
Pedalar de bicicleta garante autonomia às crianças com autismo assistidas pelo CIIR
22/06/2023
Reabilitandos utilizam área externa da instituição, que simulam mudanças de espaço que são encontradas no dia a dia
Um processo que envolve a qualidade física e motora, através da educação física, o uso da psicomotricidade tendo a bicicleta como terapia vem sendo considerado inovador na assistência aos pacientes do Núcleo de Atendimento ao Transtorno do Espectro Autista (Natea), que funciona no Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), em Belém.
De acordo com o terapeuta Remyson Leite, profissional de educação física, o andar de bicicleta é uma atividade de coordenação bilateral com os dois lados trabalhando de forma alternada.
“As duas pernas realizam o mesmo movimento, fazendo com que a criança tenha um bom tônus muscular para poder realizar o movimento de pedalar. Caso não possua esse ponto positivo, ela vai realizar o movimento para trás, fato natural que a maioria das crianças diagnosticadas com autismo realiza; pedalar sempre para trás”, pontua.
Segundo o profissional, a facilidade em pedalar para trás ocorre porque a criança não tem resistência e força para seguir à frente. “Portanto, é mais fácil ela pedalar para trás, já que não há resistência nenhuma ou planejamento motor para isso”, explica.

Técnica ajuda a fortalecer tônus muscular de pacientes
Assim como em outras atividades, o andar de bicicleta é um sequenciamento de ação. “Por exemplo, quando você corta um papel, esse ato requer uma sequência de movimentos que vai cortando o papel de uma ponta a outra. Do mesmo modo, se a criança não tem um planejamento motor, ela não vai conseguir realizar a pedalada corretamente indo para frente”, destaca o terapeuta.
Diagnosticado com autismo, o usuário Davi Santos, de 9 anos, realizou a sua terceira sessão com o equipamento. Segundo a mãe, Osmarina Santos, de 35 anos, os ganhos já podem ser sentidos no desenvolvimento do garoto.
“Hoje, é uma felicidade para mim. Há alguns anos, eu tentava colocá-lo para andar na bicicleta do primo, mas o Davi recusava, chorava muito, gritava em cima da bicicleta. Ele não conseguia pedalar, travava. Com a terapia, percebo um avanço, pois já consegue pedalar para frente. Com este desenvolvimento, o pai planeja comprar uma bicicleta para o Davi”, revela a mãe, emocionada.
Osmarina conta que pedalar, aos olhos da grande maioria das pessoas, é algo natural, mas para uma criança com diagnóstico de autismo, é uma tarefa difícil de executar.
Texto: Pallmer Barros/CIIR
Fotos: Divulgação