Sespa participa do lançamento de projeto inovador para rastreamento do câncer do colo do útero no Pará

Sespa participa do lançamento de projeto inovador para rastreamento do câncer do colo do útero no Pará

09/04/2026 Off Por ASCOM

O município de Marituba, na Região Metropolitana de Belém, realizou nesta quinta-feira (9) a solenidade de implementação das novas diretrizes no município do Projeto de Rastreamento do Câncer do Colo do Útero (CCU), uma iniciativa que promete fortalecer a prevenção e o diagnóstico precoce da doença no Estado do Pará. A ação é fruto de uma parceria entre o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), o Ministério da Saúde, a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), a Secretaria Municipal de Saúde de Marituba e o Hospital Divina Providência.

Foto: Kamila Canhedo/ Ascom Sespa

“Eu gostaria de reconhecer o compromisso tanto da gestão municipal quanto estadual para o novo modelo de rastreamento organizado para o câncer de colo de útero e dizer que este modelo será muito mais organizado, eficiente e com cuidado contínuo para as mulheres. Nossa intenção é garantir que nenhuma mulher fique sem o seu cuidado contínuo garantido”, disse durante a mesa de abertura Flávia Alvarenga, diretora adjunta do Departamento de Câncer da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde.

Foto: Kamila Canhedo/ Ascom Sespa

O projeto será implementado com o uso da tecnologia de RT-PCR para detecção do HPV (DNHPV), método mais sensível e eficaz para identificar precocemente alterações que podem evoluir para o câncer do colo do útero. A estratégia amplia o acesso ao diagnóstico, especialmente entre mulheres de 30 a 49 anos — faixa etária com maior incidência da doença.

A iniciativa é considerada estratégica diante do cenário epidemiológico da Região Norte, que apresenta as maiores taxas de mortalidade por esse tipo de câncer no país. No Pará, a estimativa para 2026 é de aproximadamente 900 novos casos, com cerca de 110 óbitos anuais — muitos deles entre mulheres em idade economicamente ativa. Outro dado preocupante é que cerca de 60% das pacientes chegam aos serviços de alta complexidade já em estágio avançado da doença.

Foto: Kamila Canhedo/ Ascom Sespa

A enfermeira Michele Monteiro, da Coordenação Estadual de Atenção Oncológica e responsável pela implantação do DNA HPV no Pará destacou os desafios regionais e a importância da nova tecnologia. “O Estado do Pará tem características muito específicas, como a grande extensão territorial, áreas rurais remotas e questões culturais que dificultam o acesso das mulheres aos serviços de saúde. Com a implantação do teste de DNHPV, conseguimos ampliar esse acesso e atuar de forma mais efetiva na prevenção, especialmente em uma faixa etária mais vulnerável”, afirmou.

Ela também reforçou que o câncer do colo do útero é altamente prevenível, desde que haja acesso às estratégias corretas. Entre elas, estão a vacinação contra o HPV, indicada para jovens de 9 a 19 anos, a realização do exame citopatológico (Papanicolau) para mulheres de 25 a 64 anos e a adoção de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática de atividade física e abandono do tabagismo.

Foto: Kamila Canhedo/ Ascom Sespa

O evento reuniu representantes do Ministério da Saúde, da Sespa e da equipe do Projeto “Útero é Vida”, de Pernambuco — estado referência na implementação da estratégia no país e com altos índices de cobertura de coleta de DNHPV. Para a coordenadora estadual de Oncologia da Sespa, Patrícia Martins, a iniciativa representa um avanço importante na política de saúde da mulher no estado. “Estamos diante de um projeto que pode transformar a realidade do câncer do colo do útero no Pará. É uma doença evitável, e precisamos fortalecer a atenção primária para reduzir a incidência e a mortalidade. Ao ampliar o acesso ao rastreamento e qualificar o diagnóstico precoce, conseguimos salvar vidas e reduzir a sobrecarga na alta complexidade”, destacou.

A Sespa reforça que o projeto integra um conjunto de ações voltadas à redução da morbimortalidade por câncer no estado, com foco na organização da linha de cuidado e na ampliação do acesso aos serviços de saúde, especialmente em regiões mais vulneráveis. A expectativa é que a experiência em Marituba sirva como modelo para expansão da estratégia em outros municípios paraenses, contribuindo para mudar o cenário da doença na região Norte.

Texto: Caroliny Pinho