Profissionais conciliam maternidade e cuidado na UTI Neonatal do Hospital Abelardo Santos
09/05/2026Equipe multiprofissional do HRAS atua no suporte a recém-nascidos de alto risco e no apoio às mães, a fim de fortalecer o vínculo com os bebês
Para a enfermeira Thamires Souza, coordenadora da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Neonatal do Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), em Icoaraci, distrito de Belém, a empatia é o sentimento que guia o cuidado. Mãe de uma menina, ela utiliza sua vivência pessoal para compreender as mães que buscam atendimento na unidade.
Thamires explica que a rotina na UTI Neonatal provoca um intenso impacto emocional e físico, já que a internação em um ambiente crítico gera medo, culpa e ansiedade nas mães que aguardam a alta dos filhos. “A separação precoce, associada ao cenário de equipamentos e procedimentos, dificulta a construção do vínculo inicial, o que impede as mães de exercerem plenamente os cuidados maternos da experiência que idealizaram”, explica a enfermeira.
O acolhimento da equipe multiprofissional trabalha na manutenção da saúde do paciente e fortalece a confiança da mãe, oferecendo suporte emocional e preparando a família para os cuidados futuros com o bebê.
Afeto e tecnologia – O HRAS é a maior unidade da rede pública de saúde do Governo do Pará. Somente no primeiro trimestre de 2026, o Hospital atendeu 97 pacientes neonatais. A jornada de acolhimento une afeto, técnica e tecnologia para recuperar recém-nascidos de alto risco com até 28 dias de vida.
O planejamento detalhado abrange desde higienização das mãos até o controle rigoroso de temperatura, ruídos e luminosidade. Rondas diárias ajustam o plano terapêutico, com suporte de incubadoras, monitores multiparamétricos e ventilação não invasiva.
O suporte tecnológico é integrado a estratégias de humanização, como o Método Canguru, no qual o contato pele a pele auxilia a estabilidade do bebê. Outra técnica utilizada é a redeterapia, que posiciona bebês estáveis em redes para simular o ambiente uterino.
Compromisso e empatia – A enfermeira Ana Coelho, mãe de um menino, também atua na unidade e descreve sua prática como um exercício de espelhamento. Segundo ela, o cotidiano envolve identificar a própria experiência materna em cada recém-nascido e oferecer suporte direto às mães internadas.
O acolhimento é feito por meio da escuta ativa. O objetivo é fortalecer o amparo emocional das famílias diante da fragilidade do período. “Não apenas cuidamos de cada um destes filhos, mas também procuramos sustentar a mãe, que muitas vezes sente que não pode oferecer o colo por estar fragilizada”, afirma Ana Coelho.
À beira do leito atua a técnica em Enfermagem Neusa Dutra, que integra o corpo profissional do HRAS desde 2019. Com experiência na linha de frente da pandemia de Covid-19, ela trabalha há três anos na UTI Neonatal.
Neusa Dutra descreve sua missão como suporte integral. “Eu me sinto uma ‘mãezona’. “Estamos no operacional, mas, como mãe, tenho uma palavra de ensinamento. Sou super protetora, reconheço. Aqui, procuramos ensinar e ajudar nos primeiros passos também, já que acabamos desenvolvendo um laço com elas”, acrescenta.
Raissa Cardoso vivencia sua primeira experiência na maternidade. Seu filho nasceu prematuro, e está internado há quatro dias na UTI Neonatal. Mesmo após receber alta médica, a mãe mantém uma rotina de presença no Hospital, e ressalta sua confiança na equipe multidisciplinar. Ao se identificar com as profissionais de saúde que também são mães, Raissa garante estar “em boas mãos, porque elas nos entendem. Têm experiência. Ele recebe o cuidado que precisa. Agora, é aguardar e torcer pelo melhor”.
Para Maria Clara Meirelles, no domingo (10) será seu primeiro Dia das Mães. A filha de Maria Clara, também prematura, exige monitoramento constante devido a episódios de apneia, interrupção temporária da respiração, que requer intervenção imediata da equipe. A rotina da mãe é ao lado do leito.
Ela destaca a segurança com o suporte hospitalar e a agilidade dos profissionais. “Minha filha veio para cá porque está tendo dificuldade para respirar. A equipe vem rápido reanimar ela quando preciso. Estão fazendo o possível para ela ficar bem, e eu reconheço isso. Percebo o carinho deles. As mães que trabalham aqui sabem o que sinto”, conta Maria Clara.
Referência – O Hospital Regional Dr. Abelardo Santos é a maior unidade pública do Governo do Pará. Referência no atendimento à mulher, criança e população indígena, a unidfade garantiu mais de um milhão de atendimentos em 2025.
Sua estrutura inclui pronto-socorro pediátrico, ginecológico e obstétrico 24 horas, e 360 leitos, distribuídos entre emergência, cirurgia, internação clínica, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e Unidades de Cuidados Intermediários (UCIn). É uma das principais maternidades do Estado, realizando mais de 5 mil partos anuais, e conta com um centro de terapia renal.
Texto: Ascom/HRAS









