Lacen é fundamental nas ações de enfrentamento à pandemia de Covid-19

Laboratório Central do Pará atua há mais de sete décadas no apoio ao diagnóstico de doenças

Em funcionamento ininterrupto há 71 anos, o Laboratório Central do Estado do Pará (Lacen-PA) desempenha, desde o início da pandemia de Covid-19, um papel fundamental no apoio às definições de medidas de enfrentamento à crise sanitária. O órgão foi o primeiro a ter habilitação para realizar exames de detecção da doença, ainda em março do ano passado, e desde esta época vem recebendo investimentos significativos, do governo estadual e do Ministério da Saúde, para dar conta da enorme demanda – que incluía outras análises não relacionadas somente à Covid-19, já que o Lacen também é referência para teste do pezinho e outros diagnósticos laboratoriais, via rede pública de saúde, como HIV, hepatite, tuberculose, sarampo, pré-natal e PCCU (exame para diagnóstico do câncer de colo de útero).

O diretor Alberto Jorge Júnior anuncia a chegada, nos próximos meses, de equipamento para sequenciamento genético

Farmacêutico e diretor-geral do Lacen-PA, Alberto Jorge Jr., informa que todos os meses são reunidas de 80 a 100 amostras de todas as regiões do Estado, para posterior envio aos laboratórios nacionais de referência – Instituto Evandro Chagas (IEC), em Ananindeua, e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro -, onde é realizado o sequenciamento capaz de identificar a presença de variantes do novo coronavírus.

“Isso, na verdade, é fluxo, é rotina. Já fazíamos isso para amostras positivas de H1N1, porque a possível identificação do surgimento de variantes é muito importante, por exemplo, para a confirmação da necessidade do aprimoramento de vacinas. Nos próximos meses, o Lacen, como integrante do Sistema Nacional de Laboratórios e referência estadual para diagnósticos de agravo e notificação, deve receber o equipamento que realiza esse sequenciamento genético”, antecipa o gestor, complementando a necessidade de treinamento de pessoal para que o Pará esteja apto a realizar o procedimento.

Ampliação – Alberto Jorge Jr. Enfatiza que, mesmo nos momentos mais críticos da pandemia, o Laboratório nunca parou, chegando a funcionar nos sete dias da semana. “No dia em que ficamos sem insumos, recebemos autorização do governo para usar a frota aérea estadual e ir até o Maranhão buscar 500 amostras, que permitiriam que continuássemos trabalhando. Fora o investimento financeiro do Estado, do Ministério da Saúde, das articulações. Fomos o primeiro Estado a receber equipamento automatizado para análises de amostras, incluindo de Covid-19, e ampliamos nossa capacidade de 80 amostras/dia para mais de mil. E esses incrementos devem ser mantidos após o fim da pandemia”, ressalta.

Valnete Andrade ressalta a pressão exercida pela pandemia

Valnete Andrade, diretora técnica do Lacen, atesta o aumento da responsabilidade exigida pelo contexto da pandemia. “A nossa missão é a vigilância laboratorial. Já existia como rotina, mas aumentou a demanda com a Covid. Precisávamos de resultados liberados em prazos mais rápidos para dar embasamento às ações de governo e dos municípios”, reitera a diretora. As atenções se voltaram ao Lacen-PA, que mesmo tão presente na vida da população, muitos não conheciam.

“Vivemos algo muito diferente, e acredito que demos resposta à altura. Creio que em parte isso se deu porque sempre trabalhamos de forma planejada e organizada. Antes mesmo de a pandemia chegar aqui houve um planejamento. Nunca paramos. Nossa capacidade analítica aumentou muito. Fica o aprendizado”, destaca Valnete Andrade.

Os investimentos em equipamentos ampliam a atuação do Lacen-PA

Capacitação – O secretário Rômulo Rodovalho, titular da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), avalia que “o trabalho que vem sendo desempenhado pelo Lacen desde o início da pandemia tem sido fundamental para o combate à Covid-19 no nosso Estado, pois tem sido feito de maneira rápida e eficaz. Além disso, o Laboratório é referência para todo o País, e isso mostra a grande capacitação dos nossos profissionais”.

Atualmente, 296 servidores atuam no Laboratório: 162 no setor de biologia média (sendo 42 atuando especificamente nos casos relacionados ao novo coronavírus) e os demais em análise de produtos.

A direção destaca que uma das maiores conquistas é o aparelhamento em recursos humanos e materiais, que permitiu o aumento da capacidade de análise de 80 amostras por dia, em 17 de março de 2019, para 1.300 amostras/dia no primeiro trimestre de 2021.

Texto: Carol Menezes/Secom

Fotos: Marco Santo/Ag. Pará

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