Equipes da Sespa capturam insetos causadores da doença de Chagas em Muaná

Equipes da Sespa capturam insetos causadores da doença de Chagas em Muaná

22 de setembro de 2021 Off Por Roberta Vilanova

Técnico instala armadilha para a captura do inseto conhecido como barbeiro, causador da doença de Chagas

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) realizou de 13 a 22 de setembro, no município de Muaná, no Arquipélago do Marajó, a captura de triatomíneos (inseto conhecido por barbeiro) no meio ambiente e em residências de moradores de três localidades. A ação foi motivada pela queixa da população sobre a presença desses insetos dentro das casas, incluindo relatos de picadas nos moradores.

O objetivo do trabalho é localizar os barbeiros e depois saber se estão infectados com o protozoário Trypanosoma cruzi, que causa a doença de Chagas. Todo o trabalho foi desenvolvido pelas equipes da Coordenação Estadual de Entomologia, do Departamento de Controle de Endemias, e do 7º Centro Regional de Saúde (CRS), especificamente em localidades das ilhas Jararaca, Goiabal e Santarém.

egundo a coordenadora estadual de Entomologia, Bárbara Almeida, a ação é uma importante ferramenta de vigilância entomológica para identificar possíveis focos de colonização na região amazônica. “Nessa ação ficou evidente que o ambiente visitado está propício à invasão desses insetos, pois as casas estão inseridas em ambiente de mata”, informou a coordenadora.

Moradores relataram presença de barbeiros em suas casas

Risco no açaí – Todas as famílias visitadas tinham em casa batedeiras de açaí, havendo, portanto, o risco de contaminação pela ingestão do fruto. “Como a presença do inseto é grande, além do risco de transmissão vetorial há o risco da transmissão oral, já que os barbeiros podem contaminar o fruto ou ser triturados na máquina junto com o açaí”, explicou Bárbara Almeida.

Durante a ação foram realizadas atividades de Educação em Saúde para orientar as comunidades. Para evitar a contaminação oral, a equipe recomendou que as batedeiras de açaí fossem higienizadas e acondicionadas, para evitar a transmissão vetorial, e que os moradores usem mosquiteiros para uma proteção mais eficaz, uma vez que funcionam como barreira física entre o barbeiro e a pessoa, principalmente em regiões visitadas em Muaná.

Bárbara Almeida ressaltou ser imprescindível que o município estabeleça uma equipe de entomologia municipal, para realizar as investigações que estão sendo recorrentes. “Os processos de investigação precisam ser contínuos e intersetoriais (vigilância entomológica, epidemiológica, sanitária e ambiental), haja vista que é necessária uma visão ampla sobre os riscos que a população corre frente à endemia”, acrescentou a coordenadora.

Texto: Roberta Vilanova/Sespa
Fotos: Divulgação