Pará faz escuta ativa de famílias neurodivergentes
18/06/2026A Secretaria de Saúde do Pará realizou, nesta quarta-feira (17), a primeira edição do “Bora conversar?”, um evento criado para que pessoas neurodivergentes e famílias atípicas possam se manifestar suas demandas, ouvir o planejamento estratégico estadual para a pauta, em questão, e sugerir políticas públicas que atendam às suas necessidades.
A programação reuniu representantes da Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo (CEPA) do Governo do Pará, e dezenas de mães, pais, responsáveis e pessoas neurodivergentes, representantes da sociedade civil organizada, no encontro realizado na Usina da Paz da Cabanagem.
“Criamos o ‘Bora conversar?’ para ser um momento de troca, em que o estado escute a comunidade para melhor atendê-la. Trabalhamos desenvolvendo políticas públicas para atender a população TEA, e entendemos que as pessoas para quem trabalhamos devem ser parte ativa deste processo, manifestando seus interesses e anseios ao mesmo tempo em que apresentamos nossas metas e projetos que serão desenvolvidos pelo estado em um futuro próximo”, explica Flávia Marçal, coordenadora da CEPA
Uma das pessoas presentes no evento era Leidiane Silva, mãe de uma menina de dois anos e 9 meses, que, no mês de abril, recebeu o diagnóstico de TEA. “Particiar desta reunião, para mim, que recebi o laudo da minha filha em 29 de abril, é falar que comecei a ter informações e conhecimento de uma forma clara, transparente, e também ajuda”,disse ela.
“Foi como abrir uma nova visão relacionada ao autismo em relação ao acesso a direitos e o que eu posso contribuir não só para a minha filha, mas também para outras mães e outras crianças que também têm o diagnóstico”, acrescentou Leidiane Silva.
Ela afirmou que é importante o diálogo “porque hoje a gente vê uma sociedade que não tem tanta inclusão, e quando nós mães recebemos o laudo de um filho ou de uma filha diagnosticando TEA, TDH, TOD ou outra condição, o que acontece? Nós também somos excluídas dessa sociedade, nós somos excluídas do nosso meio familiar, somos excluídas dos nossos amigos, então ter encontro como esses nos leva a um momento que a gente passa a ver outras dores, a gente passa a ter uma roda de conversa onde a gente pode só ter uma luz, uma ideia, um conforto, um abraço, muitas das vezes das pessoas que a gente nunca conheceu na vida, mas que naquele momento se tornaram tão importante por dividir o que passa e por também nos entender”.
“Avaliamos que esta primeira edição do ‘Bora Conversar?’ foi um sucesso, pretendemos repetir a fórmula mais vezes para ter um canal de diálogo permanente com a comunidade, pois desta desta forma vamos conseguir aprimorar nossos processos e serviços, criando soluções para as questões enfrentadas pelas famílias atípicas em seu dia a dia”, conclui a coordenadora Flávia Marçal.


