Sespa alerta sobre uso de produtos cosméticos e serviços durante o período carnavalesco
14/02/2026O objetivo é alertar a população sobre medidas sanitárias de prevenção a variadas doenças
A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), por meio do Departamento Estadual de Vigilância Sanitária (DEVS), emitiu alertas importantes para o Carnaval de 2026, com foco na segurança dos foliões ao utilizar produtos cosméticos e saneantes, serviços de alimentação e durante a hidratação. O objetivo é evitar efeitos indesejados após uso de produtos ou casos de doenças transmitidas por alimentos ou água.
Em relação aos cosméticos (maquiagens, pomadas para cabelo, além de repelentes), produtos irregulares ou mal utilizados podem causar reações adversas. O importante é estar atento à leitura do rótulo e utilizar somente do jeito que o fabricante orienta. Misturar produtos ou exagerar no uso aumenta os riscos, assim como é proibido usar cola instantânea de uso doméstico ou artesanal no corpo, como unhas e cílios, podendo causar queimaduras, dermatites e até danos à visão.
As orientações da Sespa abrangem ainda o uso inadequado de produtos capilares irregulares para trançar, modelar ou fixar. Podem ser encontrados no mercado sob diversos nomes, tais como: pomada modeladora, pasta modeladora, pomada capilar, pomada fixadora, gel cola, cera finalizadora, creme modelador capilar, pomada para cabelo e gelatina modeladora.
Esses produtos não podem, por exemplo, serem usados em crianças. Apesar de muito populares, podem causar efeitos adversos graves, como “cegueira temporária”, muitos deles provocados por irregularidades.
De acordo com a diretora do Departamento Estadual de Vigilância Sanitária, Vânia Brilhante, nos últimos anos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou dezenas de queixas relativas ao uso de pomadas e pastas modeladoras de cabelos. “Há cerca de um mês, o órgão emitiu um alerta sobre a importância de redobrar os cuidados ao usar produtos capilares destinados a trançar ou modelar cabelos durante as festividades de início de ano e Carnaval, período em que o consumo desses produtos aumenta significativamente. A Sespa reforça que os produtos capilares para trançar ou modelar cabelos são seguros, quando utilizados corretamente”, explica.
Com o objetivo de proteger a saúde da população contra riscos de câncer e problemas reprodutivos, os alertas da Sespa ainda focam sobre duas substâncias proibidas pela Anvisa, que são o TPO [óxido de difenil (2,4,6-trimetilbenzol) fosfina] e o DMPT (N,N-dimetil-p-toluidina), também conhecido como dimetiltolilamina (DMTA). Esses ingredientes podem estar presentes em produtos usados para fazer unhas artificiais em gel ou esmaltes em gel, que precisam ser expostos à luz ultravioleta (UV) ou LED.
A decisão foi uma medida para proteger a saúde das pessoas que utilizam esses produtos e principalmente dos profissionais que trabalham com eles. Estudos internacionais em animais confirmaram que essas substâncias apresentam os seguintes riscos: DMPT – classificado como uma substância que pode causar câncer em humanos, e TPO – classificado como tóxico para a reprodução, podendo prejudicar a fertilidade.
Com a decisão, o Brasil se alinha aos padrões de segurança da União Europeia, que também baniu recentemente esses ingredientes. A proibição das duas substâncias se aplica a qualquer produto cosmético.
A Sespa ainda orienta muita atenção na leitura do rótulo, pois as substâncias podem aparecer com diferentes nomes. No caso do TPO (CAS nº 75980-60-8), pode vir como Diphenyl (2,4,6-trimethylbenzoyl) phosphine oxide, Trimethylbenzoyl diphenylphosphine oxide ou Óxido de difenilfosfina, além de outras grafias relacionadas.
Em relação ao DMPT ou DTMA (CAS nº 99-97-8), os rótulos podem vir grafados com os seguintes termos: N,N-dimethyl-p-toluidine, Dimethyltoluidine ou variações em português, como dimetil-p-toluidina.
Ainda para o carnaval, as orientações também abrangem o uso de repelentes contra mosquitos, proteção contra alergias e doenças. De acordo com o documento, no caso dos produtos para pele, a orientação é que o repelente seja aplicado diretamente nas áreas expostas do corpo, com exceção dos casos em que o rótulo traga instruções para o uso diretamente na roupa.
De acordo com a nota, as orientações descritas no produto também tratam sobre o uso em crianças, já que alguns cosméticos repelentes têm ingredientes ativos diferentes e com restrições de uso por idade.
Assim como os cosméticos repelentes, os saneantes inseticidas eliminam o mosquito adulto ou saneantes repelentes afastam o inseto do ambiente, precisam ter a aprovação da Anvisa. São encontrados principalmente em spray e aerossol, roupas e acessórios de uso pessoal, tintas e vernizes, usados para paredes e ambientes, espirais, líquidos e pastilhas utilizadas, por exemplo, em aparelhos elétricos.
Em relação aos repelentes utilizados em aparelhos elétricos ou espirais, estes não devem ser utilizados em locais com pouca ventilação, nem na presença de pessoas asmáticas ou com alergias respiratórias e nem de animais. O ideal é estejam, no mínimo, a dois metros de distância das pessoas.
Em relação a produtos de limpeza, usar somente os regularizados pela Anvisa e rejeitar produtos de origem caseira. Assim, recomenda-se a leitura atenta dos rótulos e a utilização dos produtos sem misturas. Evitar, por exemplo, a associação de água sanitária com álcool ou água quente, em função da liberação de vapores tóxicos.
Com relação às espumas de carnaval, a Sespa recomenda também muita cautela. Segundo o documento, os nomes são vários: “Neve de carnaval”, “neve artificial”, “serpentina” e “teia”. Esses sprays voam fácil na folia, mas não foram feitos para ir parar nos olhos, na boca e pulmões.
Assim, é bom ler o rótulo antes de usar, evitar contato com olhos e mucosas e não cheirar o produto. Após o uso, é bom lavar e secar bem as mãos. Em caso de ingestão, não provocar vômito e procurar atendimento médico, levando o produto.
A respeito da prevenção de consumo de comida contaminada, a Vigilância Sanitária da Sespa orienta cuidados nos bloquinhos, no churrasco e nos buffets. O principal deles é lavar sempre as mãos antes de comer e após ir ao banheiro. Na falta disso, usar álcool 70º. O folião deve também observar a limpeza do local e dos manipuladores de alimentos. Em self-service, o balcão deve ter barreira de proteção e a temperatura certa para alimentos quentes é acima de 60°C e para os alimentos frios abaixo de 5°C.
Importante também é evitar carnes e derivados malcozidos ou mal-assados e preparações com ovos crus ou malcozidos, como maionese caseira, gemada e ovo frito mole. Não arriscar também a saúde com comidas exposta a insetos, animais e sujeiras.
Em relação às garrafinhas de água, a malcuidada pode virar foco de bactérias e fungos, mesmo sem sujeira visível. Assim, é recomendável lavar diariamente com água, detergente neutro e escova, alcançando fundo e laterais. “Dê atenção especial à tampa, bico e borracha de vedação. Depois de lavar, deixe a garrafinha aberta para secar completamente. Evite compartilhar garrafas para reduzir o risco de transmissão de vírus e bactérias”, alerta o documento da Sespa.
A respeito da automedicação no carnaval, os remédios de venda livre, aqueles que ficam ao alcance das mãos nas farmácias, não são inofensivos – têm efeito e têm risco. “Respeite dose e tempo de uso. Leia a bula, mesmo em cartelas fracionadas, você tem direito a ela. E remédios não podem ser combinados com álcool. Não aumente a dose nem prolongue o uso por conta própria. Tem alergia ou hipersensibilidade? Redobre a atenção nas contraindicações. Se os sintomas persistirem, procure um médico”, assinala o texto.
A nota recomenda ainda que a população deve denunciar doenças transmitidas por alimentos ou água ou problemas com produtos à Vigilância Sanitária ou Ouvidoria do seu município. Em caso de qualquer evento adverso decorrente do uso do produto cosmético e saneante ou de uso indevido de produto não regularizado para uso humano, procurar assistência médica levando o produto e notificar à Anvisa por meio do endereço https://enotivisa.anvisa.gov.br/login.
Em caso de intoxicação por saneante ou outro produto químico, ligue para o CIT-Belém (Centro de Informações Toxicológicas): (91) 3251-4425 ou (91) 9 8628-4585 (WhatsApp), com atendimento 24 horas por dia.
Texto: Mozart Lira (SESPA)



