Medicina da Uepa completa 55 anos consolidada pela excelência e interiorização
12/03/2026Primogênita de doze filhos e vinda de uma família humilde, Ana Maria Bastos Almeida ficou em 101º lugar no vestibular da antiga Faculdade de Medicina do Estado do Pará (FEMP), e, com a ampliação de vagas e a desistência de um candidato, foi chamada e conseguiu se matricular. Com esforço e dedicação, concluiu o curso e foi a primeira a receber o grau de médica na formatura, na década de 70. Anos depois, ela teve sua trajetória reconhecida por um ex-professor. O médico Everton do Amaral escreveu a história de Ana Maria em uma coluna de jornal impresso, intitulada “A Número Um”, tornando a conquista dela motivo de inspiração para gerações.

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“Ele contou que eu fui a primeira aluna a quem ele deu nota 10 e a primeira a receber o grau de médica”, recordou Ana Maria, com emoção. Essa lembrança é valiosa neste momento em que o curso de Medicina da Universidade do Estado do Pará (Uepa) celebra 55 anos de uma trajetória marcada pela formação de profissionais qualificados e pela contribuição para o fortalecimento da saúde pública estadual do Pará.
Criado em 12 de março de 1971, num prédio dentro do Hospital Ophir Loyola, o curso da antiga Faculdade de Medicina do Estado do Pará (FEMP) expandiu a oferta de vagas de medicina no Pará. A FEMP era mantida pela Fundação Educacional do Estado do Pará e tem, em seu quadro, nomes notórios ligados à história da Faculdade, como os médicos Jean Bitar, José Arrais, João Maradei, Camillo Vianna, entre outros.

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*Interiorização da formação de médicos e pesquisadores*
Na década de 90, o curso de medicina, um dos pilares na criação da Uepa, passou a integrar o Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) e se consolidou como referência na região Norte. No decorrer dos anos, a Uepa seguiu ampliando sua infraestrutura e fortalecendo a integração com a rede pública do Sistema Único de Saúde (SUS). Além de Belém, houve a interiorização dos cursos de medicina da Uepa nos municípios de Santarém, no ano de 2006, e em Marabá, em 2013. O curso forma profissionais médicos e pesquisadores qualificados para desenvolver ações de promoção, prevenção e reabilitação da saúde individual e coletiva.

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*Curso terá sessão especial de homenagem na Alepa*
Uma sessão especial em comemoração ao Jubileu de Ametista do Curso de Medicina da Uepa será realizada nesta quinta-feira (12), às 14h, no auditório João Batista, na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa). A iniciativa reconhece a contribuição da instituição para a formação de médicos e para o fortalecimento da saúde pública no Pará. Entre os destaques da sessão, todos os alunos da primeira turma vão ser homenageados por serem os primeiros médicos formados no curso.

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Atualmente, por meio do Prosel da Uepa, entram 100 alunos no curso por ano em Belém, 40 alunos por ano em Marabá e 40 alunos/ano em Santarém. O curso tem mais de 300 professores no três campi e utiliza o currículo 100% com a técnica pedagógica de Metodologias Ativas. A formação prática garante aos estudantes vivência real desde o primeiro semestre do curso, e é desenvolvida em diversos hospitais do governo do Estado, ambulatórios, unidades Básicas, e nos atendimentos no Campus II, em Belém, pelo SUS, como no Ambulatório de Ginecologia, Maternar, Dermatologia e Policlínica, com múltiplos cenários de atuação e também, a estrutura dos Laboratórios de simulação de habilidades e do morfofuncional.

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Nestes espaços do campus II, em Belém, mais de 70 mil atendimentos e procedimentos de saúde foram realizados em 2025, dados que mostram a relevância dos serviços prestados de saúde em ensino e o impacto positivo das ações desenvolvidas pela Uepa junto à comunidade. Entre as entregas dos últimos anos, destaca-se o Serviço Especializado em Dermatologia, o Ambulatório de Ginecologia e, atualmente, a reforma do Centro de Saúde Escola (CSE), com previsão de entrega para 2027.
*Modernização e formação qualificada*
De acordo com o médico e professor Caio Botelho, coordenador do curso de Medicina da Uepa, a trajetória do curso é marcada por constante evolução, acompanhando os avanços da medicina sem perder o foco na qualidade e na humanização do atendimento. Nas projeções dos próximos investimentos, estão previstos a ampliação de laboratórios, melhorias da estrutura do curso, atualização de simuladores e do projeto pedagógico com a implementação de conteúdos novos no currículo, destaca ele.

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No último mês de janeiro, o curso de medicina da Uepa conquistou destaque nacional e obteve desempenho de excelência no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), iniciativa do Ministério da Educação (MEC).
“São muitos desafios, como a extensa carga horária e o alto custo na formação de um médico que leva, em média, cerca de dez anos, considerando a graduação e as residências médicas, que são fundamentais. Nesse contexto, a integração do curso de medicina com as Residências da Uepa, por meio da Comissão de Residência Médica (Coreme), busca sempre ampliar vagas e fortalecer a formação. A Uepa é completa e forte na graduação e pós-graduação. Além disso, muitos egressos retornam à universidade como professores, trazendo ainda mais qualificação, o que representa grande valor para a instituição”, ressaltou Botelho.
*Investimentos contínuos*
A expansão do curso e a melhoria da infraestrutura acadêmica têm sido impulsionadas por investimentos do Governo do Estado do Pará, que incluem modernização de laboratórios, fortalecimento de campos de prática e ampliação das atividades de ensino, pesquisa e extensão.

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Para o reitor da Universidade do Estado do Pará, Clay Chagas, esse conjunto de investimentos tem sido fundamental para consolidar a formação médica em diferentes regiões do estado. “Os investimentos do governo do Pará têm permitido fortalecer a estrutura de ensino, ampliar os cenários de prática e garantir que o curso de Medicina da Uepa mantenha um padrão de excelência. Isso se reflete diretamente na qualidade da formação dos nossos estudantes e no compromisso da universidade em formar profissionais preparados para atender às necessidades de saúde da população paraense”, destacou.

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Entre as recentes entregas de infraestrutura que fortalecem o atendimento à população e qualificam a formação acadêmica na área da saúde, destacam-se a do Serviço de Dermatologia e do Ambulatório de Ginecologia, e atualmente, a reconstrução do Centro de Saúde Escola do Marco (CSE- Marco), com previsão de entrega para 2027. Os espaços ampliam a capacidade de assistência, oferecem melhores condições de acolhimento aos usuários e contribuem para o aprimoramento das atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas pela instituição.
*Atividades de extensão*
O projeto Arquipélago é um dos projetos de extensão do curso, fruto da parceria entre a Uepa e a prefeitura de Soure, no Marajó, para fortalecer a Atenção Primária no município, integrando saúde e educação, com atendimento em locais que têm dificuldade de acesso a médicos.

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Segundo um dos alunos participantes, Felipe Eduardo Andrade Sousa, do 10º semestre de Medicina, a vivência permitiu compreender as limitações logísticas e estruturais da região e perceber que o papel do médico vai além de identificar e resolver problemas imediatos. “Exige sensibilidade, responsabilidade e compreensão das condições de vida dos pacientes e suas vulnerabilidades. A experiência também trouxe mais autonomia e maturidade, mostrando que a formação médica é contínua e vai muito além da sala de aula”, relatou Felipe.
Oriundo da escola pública estadual Paes de Carvalho e natural de Mosqueiro, Felipe Sousa destaca que falar dos 55 anos do curso é reconhecer uma formação de qualidade, que oferece aos estudantes o melhor da região e todo o suporte necessário para enfrentar os desafios da profissão. Para ele, a universidade ensina não apenas a medicina baseada em evidências, mas também a importância de ser um médico humano, atento à realidade das pessoas. Ao longo da graduação, ele participou de atividades de ensino, pesquisa e extensão na capital, no interior e até em outros estados, e afirma ser grato por fazer parte da instituição que contribui para sua formação como pessoa e profissional.

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“Na Uepa, aprendo a ser um médico humano, que entende a realidade da nossa região e das pessoas que dela fazem parte, levando o que temos de melhor a cada lugar que atendemos com o que realmente importa: cuidado”, ressaltou o universitário.
O coordenador Caio Botelho afirma que o perfil de alunos do curso é, em sua maioria, do próprio Pará. “Nos enche de alegria e é muito gratificante abrir as portas da universidade para estudantes paraenses e também para todos aqueles que sonham em fazer uma medicina de qualidade, estudar com dedicação e se tornar grandes médicos. Como toda instituição pública, enfrentamos desafios, mas também temos muitas conquistas a celebrar. Sabemos que quem faz a universidade é o aluno. Cabe a nós oferecer suporte, investir em infraestrutura e garantir uma boa organização pedagógica. A nossa maior riqueza e orgulho são os médicos que formamos e entregamos à sociedade”, enfatizou o professor.

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Para a gestão da instituição, celebrar os 55 anos do curso de medicina da Uepa é reafirmar a excelência acadêmica e o papel social da universidade na formação de profissionais médicos comprometidos com a saúde e a vida da população.
Por Diane Maués (UEPA)


