Hospital de Clínicas promove ‘Craques do Coração’ e diversão na Clínica Pediátrica
26/06/2026Em clima de Copa do Mundo, o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HC), em Belém, transformou a rotina das crianças atendidas na Pediatria em momentos de descontração, acolhimento e superação. Com a ação “Craques do Coração: Copa da Superação”, realizada nesta quarta-feira (24) e quinta-feira (25), os pequenos pacientes participaram de atividades inspiradas no universo do futebol, com jogos, pinturas, dinâmicas emocionais e momentos de integração.
Mais do que uma competição, a iniciativa, que contou com o apoio da equipe multiprofissional e da Associação de Voluntários do HC, utilizou o esporte e o brincar como ferramentas de pertencimento, acolhimento, expressão de sentimentos e fortalecimento da autoestima das crianças durante o período de tratamento.
Brincar também faz parte do cuidado
A programação contou com atividades como campeonato de jogo de botão, pintura das bandeiras dos países, “Chute ao Gol da Coragem”, “Passe da Coragem”, desenho de conquistas pessoais e a “Entrevista do Craque”, uma dinâmica que estimulou as crianças a falarem sobre sentimentos, desejos e experiências.
Em meio à rotina hospitalar, a “Copa da Superação” criou um momento de acolhimento para que as crianças pudessem se reconhecer para além do diagnóstico e das limitações impostas pela internação.
Segundo a psicóloga da pediatria, Wenna Dias, a proposta é resgatar experiências próprias da infância e fortalecer o sentimento de pertencimento durante o tratamento.
“A importância desse momento é justamente proporcionar que eles também façam parte desse momento, dessa pelada, de todo o quadro que eles vêm trazendo desde a internação, desde aquele momento de tolhimento dentro do hospital. Eles não estão internados em um momento com a família ou com os amigos. Criança gosta de bola, de futebol, de estar na rua. Então, qual a importância desse resgate? É trazer essa vivência para dentro do hospital”, explicou.

Psicóloga da pediatria, Wenna Dias: “Proposta quer fortalecer experiências da infância e o sentimento de pertencimento” Foto: Ascom HC
Futebol adaptado para respeitar limites e estimular participação
Para tornar a experiência possível dentro do ambiente hospitalar, a equipe adaptou as atividades considerando as condições clínicas das crianças atendidas na Pediatria. O brinquedista Laurel de Moraes Filho explicou que a proposta foi construída coletivamente com profissionais da psicologia, serviço social e voluntariado.
“Essa atividade foi pensada com a equipe que eu trabalho. Conversamos bastante sobre como fazer algo lúdico, porque não tem como realizar um jogo de futebol dentro do hospital. Então pensamos em adaptações, como o jogo de botão e o chute ao gol, em que eles vão estar sentados, com uma bolinha leve, tentando derrubar um pino”, explicou.
Segundo Laurel, o objetivo é levar para dentro do hospital uma experiência ligada à paixão nacional pelo futebol, respeitando os limites de cada criança.
“Eles vão participar como todo brasileiro que é encantado pelo futebol, que é uma paixão nacional. Vamos enfeitar, pintar, brincar de narração e fazer várias atividades com eles”, destacou.
Famílias também participam da torcida
A ação também envolveu os acompanhantes das crianças, que entraram no clima da Copa e participaram das atividades ao lado dos pequenos pacientes. A assistente social Celice Martins, explicou que a iniciativa surgiu a partir da percepção da equipe sobre o interesse dos próprios familiares em vivenciar esse momento dentro do hospital.
“A gente percebeu que os pais estavam empolgados, principalmente as mães. Algumas já falavam que iam trazer a roupinha do Brasil, o lacinho de cabelo. Então percebemos que eles também queriam participar desse momento”, relatou.
Segundo Celice, incluir os familiares fortalece o acolhimento durante a internação e cria oportunidades para que crianças e responsáveis expressem sentimentos e expectativas em relação ao tratamento.
Natural de Altamira, Jéssica Antônia Pedroso da Silva acompanha a filha Valentina, de 10 meses, que aguarda uma cirurgia cardíaca no HC. Para ela, atividades como a “Copa da Superação” ajudam a aliviar a tensão causada pela internação.
“É bom porque distrai um pouco a pessoa. Ficar dentro de um hospital com uma criança é bem estressante. Então é muito gratificante participar de um momento assim”, afirmou.
De Rurópolis, o agricultor Rian de Castro Andrade acompanha a filha Celine Ramos de Castro, de 10 meses, que passará por cirurgia cardíaca. Longe da família e da outra filha, que permaneceu no município de origem, ele destacou o acolhimento recebido durante a internação.
“É muito importante porque a gente está longe da família e aqui se sente acolhido pelo pessoal do hospital. É uma forma também de levar a mente para outro lugar, não ficar só pensando no problema dela”, disse.
Segundo Rian, a atividade chegou em um momento especialmente delicado para a família. “Amanhã mesmo ela passa por cirurgia, então a gente está muito aflito. Com o trabalho deles aqui a gente consegue espairecer mais a mente e fica mais tranquilo”, relatou.
Texto: Kelly Barros (Ascom HC)




