Assistentes sociais acolhem pacientes e humanizam o ambiente hospitalar

Edna Guedes, assistente social do Hospital de Campanha do Hangar

Comemora-se neste sábado (15) o Dia do Assistente Social. Entre os vários campos de atuação, está o de profissional de saúde que faz o acolhimento e exerce a humanização aliviando a dor da internação para o paciente e sua família numa unidade hospitalar. Como todos os trabalhadores de área, eles também têm muita história para contar.

A assistente social Edna Guedes atua no Hospital de Campanha do Hangar e acredita que o trabalho do assistente social é de grande relevância e indispensável na área da saúde. “Estamos aqui para garantir o direito dos usuários, tendo como líderes os pacientes e os familiares, somos o elo entre o hospital e a família”, afirmou.

As principais atividades são o acolhimento aos pacientes e aos familiares, para orientá-los com relação às normas e regras do hospital; elaboração de instrumentos para o atendimento; recolhimento dos pertences, protocolando e entregando para a família para evitar a contaminação.

Uma das tarefas mais importantes para Edna Guedes é a ligação para a família para informar sobre alta de pacientes ou comparecimento para recebimento de notícias, mantendo sempre o equilíbrio emocional para passar tranquilidade à família. “O assistente social não faz comunicação de óbito, cabe ao médico dar a notícia. Ficamos com o acolhimento no pós-óbito e as orientações cabíveis para a situação e sobre os benefícios eventuais”, explicou.

O Hangar é uma unidade que atende especificamente casos de Covid-19, o que impede a visita aos pacientes. “Somos nós também que, junto aos psicólogos, levamos cartas escritas pelos familiares para os pacientes”, contou a assistente social. “Também fazemos as videochamadas, que servem para amenizar a saudade e deixar o paciente o mais confortável possível”, ressaltou Edna Guedes.

Para ela, a situação que mais marca a sua equipe são as altas diárias desses pacientes que conseguiram sair do hospital e voltar para as suas famílias. “Todo paciente é o amor de alguém”, disse Edna Guedes, ao lembrar do paciente com mais de cem anos que conseguiu vencer a Covid-19 e retornar para sua casa. “É muito bom a cada dia ver um paciente tendo alta e voltando para os seus familiares. Para nós, cada alta é um milagre mesmo”, comemorou.

Stephan Leite, assistente social do Hospital Regional do Baixo Amazonas

No Oeste do Pará – Já no Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA) quem comemora a data com muito orgulho é o assistente social Stephan Leite, que atua com mais cinco profissionais e dois residentes.

Ele contou que a escolha do Serviço Social como profissão veio do interesse que sempre teve em querer defender os direitos dos menos favorecidos. “No âmbito das Ciências Humanas, eu entendi que por meio do Serviço Social, eu teria uma profissão completa, porque abrange as questões da Previdência, Assistência Social, Saúde, Educação, Segurança Pública, entre outras áreas. Isso mostra que nós estamos inseridos em todos os setores da sociedade. Então, eu me sinto muito realizado exercendo essa profissão”, afirmou.

Sobre o enfrentamento à Covid-19, Stephan Leite disse que foi desafiador porque, juntamente com a pandemia, vieram demandas nunca vivenciadas por nenhum profissional de saúde. “Quer seja assistente social, enfermeiro ou médico, enfim, foi um desafio para todos, principalmente porque as nossas profissões são de contato, de suporte, de intervenção física”, enfatizou Stephan.

A Covid-19 trouxe exatamente a barreira, o isolamento e a falta de contato. “Não podíamos trocar contatos e não podíamos acompanhar fisicamente as famílias. Tivemos que aprender a lidar com outros mecanismos para fazer isso no nosso trabalho. Tivemos que nos adaptar às novas tecnologias, às videoconferências, às redes sociais e aos atendimentos remotos. Isso tudo foi muito desafiador e estamos aqui no enfrentamento direto e diário à Covid-19”, disse Stephan Leite.

Nos seus 12 anos de atuação no HRBA, o episódio que marcou a vida profissional do assistente social foi o Hospital se transformar em referência para a captação de órgãos e ele ter tido a oportunidade de participar da equipe. “Não é possível esquecer a primeira captação de órgãos, a entrevista que nós acompanhamos junto com os colegas, em que a família aceitou fazer a doação e eu pude acompanhar todo o processo. É muito emocionante acompanhar os colegas levando os órgãos para serem encaminhados para os pacientes que estão aguardando aqueles órgãos”, contou.

Stephan Leite ficou emocionado naquele momento porque pôde perceber o quanto o trabalho dele estava contribuindo para dar uma nova chance de viver a quem aguarda um órgão “E é muito gratificante saber que nós fizemos parte disso”, festejou.

Maria Duarte, assistente social do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência

Urgência e Emergência – A assistente social do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE) Maria Marli Dias Duarte, apaixonou-se pela profissão em um momento difícil da sua família. Seu pai precisou ficar internado num hospital e ela, como acompanhante dele, teve a oportunidade de ver de perto o trabalho das assistentes sociais. “Vi que o acolhimento delas era muito importante para os pacientes que se encontravam debilitados emocionalmente e carentes de afeto por estarem distante da família e eu me senti acolhida. Elas me deram muita força naquele momento. Mesmo sabendo que o caso do meu pai não tinha mais solução, elas me informaram sobre as garantias de direito que ele tinha e eu fui me apaixonando por esse trabalho”, contou.

Sobre atuar em plena pandemia de Covid-19, Maria Marli também concorda que está sendo um desafio constante para os assistentes sociais porque tiveram a necessidade de se reinventar como profissional, criando estratégias, para que o serviço não perdesse a qualidade. “Apesar de ter que manter o distanciamento social e todas as medidas restritivas, nós nos empenhamos para não deixar de acolher os pacientes e seus familiares com total empatia”, ressaltou.

Maria Marli disse no HMUE presencia muitos casos marcantes, mas o que ela considera mais especial aconteceu logo que começou a trabalhar no hospital. Foi o caso de uma criança de dois anos que deu entrada muito grave, vítima de queda do telhado. “O que me deixou mais impactada é que os pais sabiam do perigo que a criança corria antes de ter acontecido, porque já a tinham visto passar por cima do telhado que dava direto na varanda da casa de dois andares. Viram que ela fez isso uma vez, não tomaram providência nenhuma e o acidente ocorreu no dia seguinte. Tomar conhecimento de como tudo aconteceu, me deixou muito entristecida, porque era uma tragédia que poderia ter sido evitada”, comentou. “Os pais estavam desolados e a gente acaba sentindo, de alguma forma, a dor deles, principalmente nós que já somos mães e temos os sentimentos aflorados, foi muito difícil ter que acompanhar tudo”, concluiu.

O secretário de Estado de Saúde Pública, Rômulo Rodovalho, parabeniza todos os assistentes sociais do SUS no Pará por este dia e agradece pelo excelente trabalho que vêm realizando no combate à Covid-19. “Acolhimento e humanização são fundamentais para a recuperação dos pacientes vítimas do novo coronavírus”, afirmou o titular da Sespa.

Texto: Roberta Vilanova/Sespa

Fotos: Divulgação

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