Bebês prematuros devem receber imunobiológico que protege contra o vírus sincicial

Bebês prematuros devem receber imunobiológico que protege contra o vírus sincicial

17/03/2026 Off Por Roberta Vilanova

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) informa que já está disponível nas salas de vacina dos 144 municípios paraenses o imunobiológico Nirsevimabe, anticorpo monoclonal de imunoglobulina humana G1 Kappa (IgG1k) destinado à prevenção de infecção respiratória causada pelo vírus respiratório sincicial (VSR), vírus responsável por 80% dos casos de bronquiolite.

O Nirsevimabe chegou para reforçar a proteção contra o VSR, já iniciada com a vacina para gestantes, incluída no Programa Nacional de Imunizações (PNI) em 2025. É destinado especificamente para crianças prematuras que nasceram com idade gestacional igual ou menor que 36 semanas e seis dias; e para crianças com comorbidades com idade até 1 ano, 11 meses e 29 dias.

Para as crianças prematuras, a aplicação do imunobiológico estará disponível durante o ano todo independentemente do peso da criança e do histórico de vacinação materna contra o VSR. Quanto às crianças com comorbidades, a aplicação estará disponível na sazonalidade de fevereiro a setembro de cada ano.

Devem receber o Nirsevimabe as crianças com as seguintes comorbidades: cardiopatia congênita, imunocomprometidos graves (inato e adquirido), fibrose cística, anomalias congênitas das vias aéreas, doença pulmonar crônica, síndrome de Down e doença neuromuscular.

O bebê prematuro recebe apenas uma dose. Se perder, poderá fazer o resgate até a idade de cinco meses e 29 dias. Já as crianças com comorbidades devem receber a 1ª dose na sazonalidade de janeiro a setembro e a 2ª dose na sazonalidade seguinte de janeiro a setembro, respeitando a idade limite de até 1 ano, 11 meses e 29 dias.

Reunião da CIB – A apresentação do novo imunobiológico foi feita pela coordenadora estadual de Imunizações, Jaíra Ataíde, na reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) no dia 5 de fevereiro. Em seguida, no dia 10, a Coordenação Estadual de Imunizações realizou uma reunião on-line em conjunto com a Coordenação Estadual de Saúde da Criança e Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems), para orientar as Secretarias Municipais de Saúde.

Jaíra Ataíde, coordenadora estadual de Imunizações, durante apresentação na CIB

Jaíra Ataíde, coordenadora estadual de Imunizações, durante apresentação na CIB. Foto: Kamila Canhedo/Sespa

Segundo Jaíra Ataíde, a distribuição do produto foi concluída agora e é importante que a população paraense tome conhecimento dessa nova proteção garantida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). “Além das unidades de saúde, o imunobiológico estará disponível, em estoque, para vacinar prematuros nas maternidades do SUS que já aplicam a vacina hepatite B e que tenham registro no CNES com o serviço de imunização e classificação de grupo 002 (grupos especiais)”, informou.

“As demais maternidades, sem permissão de estoque, diante de uma indicação de aplicação, terão que solicitar o Nirsevimabe à Coordenação Municipal de Imunização”, acrescentou Jaíra Ataíde. Para esse pedido, conforme a coordenadora, a maternidade terá que enviar relatório, laudo médico ou prescrição médica com carimbo e assinatura do médico com registro no CRM, contendo a indicação do Nirsevimabe e a descrição da condição clínica.

Jaíra Ataíde alertou que as crianças prematuras que não receberem a aplicação logo após o nascimento ainda poderão recebê-la antes de completarem seis meses de idade, mas as crianças com comorbidades só poderão receber até a idade limite de 1 ano, 11 meses e 29 dias no período de sazonalidade de fevereiro a setembro.

Assim, a nova Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (RIE) é composta pelo Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE), as Unidades Básicas de Saúde e as Maternidades do SUS com cadastro específico no CNES.

Saiba mais – A bronquiolite é uma infecção viral aguda das vias aéreas inferiores (bronquíolos), muito comum em crianças menores de dois anos, especialmente no período chuvoso. Provoca inflamação, muco e chiado no peito, assemelhando-se a um resfriado inicialmente, mas evoluindo para dificuldade respiratória.

Os sinais e sintomas iniciais são nariz entupido, coriza, tosse leve e às vezes febre. Com a evolução da doença, no terceiro ou quinto dia, há aumento da tosse, respiração rápida ou com dificuldade, chiado no peito e irritabilidade. Os sinais de alerta são esforço respiratório (costelas afundando), gemidos, recusa alimentar e arroxeamento (cianose) na boca ou unhas.

A transmissão ocorre por tosse ou espirro, saliva ou contato com superfícies contaminadas. Não há remédio específico para curar a causa viral, por isso o tratamento é de suporte, visando alívio dos sintomas. Daí a importância de as gestantes tomarem a vacina e os bebês prematuros receberem o Nirsevimabe.