Hospital Regional Público do Araguaia (HRPA) faz 90º transplante de órgãos no Araguaia
25/03/2026Cirurgia foi possível graças a atuação estratégica e integrada da Sespa com a Segup, e o Graesp (Grupamento Aéreo de Segurança Pública)
Na última terça-feira (24), o Hospital Regional Público do Araguaia (HRPA), em Redenção, deu continuidade ao legado de esperança e renovação da vida ao realizar o primeiro transplante renal de 2026, o 90º da história da unidade hospitalar. Desde o ano de 2012, o hospital é referência em transplantes renais na região de Integração Araguaia, quando se tornou o primeiro serviço público a realizar o procedimento fora de uma capital, na região Norte.
O coordenador médico e responsável técnico do Serviço de Nefrologia e da Linha de Cuidado de Nefrologia do HRPA, Giordano Ginani, destaca que a doação é um ato solidário, de ressignificação de dor da perda de uma família. “Torna-se o recomeço de outras tantas (vidas), às vezes, bem distantes. Desde o cuidado com o doador e sua família, a cirurgia de retirada, a alocação de órgãos e tecidos para receptores, a avaliação in loco destes pacientes, o translado das doações e a própria cirurgia de transplante de órgãos/tecidos, precisam ser realizadas em um curto espaço de tempo”, pontua.
Coordenado pela Central Estadual de Transplantes do Pará (CET), vinculada à Secretaria de Saúde Pública (Sespa), o material foi transportado pelo Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp), vinculado à Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), que realiza multimissões com foco, não somente na área da segurança, como também, reforça o compromisso da instituição oportunizando suporte integral à população.
“Destaco a equipe do Graesp que conseguiu fazer com que um dos rins doados fosse implantado em um paciente no HRPA, após um período de pouco mais de 12h. Isso, por si só, já é incrível. O mais chocante é que o órgão precisou viajar mais de mil quilômetros e o paciente quase 300km para se encontrarem em Redenção. Uma cidade que não possui aeroporto comercial, mas detém um serviço habilitado ao Sistema Nacional de Transplantes e integrado à Rede Sespa, logística integrada que é suporte essencial na realização do implante do órgão”, enfatiza Giordano Ginani.
De acordo com o especialista, todo esse planejamento, da abordagem ao paciente com morte encefálica, chegando ao transplante, é extremamente técnico e balizado em critérios, leis e normas muito rígidas, “apesar disso, necessita ser empático e acolhedor, pois estamos diante de cenários complexos. Desde a dor da perda até a esperança de um recomeço. Lidar com esses dois aspectos é extremamente difícil e, por isso, precisa ser feito em várias frentes por tantas pessoas altamente treinadas. Não é simples, mas necessário, digno e gratificante, ressignifica a dor e permiti vários recomeços”, assinala o coordenador médico.
Celebrando a vida, Moises Rodrigues dos Santos, de 49 anos, foi o 90° transplantado do HRPA, reside em Eldorado dos Carajás, distante 255km de Redenção. David Silva, 27 anos, emocionado, agradece o procedimento bem-sucedido e festeja o ato nobre que oportunizou um recomeço ao seu pai.
“Gratificante. Meu pai é mais um beneficiado na saúde pública do Estado. Agradeço à família do doador e a todos os profissionais que atuaram para a realização do transplante, que foi um sucesso; digo a você que está à espera de transplante, que não desista, pois, igual ao meu pai, você pode ser o próximo. Vamos ser um doador e salvar mais vidas”, incentiva.
Como ser um doador de órgãos?
Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e a legislação brasileira, não há registro formal em vida que garanta a doação de órgãos após a morte. Por isso, o passo mais importante é comunicar à família o desejo de ser doador.
A doação só ocorre com a autorização dos familiares, após a confirmação da morte encefálica — caracterizada pela perda total e irreversível das funções cerebrais. “Nesse estágio, a morte encefálica, os órgãos e tecidos permanecem viáveis para transplante, caso haja a anuência da família e condições específicas do doador. Também é possível a doação em vida de órgãos pares, desde que não comprometa as funções vitais do doador”, observa .o coordenador do setor de transplante renal do HRPA, Juliano Mundim.
Ele completa: “A doação de rim em vida é uma estratégia utilizada para lidar com o grande volume de pacientes que demandam um transplante renal, mas tentamos estimular cada vez mais a doação após a morte encefálica, apesar de sua complexidade”.
Texto: Ascom/HRPA




