros meses de vida. Neste Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme, celebrado em 19 de junho, a Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa) reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento especializado, além de destacar a ampliação do acesso à eritrocitaférese, tecnologia inédita na Região Norte ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Considerada a doença genética hereditária mais comum do Brasil, a doença falciforme afeta entre 60 mil e 100 mil pessoas no país. O diagnóstico é realizado principalmente por meio do Programa Nacional de Triagem Neonatal, conhecido como Teste do Pezinho, exame oferecido pelo SUS nos primeiros dias de vida do bebê. A identificação precoce permite o início do acompanhamento especializado antes do surgimento de complicações graves.

Referência estadual no atendimento hematológico e hemoterápico, o Hemopa acompanha atualmente cerca de 1.150 pacientes com doença falciforme em todo o Pará. Desse total, aproximadamente 250 apresentam formas graves da doença e necessitam de acompanhamento especializado para prevenção e controle das complicações.

Saide Sarmento - Coordenadora do Ambulatório e Médica Hematologista da Fundação Hemopa

Saide Sarmento – Coordenadora do Ambulatório e Médica Hematologista da Fundação Hemopa /Foto: Aline Seabra – Ascom/Hemopa

De acordo com a coordenadora do Ambulatório Hematológico da Fundação Hemopa e médica hematologista, Saide Sarmento, os primeiros sintomas podem surgir ainda na infância. “As crianças com doença falciforme podem apresentar sintomas a partir dos seis meses de vida. Muitas crescem convivendo com dores frequentes e complicações graves, como o sequestro esplênico, que pode levar a choque e até à morte quando não tratado rapidamente”, explica.

A especialista destaca que, embora existam tratamentos medicamentosos que ajudam no controle da doença, nem todos os pacientes apresentam a mesma resposta terapêutica, o que reforça a importância de novas alternativas de tratamento.

Avanço – Entre os recursos terapêuticos disponíveis está a eritrocitaférese, procedimento automatizado que remove parte das hemácias alteradas e as substitui por hemácias saudáveis provenientes de doadores de sangue. Atualmente, 16 pacientes atendidos pelo Hemopa estão aptos ao tratamento, enquanto novas avaliações seguem sendo realizadas pela equipe multiprofissional da instituição.

“Com a eritrocitaférese conseguimos substituir as hemoglobinas alteradas por hemoglobinas normais, reduzindo crises de dor, diminuindo o risco de AVC e oferecendo mais qualidade de vida aos pacientes”, ressalta Saide Sarmento.

O procedimento é destinado, neste momento, a pacientes com critérios clínicos específicos, incluindo crianças a partir de 23 quilos e adultos. Segundo a médica, a expectativa é ampliar gradativamente o número de beneficiados pela tecnologia. “O Hemopa oferece a eritrocitaférese para pacientes com doença falciforme que apresentam critérios para inclusão no tratamento. É um procedimento seguro, com risco mínimo de complicações, e que representa uma importante alternativa para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas”, acrescenta.

Para o presidente da Fundação Hemopa, Paulo Bezerra, a implantação da tecnologia representa um marco para a assistência hematológica no estado. “A implantação da eritrocitaférese pelo SUS representa um grande avanço para o Hemopa e para a saúde pública do Pará, ampliando o acesso a um tratamento mais eficaz para pacientes com doença falciforme, reduzindo complicações e melhorando a qualidade de vida. É um marco que reforça o compromisso com a inovação e a assistência especializada no estado”, destaca.

Precisamos falar sobre – Como parte da programação alusiva ao Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme, o Hemopa realizará na próxima terça-feira (23) a ação “Dia da Conscientização da Doença Falciforme: Precisamos Falar Sobre”, voltada aos pacientes acompanhados pelo ambulatório hematológico.

A iniciativa reunirá pacientes, familiares e profissionais de saúde em um momento de informação, acolhimento e troca de experiências sobre os desafios enfrentados por quem convive com a doença, além de promover orientações sobre prevenção de complicações, tratamento e qualidade de vida.

A doença falciforme é uma condição genética hereditária caracterizada pela alteração do formato das hemácias, que passam a assumir a forma de foice. Essa modificação dificulta a circulação sanguínea e pode causar dores intensas, anemia, infecções recorrentes e outras complicações que comprometem a qualidade de vida dos pacientes.

Texto por: Aline Seabra (HEMOPA)