Terapeuta ocupacional do HC desenvolve guia para preparar famílias de bebês cardiopatas após alta hospitalar

Terapeuta ocupacional do HC desenvolve guia para preparar famílias de bebês cardiopatas após alta hospitalar

02/03/2026 Off Por ASCOM

A preparação das famílias para o cuidado de bebês cardiopatas após a alta hospitalar foi o foco do trabalho de conclusão de residência desenvolvido pela terapeuta ocupacional Jade da Silva, residente da Universidade do Estado do Pará (Uepa) no Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, em Belém. A iniciativa buscou capacitar pais e responsáveis por meio de curso prático e orientação especializada, promovendo mais segurança no cuidado domiciliar e contribuindo para a continuidade do tratamento fora do ambiente hospitalar.

Intitulado “Atuação terapêutica ocupacional junto à família do bebê cardiopata: promoção do envolvimento e desempenho em co-ocupações”, o trabalho teve como principal objetivo fortalecer o envolvimento dos familiares no cuidado cotidiano dos bebês, por meio da realização de atividades específicas.

Segundo Jade, a proposta foi pensada especialmente para atender famílias de bebês internados na UTI Neonatal e na UTI Pediátrica, considerando os desafios enfrentados no período pós-alta. “Nosso objetivo foi preparar essas famílias, principalmente para o cuidado em casa, com ênfase em atividades do dia a dia e nas especificidades do bebê cardiopata”, explicou.

A Terapia Ocupacional contribui para a continuidade do cuidado, reduz complicações e fortalece o vínculo entre família e bebê no pós-internação.

A Terapia Ocupacional contribui para a continuidade do cuidado, reduz complicações e fortalece o vínculo entre família e bebê no pós-internação. Foto: Ascom HC

Curso educativo e orientação especializada

A terapeuta ocupacional organizou o curso em sete eixos principais, abordando temas essenciais como alimentação, higiene, sono, desenvolvimento infantil, acompanhamento de saúde, prevenção de acidentes e autocuidado dos pais. O curso incluiu metodologias ativas, como demonstrações práticas, discussões e um guia de apoio elaborado especialmente para os participantes.

“O foco foi trabalhar as chamadas co-ocupações, que são atividades realizadas de forma conjunta entre o cuidador e o bebê, como alimentar, dar banho, brincar, acompanhar o desenvolvimento e organizar de rotina. Essas ações têm papel fundamental no vínculo e na recuperação da criança”, destacou Jade.

O curso foi organizado em sete eixos, com temas como alimentação, higiene, sono, desenvolvimento infantil e prevenção de acidentes, incluindo atividades práticas e material de apoio aos participantes.

O curso foi organizado em sete eixos, com temas como alimentação, higiene, sono, desenvolvimento infantil e prevenção de acidentes, incluindo atividades práticas e material de apoio aos participantes. Foto: Ascom HC

Ela também enfatizou a importância de orientar os familiares sobre sinais de alerta que exigem atenção médica. “Treinamos os pais para identificar sinais e sintomas que possam indicar riscos e complicações, permitindo que eles busquem assistência no momento certo e contribuindo para evitar agravamentos do quadro clínico”, afirmou.

Outro ponto importante do trabalho foi o cuidado com a saúde emocional dos pais e responsáveis. “Incluímos estratégias de autocuidado, porque sabemos que esse é um momento de grande sobrecarga emocional. Cuidar de quem cuida também é fundamental para garantir o bem-estar do bebê”, ressaltou.

Dona de casa Maria dos Santos, 42 anos, de Parauapebas

Dona de casa Maria dos Santos, 42 anos, de Parauapebas. Foto: Ascom HC

Impacto positivo para as famílias – A iniciativa teve impacto direto na rotina dos familiares, que passaram a se sentir mais preparados e confiantes para cuidar dos bebês após a alta hospitalar. A dona de casa Maria dos Santos, de 42 anos, moradora de Parauapebas, participou do curso e  destacou a importância das orientações. “Aprendemos sobre as brincadeiras adequadas, os cuidados com a medicação e até a forma correta de dar banho. É diferente de cuidar de um bebê sem problemas de saúde. Achei muito importante e me sinto mais preparada para cuidar do meu filho”, relatou.

Formação qualificada e cuidado humanizado

O trabalho foi apresentado como requisito final da Residência Multiprofissional em Saúde e recebeu nota máxima. A iniciativa reforça o compromisso do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna com a formação de profissionais qualificados e com a promoção de um cuidado integral, que inclui não apenas o tratamento clínico, mas também o suporte às famílias.

A atuação da Terapia Ocupacional nesse contexto contribui para a continuidade do cuidado, reduz riscos de complicações e fortalece o vínculo entre família e bebê, promovendo mais qualidade de vida e segurança no período pós-internação.

Texto: Jonas Vila / Ascom HC