Hospital Abelardo Santos celebra 560 dias sem infecções pulmonares na UTI pediátrica
22/01/2026Protocolos rígidos e gestão eficiente zeram casos de pneumonia associada à ventilação mecânica, colocando a unidade acima das médias internacionais de segurança
O Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), em Icoaraci, distrito de Belém, investe constantemente em protocolos que garantem a segurança do paciente em todas as etapas do atendimento. Como resultado, a unidade zerou os casos de Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV) na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica, acumulando mais de 560 dias sem registros da infecção.
Indicadores nacionais de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) apontam a PAV como a segunda infecção mais frequente nas UTIs, podendo representar até 50% dos casos. “Em cenários onde não há protocolos rígidos, índice alto da infecção pode elevar significativamente a taxa de mortalidade”, afirma a enfermeira e coordenadora da UTI Pediátrica do HRAS, Thamires Souza.
Thamires acrescenta: “É um resultado significativo, considerando que, nessas Unidades de Terapia Intensiva, há taxas muito altas de crianças em ventilação mecânica, em razão da complexidade dos quadros clínicos, o que aumenta a vulnerabilidade imunológica dos pacientes. Para nós, zerar a PAV não é apenas uma questão de saúde, mas de eficiência hospitalar como um todo”, disse.
Monteiro
Esse tipo de infecção ocorre porque, durante a ventilação mecânica, o tubo que leva o oxigênio aos pulmões impede o fechamento natural da glote, responsável por proteger o organismo contra secreções e bactérias da boca e do estômago nas vias aéreas. Além disso, a presença do equipamento dificulta a tosse e a limpeza natural dos pulmões, criando um ambiente propício à colonização por micro-organismos.
Referência
O compromisso com a segurança do paciente no Hospital Abelardo Santos foi um dos pontos destacados nacionalmente pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross), em parceria com outras entidades da área da saúde. A avaliação colocou o HRAS na lista dos 100 melhores hospitais públicos do Brasil, entre aproximadamente 2,6 mil unidades municipais, estaduais e federais.
Para o titular da Secretaria de Saúde do Pará (Sespa), Ualame Machado, o desempenho da unidade reflete a estratégia de descentralização e modernização da saúde no Estado. “Essa é a prova de que o investimento em gestão, capacitação e infraestrutura impacta vidas. Nosso foco é garantir que o sistema público paraense siga como referência nacional em segurança e qualidade para as pessoas”, afirmou.
De acordo com o diretor técnico do HRAS, o médico pediatra Marcel Ramalho, o controle rigoroso da PAV gera economia para a administração pública. “Cada infecção evitada reduz gastos com antibióticos, insumos e diárias de UTI. Ao zerar esse índice, garantimos o retorno seguro da criança à família e ampliamos a eficiência do hospital, possibilitando o reinvestimento dos recursos economizados em outras melhorias”.
Protocolos
Segundo a supervisora do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), enfermeira Ohana Cardoso, os protocolos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são seguidos à risca no hospital. “É uma tarefa diária, que envolve a equipe médica e multiprofissional, com a aplicação de um checklist para garantir o cuidado adequado ao paciente e favorecer sua recuperação o mais rápido possível”, disse.
“Aplicamos o bundle, um conjunto de boas práticas que inclui a manutenção da cabeceira elevada, higiene oral criteriosa e monitoramento da pressão dos equipamentos. Além disso, há uma rotina de visita multiprofissional, na qual médicos, enfermeiros e fisioterapeutas revisam diariamente o plano terapêutico para garantir o desmame precoce da ventilação sempre que possível”, detalha Ohana.
O Hospital Regional Dr. Abelardo Santos é a maior unidade do governo do Pará e mantém uma taxa anual geral de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde entre 1% e 1,5%. Esse índice coloca a unidade em posição de destaque frente às médias nacionais e internacionais. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), o nível de infecção hospitalar considerado aceitável é de até 5% ao ano.
A taxa de IRAS no HRAS é mantida desde a inauguração do hospital, em setembro de 2019, e permanece abaixo da média observada no Brasil, que, conforme a OMS, alcança aproximadamente 14% das internações. Além disso, o percentual é inferior ao registrado em países como Estados Unidos, Canadá e nações europeias, onde as infecções hospitalares atingem 4,5%, 10,5% e 7,1%, respectivamente.
Texto: Diego Monteiro (ASCOM/HRAS)





