Hospitais do Pará transformam assistência em acolhimento e cuidado especializado

Hospitais do Pará transformam assistência em acolhimento e cuidado especializado

16/04/2026 Off Por ASCOM

Não é apenas sobre curar. Nos hospitais da rede pública, leitos e unidades de terapia intensiva priorizam o cuidado e ele ganha novas formas: em um parabéns cantado dentro de um quarto hospitalar, em um colo que acalma um bebê prematuro, em uma horta que devolve o sentido dos dias a quem está internado. É assim que a humanização da saúde deixa de ser conceito e se torna prática diária, transformando a experiência de pacientes, familiares e profissionais em dias melhores, com mais esperanças e bons afetos.

Na rede hospitalar da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), iniciativas estruturadas garantem que o atendimento vá além da técnica, alcançando também o emocional, o social e o humano. “O cuidado em saúde precisa enxergar o paciente de forma integral. Investir em humanização é garantir dignidade, acolhimento e respeito em todas as etapas da assistência. Nos hospitais da rede estadual, temos trabalhado para que cada pessoa atendida se sinta cuidada não apenas pelo tratamento, mas também pelo olhar sensível das nossas equipes”, destaca o secretário de Estado de Saúde Pública, Ualame Machado.

Cada evolução de Ruan Alves, de 6 anos, é comemorada pela equipe do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, em Belém

Cada evolução de Ruan Alves, de 6 anos, é comemorada pela equipe do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, em Belém Foto: Ascom HOIOL

Humanização que transforma vidas

No Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (HOIOL), referência no tratamento de câncer infantojuvenil, a rotina hospitalar ganha cores, música e afeto. Projetos como “Aniversário no Leito”, “Sino da Vitória”, “Sou Super-Herói” e o ateliê G.A.I.A. transformam momentos difíceis em experiências de acolhimento e esperança.

Internado, João Lucas, de 9 anos, ganhou ‘festa de aniversário’ com direito a bolo com seus personagens favoritos

Internado, João Lucas, de 9 anos, ganhou 'festa de aniversário' com direito a bolo com seus personagens favoritos

Cada evolução de Ruan Alves, de 6 anos, é comemorada pela equipe do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, em Belém Foto: Ascom HOIOL

Foto: Ascom HOIOL

Foi assim com João Lucas, de 9 anos, que celebrou o aniversário dentro do hospital, em meio ao tratamento contra a leucemia. “Eu gostei muito da festinha com meus personagens preferidos, fiquei muito feliz com as pessoas batendo parabéns pra mim”, contou o menino. A mãe dele, Joelma Lima, também se emocionou com o gesto. “Só tenho a agradecer a Deus pelo milagre da vida e por esse carinho com o meu filho. Proporcionar esse momento de alegria faz toda diferença”.

Outro exemplo é o de Ruan Alves, de apenas 6 anos, que chegou ao hospital em estado grave de desnutrição e hoje apresenta evolução significativa, acompanhado por uma equipe multiprofissional dentro do projeto “Certificado de Bravura”, que valoriza cada conquista do paciente durante a recuperação.

Fundação Santa Casa de Misericórdia garantesuporte integral a gestantes de alto risco e aos recém-nascidos, em Belém

Fundação Santa Casa de Misericórdia garantesuporte integral a gestantes de alto risco e aos recém-nascidos, em Belém Foto: Divulgação

Acolhimento desde o início da vida

Na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMPA), a humanização começa antes mesmo do nascimento. A instituição é referência em iniciativas como o Método Canguru e a Casa da Gestante, Bebê e Puérpera, que oferecem suporte integral a gestantes de alto risco e recém-nascidos.

A Casa da Gestante funciona como uma residência provisória, com estrutura acolhedora e acompanhamento multiprofissional, evitando internações desnecessárias e garantindo segurança às pacientes.

A gestante, Rafaela Queiroz (no centro): Eu vim com medo, mas aqui é um espaço acolhedor. Há carinho o tempo todo.

A gestante, Rafaela Queiroz (no centro): “Eu vim com medo, mas aqui é um espaço acolhedor. Há carinho o tempo todo”. Foto: Ascom Santa Casa

A gestante Rafaela Queiroz, de 28 anos, que está em acompanhamento após risco de parto prematuro, relata a diferença no atendimento. “Eu vim cheia de medo, mas aqui é um espaço muito acolhedor. A gente recebe carinho o tempo todo. É impossível se sentir sozinha. Hoje eu me sinto em casa e muito mais confiante”, afirma.

Já o Método Canguru fortalece o vínculo entre mãe e bebê por meio do contato pele a pele, contribuindo para o desenvolvimento do recém-nascido e para a segurança emocional da família. A jovem Juliana de Jesus, de 18 anos, mãe do pequeno Henry, prematuro de 29 semanas, vivenciou essa experiência.“Hoje eu me sinto segura. Aqui eu aprendi a cuidar dele, a entender cada necessidade. Esse cuidado não é só com o bebê, é com a gente também”, relata.

Rafaela Queiroz, de Capanema. Tem 28 anos. Segunda gestação Foto: Ascom Santa Casa Rafaela Queiroz, de Capanema. Tem 28 anos. Segunda gestação

Humanização que cultiva bem-estar

No Hospital Geral de Tailândia (HGT), a humanização também passa pelo contato com a natureza. O projeto de horta orgânica, desenvolvido com pacientes, tem ajudado na recuperação física e emocional.

Internado há um mês, o paciente Sebastião Santos, de 64 anos, destaca o impacto da iniciativa. “Eu gosto muito de vir aqui na horta. É um ambiente mais tranquilo, que ajuda a gente a se sentir melhor. Distrai a mente e muda a rotina”, conta.

Moradora do Marajó, Giliele da Silva, reconhce a assistência qualificada assegurada à filha no Hospital Geral de Tailândia (HGT)

Moradora do Marajó, Giliele da Silva, reconhce a assistência qualificada assegurada à filha no Hospital Geral de Tailândia (HGT) Foto: Ascom HGT

Além disso, ações na UTI neonatal também promovem acolhimento às famílias, como relata a mãe Giliele da Silva, que acompanhou a internação da filha prematura. “Eu cheguei com medo, mas fui muito bem acolhida. Mesmo na UTI, conseguimos viver momentos de carinho. Isso faz toda diferença”, afirma.

No Hospital Regional do Sudeste do Pará Dr. Geraldo Veloso (HRSP), em Marabá, a humanização se expressa por meio de atividades culturais, educativas e de escuta ativa. Projetos como “Cinema na Palma da Mão”, “Contos de Esperança”, “Hora Lúdica”, “Pintando o Sentir”, “Movimente” e  “Plantão do Amor” levam conforto e acolhimento aos pacientes.

As ações incluem ainda apoio espiritual, visitas religiosas e atividades que envolvem familiares, fortalecendo vínculos e promovendo um ambiente mais leve durante o período de internação.

Foto: Rodrigo Pinheiro / Ag. Pará

Humanização também na urgência

Mesmo em um ambiente de alta complexidade como o Pronto-Socorro Dr. Roberto Macedo (PSRM), em Belém, a humanização é prioridade. Iniciativas como o uso de carrinhos lúdicos para transportar crianças ao centro cirúrgico e o projeto “Sextou na Pediatria” ajudam a reduzir o estresse e o medo dos pequenos pacientes. Além disso, ações como comemoração de aniversários e atividades socioeducativas contribuem para tornar o ambiente hospitalar mais acolhedor.

Ao integrar tecnologia, assistência qualificada e sensibilidade, os hospitais da rede estadual mostram que humanizar é cuidar por inteiro. Mais do que tratar doenças, essas iniciativas ajudam a transformar experiências, fortalecendo vínculos e promovendo dignidade em cada atendimento.